Rival da B3 quer estrear em 2027 e promete reduzir custos e ampliar opções para quem investe em ações, ETFs e FIIs
Por Anna Scabello — Seu Dinheiro

Os investidores brasileiros que estão acostumados a tratar a B3 como sinônimo de bolsa de valores vão precisar de um tempo para se acostumar com a chegada de uma concorrência. A Base Exchange, que pretende começar a operar até o fim de 2027, quer disputar espaço com a B3 e afirma que ter mais de uma bolsa no país será muito positivo para desenvolvimento do mercado de capitais.
O CEO da companhia, Francisco Gurgel, afirmou ao Money Times que os ganhos para os investidores passam por menores custos de operação, novos serviços e uma plataforma mais alinhada às demandas de corretoras e clientes.
Segundo Gurgel, atualmente, os custos para negociar na bolsa brasileira podem superar em até 20 vezes os valores observados em outros mercados internacionais. Para a Base Exchange, a entrada de novos participantes pode ajudar a reduzir essas despesas e estimular um aumento no número de investidores e no volume negociado na bolsa.
O projeto ainda depende de aprovações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, mas já tem como controladora a Mubadala Capital, gestora ligada ao fundo soberano de Abu Dhabi.
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O que a nova bolsa promete ao investidor
A estratégia inicial da Base Exchange será concentrada nos produtos mais populares entre os investidores pessoas físicas: ações, ETFs e fundos imobiliários.
A empresa também pretende oferecer uma plataforma de aluguel de ações, modalidade que permite ao investidor emprestar ativos que estão na carteira em troca de uma remuneração adicional.
Segundo Gurgel, a decisão de começar por esses ativos foi deliberada. A avaliação é que eles são os instrumentos que mais conectam os investidores às empresas brasileiras e à economia real.
Operações com derivativos, por exemplo, devem ficar para uma segunda etapa de implementação.
A Base Exchange acredita que os 16 anos de experiência de operação com a Flowa, seu braço de negociação eletrônica que atende corretoras e gestores de recursos, deve ajudar a identificar demandas que hoje não são plenamente atendidas pela infraestrutura existente.
Segundo a companhia, os futuros clientes da nova bolsa serão, em grande parte, os mesmos clientes já atendidos por sua operação tecnológica. Entre eles estão grandes nomes, como XP e BTG Pactual.
Redução de custos
O principal argumento da empresa para justificar uma segunda bolsa de valores no Brasil é o efeito que a concorrência poderia ter sobre os custos do mercado.
Hoje, a B3 concentra a infraestrutura de negociação de ações do país, o que, na visão da Base Exchange, reduz os incentivos para cortes de preços e para a criação de novos serviços.
Gurgel afirma que as despesas de negociação no mercado brasileiro estão entre as mais elevadas do mundo e argumenta que uma estrutura mais competitiva pode beneficiar não apenas investidores, mas também corretoras e outros participantes do setor.
A ideia, segundo o executivo, é que a redução das tarifas venha acompanhada de um aumento do volume negociado. Na avaliação da companhia, custos menores podem tornar a bolsa mais atraente para investidores e incentivar uma participação maior na renda variável, ampliando o mercado em vez de apenas redistribuir os negócios que já ocorrem atualmente.
O desafio será atrair liquidez
Mas há um longo caminho a percorrer antes que esses avanços possam ser observados na prática. O principal desafio da Base Exchange é um dos fatores que a B3 levou anos para conquistar: liquidez.
Em uma bolsa de valores, a concentração de compradores e vendedores em um mesmo ambiente significa volume de negociação expressivo. Na prática, facilita a formação de preços e a execução de operações.
A própria Base Exchange reconheceu na entrevista com o Money Times que esse é um dos obstáculos para qualquer nova entrante.
Ao mesmo tempo, a empresa argumenta que a liquidez não depende apenas de uma plataforma concentrar todos os negócios, mas também de fatores como custos de negociação, qualidade da tecnologia e oferta de serviços aos participantes do mercado.
A tese da companhia é que a discussão não deve se limitar à possibilidade de tirar operações da B3. Para Gurgel, uma estrutura mais competitiva pode ajudar o mercado brasileiro a crescer, atraindo novos investidores e estimulando uma participação maior na bolsa ao longo do tempo.
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Fonte: Seu Dinheiro