PF prende deputado e ex-chefe da Polícia Civil em investigação sobre esquema que movimentou R$ 7,6 bilhões

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Por Luan Monteiro — Jornal Opção

PF prende deputado e ex-chefe da Polícia Civil em investigação sobre esquema que movimentou R$ 7,6 bilhões

O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições, e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-chefe da Polícia Civil fluminense, foram presos nesta quinta-feira, 15, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF).

A investigação busca desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro. Segundo a PF, o grupo investigado teria participação de agentes públicos e articulação político-institucional.

Canella e Amim são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenações.

A defesa de Canella informou que não se manifestará até ter acesso aos autos do processo. Até o momento, não há posicionamento dos demais investigados no material divulgado.

As ordens de prisão foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como desdobramento de uma etapa anterior da operação, realizada em julho. Na ocasião, Canella e Amim foram alvos de mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre 96 postos de combustíveis no Grande Rio.

De acordo com as apurações, o grupo teria movimentado R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. A investigação também procura esclarecer a possível participação de agentes públicos e políticos na estrutura.

Canella já havia sido preso em 7 de julho, depois que policiais encontraram um fuzil em seu carro durante uma das diligências. O episódio levou a um novo desdobramento da operação, no mês seguinte, quando o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella, também do União Brasil, foi preso por posse irregular de armas de fogo de uso restrito. Segundo as informações divulgadas, os dois não são parentes; Jorge teria adotado o sobrenome do padrinho.

Seis pessoas foram presas

Nesta quinta-feira, os agentes saíram para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em diferentes municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. Canella foi localizado em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital.

Além do deputado e do ex-chefe da Polícia Civil, foram presos os inspetores Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. O delegado Glaucio Paz da Silva foi alvo de buscas, mas não aparece na relação dos presos divulgada no material.

A decisão judicial também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, a maioria ligada ao setor de combustíveis. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados envolvendo policiais civis.

Segundo a PF, os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros crimes que possam ser identificados durante as investigações.

A operação também está relacionada ao contexto da decisão do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas, que incluiu medidas para apurar possíveis relações entre agentes públicos e facções criminosas.

Investigação começou com relatório do Coaf

As apurações tiveram início a partir de um relatório de inteligência financeira encaminhado à Polícia Federal pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento identificou movimentações de R$ 7,6 bilhões atribuídas ao grupo ao longo de seis anos.

A investigação avançou em diferentes etapas. Em 2 de julho, o empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de postos de combustíveis, foi alvo de buscas em uma fase anterior da operação. Os investigadores apuram possíveis conexões entre o empresário e figuras políticas do estado.

Durante a campanha de 2022 à reeleição do então governador Cláudio Castro (PL), postos vinculados a Trabach teriam abastecido a maior parte da frota utilizada pelo candidato, segundo informações divulgadas sobre o caso. As diligências também buscaram esclarecer eventuais relações com Castro e com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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Fonte: Jornal Opção

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