Como Lula e Flávio Bolsonaro propõem caminhos diferentes para a educação a 10 dias da eleição

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Por Gabriela Carvalho — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Este 15 de outubro, Dia do Professor, marca os dez dias que antecedem o segundo turno das eleições presidenciais, em que estão em disputa dois projetos de Brasil muito distintos: de um lado o senador Flávio Bolsonaro (PL) e, de outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lula menciona em suas propostas para a área da educação a construção de creches, pré-escolas, valorização dos professores, aumento do número de matrículas em tempo integral e ampliação de programas como o Pé-de-Meia. Já Flávio fala em voucher-creche, para quando não houver vaga em unidade pública, reformulação do ensino técnico para aproximar escolas e empresas, expansão do modelo de escolas cívico-militares e transferência do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Thiago Esteves, professor de sociologia e pesquisador em educação, avalia que o eleitor tem acompanhado vários escândalos, mas pouco tem se falado em propostas.

O professor critica alguns pontos que aparecem no plano de governo de Flávio e afirma que “não estão de acordo com o que os professores e comunidade educacional” demandam. “Não há qualquer menção sobre valorização dos professores. Ele não traz elementos de aumento salarial. Se a gente pega o caso dos vouchers, é importante que as pessoas saibam que, no caso do Brasil, temos um modelo de gestão tripartite, ou seja, estados, municípios e União têm deveres e direitos na política educacional. No caso, as creches são responsabilidade direta dos municípios. Claro, em articulação com repasses da União, mas é do município”, reforça.

Outro ponto destacado por Esteves como ponto de atenção é a retirada do ensino superior da aba do Ministério da Educação (MEC). “Eu desconheço um modelo em que as universidades públicas de um país estejam submetidas ao Ministério de Ciência e Tecnologia. São áreas afins, mas não é a finalidade básica da educação estar junto com a ciência e tecnologia. O que será das áreas humanas que não são necessariamente de ciência e tecnologia? Ele quer submeter a educação à lógica do mercado”, explica.

Sobre o processo de alfabetização e o projeto do método fônico defendido por Flávio, Thiago Esteves afirma que é uma prática ultrapassada e questionada por especialistas da área. “É um modelo que promove a relação entre os sons e as letras e os grupos de letras. São aquelas famosas cartilhas que traumatizaram toda uma geração e deixaram gerações excluídas do ensino”, destaca.

Na avaliação de Esteves, todo o projeto de educação bolsonarista acaba sendo uma “tentativa da extrema direita em se contrapor ao que dizem pesquisadores, teóricos, estudiosos que existem no campo progressista”. Um exemplo que o professor dá é o método Paulo Freire, sempre alvo de ataques do bolsonarismo. “Vem muito mais de um embate ideológico na tentativa de se contrapor à esquerda”, argumenta.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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