Haddad rebate alarmismo empresarial sobre fim da escala 6×1

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) contestou as previsões de demissões e os alertas de setores empresariais sobre os impactos do fim da escala de trabalho 6×1. Em entrevista ao UOL News, do Canal UOL, nesta quinta-feira (15), ele afirmou que as reações negativas à redução da jornada fazem parte da resistência de grupos econômicos a medidas que promovem a redistribuição de renda e a melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

Segundo informações do UOL, Haddad avaliou que o mercado tende a reagir com alarmismo às mudanças nas relações de trabalho, mas sustentou que as empresas possuem capacidade de adaptação. A declaração ocorre em meio às discussões sobre os efeitos econômicos da alteração da jornada, após a aprovação da mudança no Congresso Nacional, e às manifestações de empresários que apontam possíveis riscos para o emprego.

“Eu não acredito nisso por várias razões. Primeiro que as pessoas se adaptam, como aconteceu já várias vezes. Antigamente falavam que o salário mínimo ia gerar demissões. O aumento real do salário mínimo vai gerar demissões. […] Então, tem muito alarmismo, faz parte do jogo, o alarmismo da parte daqueles que se sentem prejudicados. Mas você está falando de uma minoria, num país com altíssima taxa de concentração de renda, que resiste a toda forma de redistribuição da riqueza e do bem-estar”, declarou Haddad.

Ao questionar as projeções negativas apresentadas por representantes do setor produtivo, o ex-ministro estabeleceu um paralelo entre a atual discussão sobre a jornada de trabalho e as resistências enfrentadas por políticas de valorização do salário mínimo. Na avaliação dele, argumentos semelhantes já foram utilizados para contestar iniciativas voltadas à ampliação dos direitos e da remuneração dos trabalhadores.

Haddad também associou a oposição à redução da jornada à concentração de renda no Brasil. Para o ex-ministro, os grupos que se consideram prejudicados pelas mudanças representam uma parcela minoritária da sociedade, embora exerçam influência sobre o debate econômico.

A posição contrasta com os alertas de empresários que sustentam que a diminuição dos dias trabalhados poderá elevar custos operacionais e provocar demissões. Haddad, por sua vez, considera que a reorganização das atividades produtivas permitirá às empresas absorver as mudanças, como ocorreu em outros momentos de ampliação dos direitos trabalhistas.

Redução da jornada pode se tornar legado econômico do governo Lula

Além de rebater as críticas empresariais, Haddad defendeu que a mudança na escala de trabalho seja reconhecida como uma das principais transformações econômicas promovidas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-ministro colocou a redução da jornada ao lado da reforma tributária, destacando que ambas representam mudanças estruturais em temas que permaneceram durante décadas sem avanços significativos.

“A reforma tributária, aguardada há 40 anos, e a redução da jornada vão ser os dois maiores legados na área econômica desse governo. […] A gente não toca no assunto da jornada desde 1988. É natural, ainda mais em tempos de inteligência artificial, vai vir um aumento de produtividade importante”, afirmou.

Na avaliação de Haddad, a discussão sobre a duração do trabalho precisa acompanhar as transformações econômicas e tecnológicas ocorridas desde a promulgação da Constituição de 1988.

A Constituição estabeleceu parâmetros para a jornada de trabalho, incluindo o limite de 44 horas semanais. Desde então, o avanço tecnológico e as mudanças nos processos produtivos ampliaram o debate sobre a possibilidade de reduzir o tempo dedicado ao trabalho sem comprometer a atividade econômica.

Para Haddad, a atualização dessas regras constitui uma etapa importante da agenda econômica do governo Lula, ao lado das mudanças no sistema tributário e no imposto de renda.

Fonte: Brasil 247

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