Trabalhar menos para trabalhar todos
Por Emir Sader — Brasil 247
A diminuição da jornada de trabalho, permitindo que os trabalhadores possam ter dois dias livres por semana, está prestes a ser aprovada. As pesquisas indicam que a grande maioria dos brasileiros está a favor da diminuição da jornada de trabalho.
A Fiesp se pronuncia contra. Eles, que trabalham o tempo que decidem, querem decidir sobre a jornada dos trabalhadores. Segundo eles, trata-se de uma decisão populista, eleitoralista, que deveria ser adiada para depois das eleições, para que os parlamentares não votem, segundo eles, pressionados pela necessidade de receber votos para serem reeleitos.
Os grandes empresários querem que os trabalhadores tenham jornadas longas, com salários precários. Alegam que se deveria deixar que as negociações de cada setor, conforme a força de cada setor, decidam qual a jornada semanal de trabalho.
Os grandes empresários consideram que o que eles supostamente gastariam com jornadas menores seria uma perda para a economia do país. Seria apenas diminuir a superexploração, diminuir em um dia a longa jornada de seis dias contínuos de trabalho.
Eles falam com uma enorme tranquilidade, sem mencionar os seus lucros, a superexploração dos trabalhadores, as longas jornadas destes e o tempo de que os grandes empresários dispõem a seu bel-prazer.
Porque os trabalhadores são os que produzem a riqueza de que eles se apropriam. No final de cada longa jornada de trabalho, os trabalhadores voltam para a pobreza das suas casas, das suas duras condições de vida, enquanto os grandes empresários voltam para suas mansões.
É que se tenta desconhecer que a base do capitalismo é a luta de classes e a expropriação dos bens produzidos pelos trabalhadores por parte dos empresários. Daí vem a concentração da riqueza nas mãos de uma minoria, à custa da miséria da grande maioria.
Esta discussão é muito significativa, porque ela afeta as próprias condições de exploração e de acumulação da riqueza na nossa sociedade.
Trabalhar menos, para que trabalhem todos. Para que todos tenham emprego, para que não exista gente abandonada, sem emprego, sem possibilidade de receber um mínimo de retorno do trabalho que entregam diariamente.
Os grandes empresários resistem a que os trabalhadores tenham dois, e não apenas um, dias livres por semana, depois de trabalharem todos os outros dias.
Do que se trata é de permitir que os trabalhadores possam estar um tempo mínimo com suas famílias, que possam passear com elas, se divertir um pouco, jogar futebol, descansar das pesadas jornadas de trabalho.
Os parlamentares da direita se veem pressionados a votar favoravelmente, pelo apoio generalizado que o projeto tem no conjunto da sociedade. Ainda mais em ano eleitoral, em que dependem dos eleitores para se reelegerem.
Já os grandes empresários, cuja riqueza não depende dos votos da população, desejam adiar o debate para depois das eleições, para que seus representantes no Congresso possam votar conforme os que financiam suas campanhas e não conforme a consciência dos eleitores.
Fonte: Brasil 247