PF aponta Márcio Canella como patrono político e articulador de esquema de lavagem de dinheiro

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) atua como patrono político e articulador de alto escalão de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na região Metropolitana do Rio de Janeiro, segundo apontam investigações da Polícia Federal apresentadas na oitava fase da Operação Unha e Carne. O esquema financeiro sob investigação movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, informa a CNN Brasil.

De acordo com a corporação, Canella desempenhava papel central no esquema ao servir como elo direto entre o núcleo econômico do grupo criminoso, agentes públicos e estruturas do poder político. A Polícia Federal sustenta que o parlamentar figurava como beneficiário recorrente dos valores obtidos com as atividades ilícitas e usava sua influência política para garantir proteção institucional ao grupo, viabilizando a nomeação de pessoas alinhadas aos interesses do esquema para cargos estratégicos na administração pública.

Entre as manobras relatadas pelos investigadores, Canella capitaneou a indicação do delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes para a presidência do Detran do Rio de Janeiro e, posteriormente, para o comando da Secretaria de Polícia Civil do estado. A PF aponta inclusive que o político articulou alterações na legislação junto à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para possibilitar a nomeação de Amim ao cargo de secretário.

As provas colhidas pela investigação incluem anotações apreendidas que registram a distribuição sistemática de recursos sob a sigla “Canela”, vinculada financeiramente aos estabelecimentos Jardim Uba e Auto Posto LP Francis. A quebra do sigilo bancário de Canella revelou que, no período entre maio de 2025 e abril de 2026, o deputado eleito movimentou aproximadamente R$ 2,5 milhões em créditos. Deste montante, R$ 1,4 milhão possui origem não esclarecida na empresa Brumar Empreendimentos e Participações Ltda., tendo sido posteriormente repassado a familiares e integrantes do seu círculo político. Manuscritos apreendidos também detalham repasses contínuos em espécie, sem amparo contratual, superiores a R$ 139 mil.

Diante dos elementos recolhidos, a Polícia Federal conclui haver indícios consistentes de que o deputado eleito cometeu os crimes de lavagem de capitais e organização criminosa armada. Os delegados afirmam nos autos que o investigado “figura como beneficiário recorrente de recursos de origem não esclarecida, transitados por estrutura societária formal cuja origem primária as próprias instituições financeiras comunicantes declararam não conseguir estabelecer”.

Além das movimentações financeiras, os investigadores apontam que a apreensão de dois veículos de luxo (novos e seminovos), duas motocicletas de grife e um vasto acervo de relógios de alto valor no âmbito das diligências “converge com a hipótese criminal de lavagem de capitais delineada nos autos”. A representação policial sustenta que os recursos ilícitos do esquema global de R$ 7,6 bilhões custeavam despesas pessoais do núcleo político e financiavam a aquisição de bens de luxo registrados em nome de terceiros como forma de dissimulação patrimonial.

A apuração sobre a atuação de Canella ocorre após um histórico recente de investigações. Em julho, na sexta fase da Operação Unha e Carne, ele havia sido preso em flagrante por posse ilegal de fuzil — armamento que alegou pertencer a um policial militar responsável por sua segurança. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade provisória mediante cautelares como uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte e suspensão do porte de arma. Pouco depois da medida, Canella desistiu da disputa ao Senado, tornando-se o segundo aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a retirar a candidatura à mesma vaga após ser alvo de operações policiais, a exemplo do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). A CNN Brasil informou que não obteve retorno da defesa dos citados.

Fonte: Brasil 247

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