Lula 2026 pode repetir Dilma 2014?
Por Tereza Cruvinel — Brasil 247
Analisando conosco o cenário eleitoral no Boa Noite 247, na noite de anteontem, véspera da divulgação da pesquisa Datafolha que trouxe Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados (51% a 49%), o cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, apontava para a possibilidade de que se repita agora o que houve em 2014 entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.
Ela começou o segundo turno atrás do tucano e assim se manteve nas primeiras duas semanas, até conseguir uma virada espetacular no dia 20, a seis dias do pleito, que a levou à vitória.
O resultado trazido ontem, 15 de outubro, pelo Datafolha é idêntico ao que o mesmo instituto apresentou para a disputa de 2014 há 12 anos, em 15 de outubro de 2014: 49% para Dilma e 51% para Aécio. A próxima pesquisa do instituto vai mostrar se o crescimento de Lula se manteve ou não, garantindo-lhe o empate numérico ou a virada. Isso será na próxima semana.
Na quarta-feira, 14, a pesquisa Quaest veio com 51% para Flávio e 49% para Lula, reduzindo a diferença entre os dois de quatro para dois pontos percentuais. Hoje, 16 de outubro, a pesquisa PoderData trouxe os dois candidatos em empate numérico, cada um com 50% de preferência. Foi a primeira pesquisa a trazer o empate rigoroso, chamado numérico.
Lavareda recorda:
“Ao final do primeiro turno, o presidente Lula era visto como um provável derrotado, com poucas chances de vir a ganhar a eleição, algo em torno de 20% a 30%. Nas primeiras pesquisas depois do dia 4, a distância entre ele e Flávio Bolsonaro começou com quatro pontos e algumas chegaram mesmo a seis pontos. Na nossa, fechada na quinta-feira (8/10), a distância foi de 5,4%, correspondentes a mais de seis milhões de votos. Mas veio a reação, com a mobilização dos jovens, os atos de rua, a movimentação nas redes, tudo isso… Esse esforço vem apresentando resultados. A diferença entre Lula e Flávio foi se reduzindo nas pesquisas do fim de semana, como a da Nexus e a do PoderData. A da Quaest trouxe um passo a mais (51% a 49%), uma nova melhora da performance do presidente Lula e de seus números, mostrando que Flávio ainda é favorito, mas que o presidente recuperou a competitividade e pode virar e vencer. Podemos ver a repetição da linha do tempo de 2014.”
Lavareda recompõe a tal linha do tempo: “Nas pesquisas dos dias 8 e 9 de outubro de 2014, ela perdia para Aécio de 46% a 44%, e na pesquisa de 15 e 16 de outubro ela perdia de 45% a 43%. Somente nas pesquisas de 20 de outubro ela conseguiu virar, com uma marca de 46% a 43% a favor dela, logo ampliada para 47% a 43%, fechando a última semana com esse placar. Ela acabou obtendo uma diferença em votos válidos de 3,4% e de 2,5% em votos totais.”
Ele ressalva estar falando de uma possibilidade com base em fato que já aconteceu, embora de forma excepcional, pois em todas as outras disputas em segundo turno o candidato que chegou na frente manteve a vantagem e se elegeu.
E se Lula virar, que placar pode ser esperado? Anastasia prospecta: “Se acontecer de Lula, que hoje não é favorito, vir a ganhar a eleição, será por uma distância, digamos… peruana”. No Peru, a presidente Keiko Fujimori ganhou por aquela diferença mínima de 0,2%, bem menor que a diferença obtida por Lula em 2022. “Já Flávio, se vier a ganhar, poderá ser por uma margem mais folgada, porque ele perde menos do que Lula com a abstenção. Ganhará por algo em torno de 3%, ou três milhões de votos.”
Apesar da semelhança verificada até agora entre a curva de Dilma e a de Lula, sabemos todos que são enormes as diferenças de conjuntura e de cenários político e eleitoral. Não só os candidatos são outros, mas o Brasil e o mundo também. A semelhança nos lembra, entretanto, que peru não morre de véspera e que não se ganha eleição antes do voto na urna, como parece ou finge acreditar Flávio Bolsonaro. Até na véspera do pleito podem acontecer grandes e importantes movimentos de votos, determinados pelos mais diferentes fatores.
E a favor de Lula surgem agora muitos fatores: os movimentos populares de apoio, para além da militância petista, a aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho para cinco dias semanais, as medidas que favorecem os MEIs. E haverá, no domingo, o debate na TV Bandeirantes, em que, pela experiência, ele tende a se sair melhor que Flávio.
Fonte: Brasil 247