Leandro Grass: “É uma campanha do improvável, estamos lutando contra todo o sistema corrupto que tomou conta do DF”

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Por Dafne Ashton — Brasil 247

247 – O candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), afirmou que o escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de Daniel Vorcaro, é um dos elementos centrais para compreender as relações de poder e as condições da disputa eleitoral na capital federal. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Grass questionou o destino dos recursos envolvidos nas operações entre as instituições financeiras e defendeu uma investigação sobre possíveis conexões entre o dinheiro movimentado, grupos políticos e estruturas de comunicação.

“É uma campanha do improvável, porque a gente está lutando aqui literalmente contra todo o sistema corrupto, podre e asqueroso que tomou conta do DF”, declarou o candidato, ao descrever as dificuldades de sua disputa contra Celina Leão, integrante da administração de Ibaneis Rocha antes de assumir o governo distrital.

Grass sustentou que o caso BRB-Master precisa ser esclarecido não apenas pelas consequências financeiras para o banco público, mas também pelas suspeitas que, em sua avaliação, cercam as relações entre empresários, autoridades e grupos políticos do Distrito Federal. O candidato citou operações envolvendo bilhões de reais e cobrou explicações sobre o destino dos valores.

“Vamos lembrar que o Vorcaro arrancou 30 bilhões do BRB. O que a gente sabe que eram títulos podres, já são 12,2 bilhões, gente. 12,2 bilhões. Compra o quê? Compra quem? Paga o quê? E quem? Cadê esse dinheiro? Quem sabe explicar até agora?”, questionou.

Os valores foram apresentados por Grass durante a entrevista e suas declarações não constituem, por si só, comprovação de desvio ou de utilização eleitoral dos recursos. O candidato, no entanto, considera que o rastreamento das operações é fundamental para esclarecer eventuais responsabilidades e identificar os beneficiários das transações.

Ele afirmou que a ausência de respostas sobre o destino do dinheiro alimenta questionamentos sobre a influência econômica exercida por determinados grupos no Distrito Federal. Grass também levantou a hipótese de que parte dos recursos possa ter sido direcionada a atividades políticas ou plataformas digitais, possibilidade que defendeu ser investigada.

“Será que tem algum recurso que saiu aqui do BRB, que influenciou, que foi levado para fora do Brasil? Isso precisa ser investigado”, declarou, sem apresentar provas de que o dinheiro tenha sido empregado em campanhas eleitorais.

O candidato associou essas suspeitas à estrutura política que governa o Distrito Federal e questionou a responsabilidade de Celina Leão nas decisões tomadas durante a administração de Ibaneis Rocha. Segundo Grass, a adversária não pode se desvincular dos atos do governo do qual participou como vice-governadora.

Ele também mencionou relações profissionais entre pessoas próximas ao grupo político de Celina e integrantes da defesa de Daniel Vorcaro. Grass citou Gustavo Rocha, apontado por ele como candidato a vice na chapa adversária, e afirmou que um antigo sócio de Rocha, identificado na entrevista como advogado de Vorcaro, mantém uma conexão profissional que, em sua avaliação, merece atenção. A existência dessa relação, isoladamente, não demonstra participação em irregularidades.

Outro aspecto abordado foi a influência da publicidade governamental sobre os meios de comunicação do Distrito Federal. Grass afirmou que o governo distrital destina recursos a veículos e portais locais e questionou o tratamento dispensado por parte dessas empresas aos adversários políticos da atual administração.

Segundo ele, a publicidade do GDF chegou a aproximadamente R$ 170 milhões anuais. O candidato alegou que determinados portais recebem recursos públicos e, ao mesmo tempo, publicam conteúdos contrários a integrantes da oposição. Essas alegações não foram acompanhadas, na entrevista, de documentos que comprovassem direcionamento editorial em troca de verbas.

Grass relacionou o problema às informações que vieram à tona sobre os vínculos de Daniel Vorcaro com veículos de comunicação e citou o caso do portal Metrópoles, mencionado durante a entrevista. Ele afirmou ter conversado com Ricardo Cappelli sobre relatos envolvendo tentativas de interferência no espaço destinado ao político na plataforma.

Para o candidato, as relações entre instituições financeiras, agentes políticos e empresas de comunicação precisam ser examinadas para identificar possíveis conflitos de interesses e mecanismos de influência sobre a opinião pública.

A preocupação com a comunicação também apareceu nas denúncias apresentadas por Grass sobre o uso de ferramentas digitais durante a campanha. Ele afirmou que a inteligência artificial da Meta apresentou comportamentos diferentes quando solicitada a produzir materiais eleitorais de sua candidatura e de sua adversária.

Segundo seu relato, a ferramenta conseguia gerar peças associadas a Celina Leão, mas não produzia materiais equivalentes com seu nome e número eleitoral. Grass disse que problema semelhante havia sido observado em conteúdos relacionados ao presidente Lula.

O candidato também afirmou que comentários de apoiadores em seu perfil no Instagram foram ocultados ou excluídos pela plataforma. Entre os conteúdos atingidos, segundo ele, estavam imagens e mensagens com referências às candidaturas de Lula e Grass.

“Eu já tinha denunciado antes desse episódio dos cards que a Meta tinha colocado como conteúdo invisível, conteúdo inapropriado, bloqueou alguns conteúdos de comentários às minhas postagens”, relatou.

Grass defendeu que as denúncias envolvendo o funcionamento das plataformas digitais sejam examinadas por instituições brasileiras e organismos internacionais. Ele mencionou a Organização dos Estados Americanos e as Nações Unidas como espaços onde o tema poderia ser discutido, diante da influência das empresas de tecnologia sobre os processos eleitorais.

Além das questões financeiras e digitais, o candidato denunciou a circulação de um vídeo produzido com inteligência artificial que, segundo ele, utilizava sua voz para atribuir-lhe declarações que nunca fez. Grass afirmou ter registrado um boletim de ocorrência após identificar a divulgação do material em grupos que associou a pessoas ligadas à adversária.

“Fabricaram um vídeo com inteligência artificial sobre mim, usando a minha voz, falando de coisas que eu nunca falei”, relatou.

O candidato também anunciou que pretende ampliar a fiscalização eleitoral no segundo turno, especialmente em relação a propaganda irregular, possível compra de votos, transporte irregular de eleitores e divulgação de conteúdos manipulados.

Grass afirmou ter testemunhado, no primeiro turno, uma situação que considerou propaganda eleitoral irregular nas proximidades de um colégio em Taguatinga. Segundo ele, havia materiais de campanha e pessoas identificadas com candidaturas da direita em uma residência próxima ao local de votação. O candidato criticou a demora na chegada da Polícia Militar após a denúncia apresentada por sua equipe.

Ao reunir essas questões, Grass sustentou que o esclarecimento do caso BRB-Master deve integrar uma investigação mais ampla sobre o funcionamento das estruturas de poder no Distrito Federal. Para ele, as suspeitas envolvendo o banco público, as relações entre agentes políticos e empresários e as denúncias de irregularidades eleitorais exigem respostas das instituições responsáveis pela fiscalização e pela Justiça.

“Passar o escândalo BRB-Master a limpo também vai ajudar a passar essas eleições a limpo”, afirmou.

O candidato encerrou sua avaliação defendendo que as investigações identifiquem o destino dos recursos envolvidos nas operações financeiras e esclareçam eventuais responsabilidades, sem que as suspeitas sejam tratadas como fatos comprovados antes da conclusão das apurações.

Fonte: Brasil 247

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