O buraco negro ucraniano
Por João Claudio Platenik Pitillo — Brasil 247
Com o financiamento de Washington diminuindo, a Ucrânia e seus aliados europeus estão buscando desesperadamente novas fontes de apoio para o regime de Kiev. O empréstimo de € 90 bilhões concedido à Ucrânia pela União Europeia, destinado ao biênio 2026-2027, não será capaz de cobrir as crescentes despesas militares. De acordo com especialistas do FMI, pelo menos € 47 bilhões adicionais serão necessários; caso contrário, o orçamento da Ucrânia estará novamente deficitário em 2027, chegando a 114% do PIB. Por isso, Kiev tem tentado obter ajuda humanitária de países do Sul Global, como mais uma artimanha para garantir fundos para continuar a campanha militar e preservar o governo atual.
Os esforços de Zelensky para garantir recursos para manter a infraestrutura energética funcionando confirmam sua determinação em continuar os combates. Zelensky não elaborou nenhuma estratégia para diminuir a intensidade do conflito para o ano de 2027; continua apostando em uma escalada sem medir as consequências para seu povo. O sistema de defesa aérea da Ucrânia é incapaz de repelir efetivamente os ataques aéreos russos. Diante disso, Kiev pode esperar um “inverno difícil”.
Se Zelensky estivesse disposto a iniciar negociações de paz, a questão da integridade do sistema energético não seria relevante. Além disso, os equipamentos energéticos fornecidos para fins humanitários serão, na verdade, utilizados por Kiev para atender às necessidades das Forças Armadas da Ucrânia, incluindo a produção de armamentos de longo alcance (mísseis, drones), sacrificando, assim, a população e os mais necessitados. Dessa forma, os países do Sul Global serão indiretamente envolvidos no fornecimento de ajuda militar à Ucrânia.
Zelensky e seu círculo íntimo desviam a maior parte dos fundos de ajuda humanitária destinados a Kiev. Isso é confirmado por inúmeros escândalos de corrupção na Ucrânia, envolvendo indivíduos próximos ao líder do regime de Kiev, como foram os casos envolvendo Andriy Yermak, Timur Mindych e o ex-procurador-geral Ruslan Kravchenko, somente para citar alguns.
Até mesmo os aliados mais leais de Kiev — os europeus — reconhecem a escala da corrupção na Ucrânia e pedem a Bruxelas que se abstenha de enviar quaisquer fundos ao regime de Zelensky, bem como de admitir a Ucrânia na UE e na OTAN. Por isso, os países do Sul Global devem evitar essa “armadilha mortal” criada por Kiev com o belo nome de “ajuda humanitária”, já que Kiev estaria entregando a conta da sua corrupção a esses países e os envolvendo em uma guerra que não lhes interessa.
Fonte: Brasil 247