Safra de grãos em 2026 deve atingir recorde histórico de 354,5 milhões de toneladas, prevê IBGE
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A estimativa de setembro divulgada pelo IBGE para a produção brasileira de grãos em 2026 alcançou 354,5 milhões de toneladas, valor que representa uma alta de 2,4% — o equivalente a 8,4 milhões de toneladas a mais — em comparação com o total obtido em 2025, de 346,1 milhões de toneladas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao levantamento do mês de agosto de 2026, a projeção da safra registrou um acréscimo de 1.566.233 toneladas, o que corresponde a uma expansão de 0,4%.
Com esse desempenho, o volume previsto para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no mês de setembro passa a se consolidar como o novo recorde de toda a série histórica apurada pelo órgão. A área total a ser colhida no país foi calculada em 83,2 milhões de hectares, apresentando uma expansão de 1,6 milhão de hectares (2,0%) na comparação com a área colhida no ano anterior, que somou 81,6 milhões de hectares. No comparativo direto com agosto de 2026, o indicador de área dedicada à colheita teve um incremento de 143.672 hectares (0,2%).
A estrutura da safra permanece concentrada em três culturas principais: arroz, milho e soja. Juntos, esses produtos representam 93,0% de toda a estimativa de produção de grãos e respondem por 87,3% da extensão territorial a ser colhida. No caso da soja, a perspectiva de colheita atingiu 175,0 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 5,4% frente ao ciclo anterior, enquanto a sua área a ser colhida expandiu 1,3%. Por outro lado, a produção estimada para o arroz em casca sofreu uma retratação de 11,4%, ficando em 11,2 milhões de toneladas, acompanhada por um recuo de 12,6% no total de área cultivada.
No segmento do milho, a estimativa global alcançou 143,3 milhões de toneladas, volume 1,6 milhão de toneladas superior ao registrado em 2025, marcando uma alta de 1,1%. Essa quantidade divide-se entre a 1ª safra do cereal, projetada em 29,7 milhões de toneladas (crescimento de 15,5%), e a 2ª safra, estimada em 113,6 milhões de toneladas (queda de 2,0%). A área total colhida do milho cresceu 2,5%, sendo impulsionada pela elevação de 8,0% na área da primeira safra e de 1,1% na segunda safra.
A avaliação do IBGE para a cultura do trigo apontou uma produção de 5,9 milhões de toneladas em 2026, o que traduz um forte declínio de 24,0% em comparação com o ano anterior, paralelamente a uma retração de 20,9% na sua área a ser colhida. O algodão herbáceo em caroço teve projeção de 9,5 milhões de toneladas (queda de 3,9% na produção e redução de 4,9% na área), enquanto o feijão apresentou estimativa de queda de 6,6% no volume produzido e retração de 2,9% na área. Em contrapartida, o sorgo registrou avanço de 11,0% na produção, somando 6,0 milhões de toneladas, acompanhado por um salto de 26,9% na área destinada à colheita.
Analisando a variação mensal de setembro em comparação com agosto de 2026, observou-se crescimento nas estimativas de produção de diversas culturas: cana-de-açúcar (4,8% ou 33.504.161 t), café arábica (4,1% ou 109.724 t), algodão herbáceo em caroço (3,0% ou 275.737 t), sorgo (2,6% ou 152.471 t), uva (2,3% ou 50.865 t), milho 2ª safra (1,4% ou 1.520.549 t), café canephora (0,7% ou 8.684 t) e soja (0,1% ou 210.696 t). Por outro lado, registraram declínios o trigo (-6,2% ou -394.244 t), a laranja (-5,7% ou -894.585 t), o tomate (-5,5% ou -254.281 t), a cevada (-2,2% ou -14.775 t), a aveia (-0,5% ou -7.638 t) e o milho 1ª safra (-0,0% ou -2.183 t).
Na distribuição regional do volume total de cereais, leguminosas e oleaginosas, a Região Centro-Oeste manteve a liderança nacional com 178,6 milhões de toneladas, concentrando mais da metade da safra do país (50,4%). A Região Sul respondeu por 86,3 milhões de toneladas (25,9%), seguida pelo Sudeste com 31,1 milhões de toneladas (8,8%), pelo Nordeste com 27,7 milhões de toneladas (8,6%) e pelo Norte com 22,3 milhões de toneladas (6,3%).
Todas as Grandes Regiões brasileiras apresentaram crescimento na comparação anual da estimativa de produção: Nordeste (9,6%), Sul (6,2%), Norte (0,6%), Sudeste (0,4%) e Centro-Oeste (0,1%). Já na comparação mensal frente ao mês de agosto, os acréscimos foram registrados no Nordeste (2,2%), Norte (0,7%), Centro-Oeste (0,4%) e Sudeste (0,4%), ao passo que a Região Sul anotou um ligeiro recuo de 0,1%.
Fonte: Brasil 247