General Santos Cruz chama de “vigarice” busca de apoio dos EUA por Flávio e Eduardo Bolsonaro

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – O general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo no início da gestão de Jair Bolsonaro, criticou a busca de apoio dos Estados Unidos por Flávio e Eduardo Bolsonaro e classificou a iniciativa como um ataque à soberania nacional. Em entrevista a uma série de videorreportagens do canal Revelando, apresentada por Wagner Moura, o militar afirmou que a articulação representa uma forma de submissão voluntária e declarou: “Isso aí não é direita, isso se chama vigarice”.

Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, a entrevista integra um episódio da série que vai ao ar nesta sexta-feira (16) e aborda as relações entre a Casa Branca e o grupo político da família Bolsonaro. Ao comentar a procura dos Bolsonaro por apoio externo, Santos Cruz condenou a tentativa de obter medidas contra o Brasil junto ao governo estadunidense.

“A busca de apoio externo, da maneira como foi feita, é um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil, não tenho dúvida nenhuma. É submissão voluntária. Os Estados Unidos também se beneficiam desse voluntariado, que nem precisou recrutar”, afirmou.

O general também criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro, que, segundo ele, foi aos Estados Unidos para negociar sanções contra o Brasil quando ainda exercia o mandato de deputado federal.

“Um ex-deputado brasileiro, que foi para lá como deputado, inclusive ainda com mandato, negociar sanções contra o Brasil. A busca de interferência é traição. Nem sei se tem na legislação um enquadramento para isso”, declarou.

Santos Cruz também rejeitou a associação entre esse tipo de atuação e a direita política. “Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo. Isso aí não é direita, isso se chama vigarice”, disse.

General critica projeto político da família Bolsonaro

Ao comentar a candidatura de Flávio Bolsonaro, o ex-ministro afirmou que qualquer brasileiro tem o direito de disputar eleições, mas avaliou que a candidatura está vinculada aos interesses da família.

“Qualquer brasileiro pode se candidatar, como se candidatou o candidato Flávio Bolsonaro. Agora, isso faz parte de um projeto familiar”, afirmou.

Santos Cruz também fez críticas à capacidade de Jair Bolsonaro para exercer a Presidência da República. O general, que integrou o governo nos primeiros seis meses da gestão, disse que conheceu o ex-mandatário durante o período em que trabalharam juntos.

“Eu conheço o pai, trabalhei com ele, totalmente despreparado para a função, por isso que não deu certo. Não tinha a mínima condição de ser presidente. Teve toda oportunidade para dar certo, mas não deu porque não tinha preparo suficiente, não conhecia nada de nada. É uma característica de covardia pessoal”, declarou.

Sobre Flávio Bolsonaro, o militar afirmou que o senador não teria uma identidade política própria e que sua candidatura estaria vinculada aos interesses do pai e do núcleo familiar.

“Agora, o filho mais velho também não tem identidade; ele representa o interesse do pai, o interesse familiar”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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