Produtividade faz colheita de cebola crescer 32,6% em Goiás, mesmo com redução da área plantada
Por Luan Monteiro — Jornal Opção

O aumento da produtividade das lavouras fez Goiás ampliar em 32,6% a produção de cebola em 2025, mesmo com a redução da área colhida. Dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o estado passou de 199 mil toneladas, em 2024, para 263,9 mil toneladas no ano passado. No mesmo período, a área colhida diminuiu de 4.193 para 3.924 hectares.
O resultado foi impulsionado pelo avanço do rendimento médio das lavouras, que passou de 47,5 para 67,3 toneladas por hectare. A produtividade cresceu 41,7%, permitindo que os produtores colhessem aproximadamente 20 toneladas a mais por hectare, mesmo com 269 hectares a menos destinados à colheita.
O desempenho goiano teve impacto expressivo na produção nacional. Entre 2024 e 2025, a safra brasileira de cebola aumentou em 189,7 mil toneladas, das quais 64,9 mil vieram de Goiás. Com isso, o estado respondeu por 34,2% do crescimento registrado no país, o equivalente a pouco mais de um terço do acréscimo na produção brasileira.
A produtividade estadual também superou a média nacional, de 37,4 toneladas por hectare. O rendimento registrado em Goiás foi 79,7% superior ao brasileiro, diferença que evidencia a capacidade das lavouras goianas de produzir mais em áreas proporcionalmente menores.
Embora tenha concentrado apenas 7,9% da área colhida no país, Goiás respondeu por 14,1% da produção nacional de cebola em 2025. O estado ocupou a terceira posição no ranking brasileiro de produtores, atrás de Santa Catarina e Bahia, e à frente de Minas Gerais e São Paulo.
Produção goiana cresce 150,9% em dez anos
O avanço da cultura não se restringe ao resultado mais recente. Em 2015, Goiás produziu 105,2 mil toneladas de cebola. Uma década depois, o volume chegou a 263,9 mil toneladas, crescimento de 150,9%. No mesmo intervalo, a participação estadual na produção brasileira passou de 7,3% para 14,1%, ampliando o peso de Goiás no abastecimento nacional.
Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, é o principal exemplo desse movimento. O município aumentou a produção de 139,5 mil toneladas, em 2024, para 207,3 mil toneladas, em 2025, apesar de a área colhida ter diminuído de 3.100 para 3.000 hectares. O rendimento médio avançou de 45 para 69,1 toneladas por hectare.
Com esse resultado, Cristalina concentrou 78,5% de toda a cebola produzida em Goiás no ano passado. O desempenho municipal reforça a importância da região para a cadeia produtiva estadual e mostra como o ganho de rendimento pode ampliar a colheita sem exigir a expansão da área cultivada.
A produção de cebola depende de condições específicas de manejo, especialmente no fornecimento de água durante o desenvolvimento da planta. Segundo a Embrapa Hortaliças, nas regiões brasileiras fora do Sul, o cultivo é realizado quase integralmente com irrigação. Em áreas médias e grandes do Centro-Oeste e do Sudeste, o pivô central está entre os sistemas utilizados pelos produtores.
O manejo da irrigação precisa acompanhar as diferentes etapas de desenvolvimento da cultura. A demanda por água aumenta durante a formação do bulbo, estrutura da planta que é consumida como alimento. O fornecimento inadequado pode comprometer o desenvolvimento da cebola e, consequentemente, o rendimento da lavoura.
A escolha da cultivar também influencia o resultado da produção. De acordo com a Embrapa, a temperatura e a duração diária da luz solar interferem diretamente na formação dos bulbos. Por esse motivo, selecionar variedades adaptadas às condições climáticas locais e à época de plantio é uma das etapas importantes do planejamento agrícola.
Esses fatores ajudam a explicar por que a produtividade não depende apenas da extensão da área cultivada. As condições de cultivo, a disponibilidade de água, o manejo e a adaptação das variedades utilizadas são elementos que interferem no volume colhido e na qualidade do produto.
A relevância da produção goiana também aparece nos dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em agosto de 2026, Goiás forneceu 8,8 mil toneladas de cebola às centrais de abastecimento acompanhadas pelo Boletim Hortigranjeiro. O volume representou 21,7% da quantidade ofertada nesses entrepostos no período, ou mais de um quinto do total.
Entre as regiões produtoras listadas no levantamento, a microrregião do Entorno de Brasília, em Goiás, apareceu como a principal origem regional da hortaliça, com 5,7 mil toneladas destinadas às centrais monitoradas. Outras localidades goianas, como Goiânia, Catalão e Porangatu, também figuraram entre as áreas responsáveis pelo fornecimento.
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Fonte: Jornal Opção