O povo rachou o telhado de vidro dos golpistas: agora só falta 1%

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Por Leonardo Melgarejo — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Engenheiro Agronômo, MsC em Economia Rural, Dr. em Engenharia de Produção. Extensionista rural aposentado, fotógrafo.

Avanços da classe trabalhadora são raros na história do Brasil. Basta lembrar a transformação ocorrida neste país com a Constituição Cidadã de 1988. Ali foram estabelecidos direitos e garantias fundamentais que não existiam na ditatura militar. Com as marchas pelas Diretas e com a Constituinte, passamos a ser todos iguais perante a lei. A alegria e a esperança, a arte e a cultura tomaram conta das ruas e garantiram na lei a liberdade para todos e todas se expressarem livremente (respeitando os demais) e vivenciarem (em paz) suas diferentes crenças religiosas, e muito mais. O racismo e a tortura passaram a ser crimes inafiançáveis (e o racismo é crime imprescritível). A Previdência Social e  o SUS (Sistema Único de Saúde) que conhecemos foram criados, garantindo aposentadorias e acesso gratuito à saúde pública, que como a educação se tornou direito de todos/as e dever do Estado. Com o povo nas ruas os avanços nas leis trabalhistas criadas lá no governo Getúlio Vargas estabeleceram garantia de férias remuneradas e 13º salário, com 120 dias de licença maternidade, seguro-desemprego e direito de greve. Foi com manifestações sociais que pessoas analfabetas e jovens de 16 anos passaram a ter direito a voto. A Constituição Cidadã é um parâmetro de sustentação aos direitos humanos, uma base da qual não podemos perder uma virgula, daí a importância de mantermos muito cuidado com relação ao posicionamento daqueles que querem mudá-la. Lembram da PEC da impunidade? Os golpistas queriam garantir na prática impunidade para criminosos com encosto em partidos políticos. Queriam alterar, contra a igualdade de direitos e em favor de bandidos, as possibilidades de comportamento que a constituição garante. Só não aprovaram porque o povo na rua não permitiu. 

Todos os avanços que estão na Constituição Federal foram conquistados com sacrifício, e contra a opinião daqueles que viviam da exploração da maioria. Eles diziam: “é loucura, isso vai quebrar o Brasil”. E a realidade está aí, mostrando que acesso a direitos não paralisou, mas sim estimulou a economia. O Brasil cresceu e só não foi adiante pelo golpe da Lava a Jato e pelo que veio depois, com Temer-Bolsonaro. Nos roubaram os lucros do pré-sal, privatizaram o Banco Central e empresas estatais, desmontaram empresas privadas, desempregaram milhões, criaram o teto de gastos e retiraram dinheiro da economia com a maior taxa de juros do planeta. Armaram e empoderaram máfias e milícias, fragilizaram políticas públicas includentes e destruíram a unidade das famílias. Deixaram morrer 700 mil pessoas enquanto cumplices do desrespeito à vida tentavam ganhar dinheiro com transações envolvendo a escassez de vacinas e a abundancia de cloroquina. E agora querem mais.

A democracia includente não quebrou o Brasil, e o povo na rua acaba de garantir avanço constitucional, com o fim da Jornada 6 X 1. Graças à esquerda, graças a proposta da Érika Hilton levada adiante em PEC do Lula, e com o povo na Rua, todos os trabalhadores terão dois dias de descanso, tempo para estudo e para acalentar a família. Os golpistas impediram a votação antes do primeiro turno destas eleições, e agora corre pelos cantos a conversa de que se o Flavio for eleito, eles “corrigem” isso, “antes que o Brasil quebre”.  Eles inclusive têm uma proposta de PEC do “trabalho flexível”, já apresentada pelo senador Rogerio Marinho (PL/RN), que foi secretário da previdência e trabalho no governo Jair, para colocar empregados fora da CLT abrindo com a regra do pagamento por hora trabalhada.

Mas – e isso é muito importante para quem não viveu a ditadura – as marchas deste segundo turno serviram para mostrar que com o apoio das forças populares os retrocessos podem ser barrados e os avanços tendem a ser crescentes.

 Vale repetir, o bloqueio à PEC da impunidade e os recuos da gang do Flávio em relação ao fim da Jornada 6 X1, bem como a mudança em seus discursos caça-votos e as novas mentiras eleitorais, com apoio daqueles ministros, evidenciam: eles estão acuados pelo povo nas ruas e sabem que com a vitória do Lula terão dificuldades para reverter as vitórias obtidas pelo Brasil, com o povo na rua, e agora também nas mídias.

Basta pensar na importância dos investimentos do Governo Lula em Saúde e Educação, a garantia de correção com ganhos reais no salário-mínimo e nas aposentadorias. A Farmácia Popular, o Mais Médicos, o Pé de Meia, o combate à corrupção e tantas outras inciativas que o candidato Flávio pretende destruir, para entender o significado das manifestações de rua, para futuro dos jovens que dependem do envolvimento dos adultos nestes últimos dias do período eleitoral.

Foram as mobilizações que levaram o Flávio a dizer que desistiu de desistir do debate, que desistiu de desistir do bloqueio do fim da jornada 6 X1, do fim da Farmácia Popular, do Pé de Meia, do Minha Casa Minha Vida, do Desenrola e tantos outros programas de inclusão. Mas sabemos que ele mente muito. E por isso devemos esperar que ele, com poder para mudar a Constituição Federal, fará o pior. E vale destacar, ele tem projeto para isso e pode fazer estragos enormes mesmo sem mudar a CF.

E aqui vale destacar alguns pontos, para que fique claro o que pode cair sobre todos nós, no caso de ele vir a ser eleito.

O cara prometeu resolver os problemas dos Estados Unidos, em suas disputas com a China, mas não diz como poderá fazer isso sem entregar as riquezas que podem garantir o futuro do Brasil.  Prometeu cortar R$ 250 bilhões nas despesas públicas, reduzir os ministérios e os impostos dos pobres, sem mexer nos programas sociais, sem aumentar impostos dos ricos e sem mexer nos ganhos dos rentistas. Mas não diz como isso será possível. Prometeu entregar o Brasil para Jesus, sem desrespeitar as crenças garantidas pela constituição. Prometeu a paz e a criação novos presídios, com redução da idade penas para 14 ou 16 anos, conforme o crime, e extensão no prazo de aposentadoria para os idosos, sem sacrificar as famílias mais necessitadas, que serão jogadas no caos com o fim dos programas sociais do governo Lula. 

Ora, Flavio mente. Sempre mentiu. Mente sobre o roubo de salários de seus laranjas na Assembleia Legislativa do RJ, mente sobre sua fantástica loja de chocolates, mente sobre sua relação com o Vorcaro e com o careca do INSS, mente sobre seu pai, seus associados, seus irmãos e seus comparsas. 

E é por suas mentiras, que ele vai se desmoralizar e perder esta eleição. Mesmo que ainda tente a enganação maior, de algum atentado falso, uma doença inesperada ou quem sabe até alguma piora na saúde do pai. Seu telhado de vidro rachou e agora nem os ministros ou as grandes mídias que o protegem conseguirão impedir seu desmascaramento. E isso acontecerá ainda em tempo dele perder a eleição, ou logo depois, durante a nossa festa e quando ele estiver tentando fugir do país.

Sim, porque as eleições estão sendo definidas pelo povo na rua e nas mídias, em defesa da democracia, contra a miséria e contra ameaças de uma nova ditadura.

E o que vimos esta semana em todas as capitais revelou a superação daquela condição desfavorável anunciada pelos resultados do primeiro turno. Já não é mais uma tendencia. É o novo real. A marcha da juventude em Porto Alegre e em tantas outras cidades mostrou que a capacidade de reação, até ali contida, uma vez expressa desta maneira não só vai contribuir decisivamente para a vitória de Lula, dia 25, como traz a certeza de retomada da prefeitura da capital gaúcha (e centenas de outras), em nome do orçamento e da democracia participativa, já nas eleições de 2028. 

Ou isso, ou vamos ver nas esquinas aquilo já anunciado pelas práticas do bolsonarismo violento e alheio ao sofrimento dos outros, que se expressa em mortes, na queima de livros, universidades e igrejas, na destruição de centros de devoção religiosa e pontos de cultura. Na consolidação do medo imposto à força por criminosos no controle do Estado. Aquelas pessoas que como Flavio confiam na estupidez dos brasileiros, na covardia das mulheres, na alienação dos jovens e na apatia dos idosos, já sumiram das ruas e estão perdendo na disputa das redes. Eles estão no modo desespero porque sabem que o povo acordou e o vento virou. 

Nós estamos com Lula, e assim como todas/os aqueles/as que não gostam dele, mas querem viver num pais soberano e não no quintal dos outros, sabemos: a hora é agora e devemos ocupar todos os espaços, com energia. Vamos todos e todas, juntos, dar um fim ao pesadelo infeliz que os herdeiros de Calabar, liderados pelo Judas-filho-do-coiso, querem impor a nossos filhos e netos. 

Eles não. Não eles. Não o pai, não o filho, não os cupinchas.

Ditadura nunca mais! 

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

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