Lula defende reforma do STF e diz que ‘querem cassar Moraes por ter prendido jair Bolsonaro’
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que a ofensiva da extrema-direita contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não está relacionada apenas às suspeitas envolvendo o Banco Master, mas também à prisão do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), pai de seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais, senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista à TV Globo, Lula defendeu uma reforma do Judiciário, com a revisão dos critérios de escolha dos ministros do STF e a discussão sobre a criação de mandatos para os integrantes da Corte. O presidente também cobrou a apuração integral das suspeitas relacionadas ao Banco Master, independentemente de quem esteja envolvido.
“A extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas. Eles querem cassar o Alexandre de Moraes não por conta do Banco Master apenas. Eles querem cassar porque ele prendeu o pai do Flávio Bolsonaro”, disse Lula. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tramar um golpe de Estado após sua derrota eleitoral em 2022.
Lula cobra investigação sobre o Banco Master
Ao comentar os desdobramentos do caso, o presidente mencionou diferentes ministros do Supremo e afirmou que todas as suspeitas precisam ser esclarecidas. Lula citou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques, sem detalhar, nesse trecho da entrevista, as circunstâncias específicas relacionadas a cada magistrado.
“(Moraes) era o mais implicado. O (Dias) Toffoli também está. O André Mendonça está também. O Kassio (Nunes Marques). Agora está todo mundo implicado. O dado concreto é que não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e que não fique pedra sobre pedra. Que se puna quem precisar punir”, afirmou.
A declaração ocorreu em meio ao debate sobre a crise enfrentada pelo STF diante das repercussões do caso Banco Master. Ao defender a investigação, Lula sustentou que a apuração deve alcançar os envolvidos e resultar em punições quando forem identificadas responsabilidades.
Presidente propõe mudanças na escolha dos ministros do STF
Além de abordar as investigações, Lula afirmou que a crise abriu espaço para uma discussão sobre o funcionamento do Supremo Tribunal Federal e os requisitos para a indicação de seus integrantes.
Entre os pontos mencionados estão a possibilidade de estabelecer mandatos para os ministros e a necessidade de avaliar situações que possam representar conflitos de interesses entre a atuação na Corte e atividades de escritórios de advocacia.
“Nós temos que discutir se uma pessoa que quer ser ministro da Suprema Corte pode ser um cara com escritório que advogue na Suprema Corte. Essa confusão toda trouxe um debate que vai ser irreversível no próximo ano”, declarou.
O presidente não apresentou, no trecho divulgado da entrevista, uma proposta legislativa específica para alterar a composição do tribunal ou definir a duração dos eventuais mandatos.
Crise no STF e disputa presidencial
Questionado sobre possíveis reflexos da crise do Supremo em seu desempenho eleitoral no primeiro turno, Lula afirmou que “não tem avaliação” sobre o impacto do episódio no resultado das urnas.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira apontou o senador com 47% das intenções de voto totais, enquanto Lula registrou 45%. No levantamento anterior, realizado na semana passada, Flávio tinha dois pontos percentuais a mais, enquanto o presidente aparecia com o mesmo percentual.
Os números indicam uma oscilação negativa do candidato do PL entre as duas pesquisas, sem alteração no índice registrado pelo petista.
Fonte: Brasil 247