Superávit comercial brasileiro atinge US$ 62,4 bilhões impulsionado pela União Europeia e vendas de petróleo
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O saldo da balança comercial brasileira atingiu US$ 7,7 bilhões em setembro de 2026, acumulando um superávit de US$ 62,4 bilhões no ano — valor US$ 16,1 bilhões superior ao registrado no mesmo período de 2025 . O resultado reflete o impacto favorável das exportações de petróleo e a recuperação do comércio com a União Europeia, compensando os custos logísticos globais provocados pelas tensões no Irã, aponta relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) .
Segundo o levantamento, a Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou sua projeção para o crescimento do volume de mercadorias no comércio global de 1,9% para 3,9% . Esse forte avanço é explicado pela expansão da demanda por produtos ligados a investimentos em Inteligência Artificial (IA), que já representam 47% da demanda mundial por mercadorias e ajudaram a neutralizar as turbulências geopolíticas . No caso brasileiro, o alívio frente aos conflitos internacionais veio do aumento nas vendas de petróleo bruto, cuja elevação nas exportações ajudou a amenizar o impacto da alta dos preços nas importações de óleos combustíveis .
A União Europeia foi o parceiro comercial que prestou a maior contribuição para o aumento do superávit brasileiro . O saldo com o bloco europeu reverteu um déficit de US$ 1,0 bilhão entre janeiro e setembro de 2025 para um superávit de US$ 6,1 bilhões em igual período de 2026 . Em setembro, as vendas para os europeus cresceram 60,1% em valor, alavancadas pelo petróleo bruto (alta de 139,0% em valor, representando 34,1% da pauta), minério de cobre (+226,0%) e farelo de soja (+69,8%) . O estudo ressalta que o avanço não decorre do acordo Mercosul-União Europeia — em vigor desde maio de 2026 —, mas sim da busca europeia por fornecedores de petróleo fora das zonas de conflito e das restrições impostas à Rússia .
No comércio com os Estados Unidos, o déficit acumulado pelo Brasil teve ligeira redução, caindo de US$ 4,9 bilhões para US$ 4,3 bilhões . Em setembro, as exportações brasileiras para o mercado estadunidense cresceram 31,9% em valor, destacando-se a comercialização de aeronaves (+25,2%), carne bovina (+524%), óleos combustíveis (+48%) e café (+108%), que juntos somaram 32,7% da pauta para o país .
Já a China manteve a liderança como principal parceira comercial do país, elevando seu superávit com o Brasil para US$ 26,1 bilhões no acumulado até setembro . Contudo, no resultado mensal de setembro, houve queda de 7,6% no valor exportado para o país asiático, pressionada pela redução de 14,3% no volume exportado e pela retração expressiva das vendas de carne bovina (-93,5%), ocorrida após o fim da tarifa preferencial da cota . Em contrapartida, as importações brasileiras provenientes da China avançaram 12,6%, impulsionadas pela compra de veículos para passageiros (+202,6%) e peças e acessórios para automóveis (+134,5%) .
No âmbito regional, o comércio com a Argentina registrou desaceleração . O superávit brasileiro acumulado recuou de US$ 4,7 bilhões em 2025 para US$ 1,6 bilhão em 2026 . As exportações brasileiras para o país vizinho caíram 25,2% em valor no mês de setembro, puxadas pelas quedas na venda de automóveis (-51,5%) e de suas autopeças (-29,6%) .
Em relação às estimativas para o encerramento do ano, a Secretaria de Comércio Exterior revisou sua projeção de superávit de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões . Por sua vez, a mediana do Relatório Focus do Banco Central aponta para US$ 78,8 bilhões, enquanto a estimativa preliminar do Icomex prevê um saldo final entre US$ 78 bilhões e US$ 82 bilhões para a balança comercial de 2026 .
Fonte: Brasil 247