PF prende deputado estadual eleito e ex-chefe da Polícia Civil do RJ

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RIO DE JANEIRO

Congresso em Foco

15/10/2026 | Atualizado às 9:35

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União), segundo mais votado do Rio de Janeiro, e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil fluminense. As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e agentes públicos.

Presidente do União Brasil no Rio e ex-prefeito de Belford Roxo, Canella recebeu 197.178 votos nas eleições de 4 de outubro. Ele foi preso em casa, na Barra da Tijuca.

Márcio Canella já havia sido preso com fuzil no carro este ano.

Segundo a PF, o grupo investigado teria utilizado uma rede de postos de combustíveis para lavar recursos ilícitos, com participação de agentes públicos e articulação política. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Além de Canella e Amim, quatro inspetores da Polícia Civil foram presos. A operação incluiu 16 mandados de busca e apreensão. Moraes também determinou o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas investigadas, a maioria postos de combustíveis. Entre os crimes apurados estão organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção e formação de cartel.

Prisão anterior e ligações políticas

Canella e Amim já haviam sido alvos de buscas em julho, na sexta fase da operação. Na ocasião, o ex-prefeito foi preso em flagrante após a PF encontrar um fuzil em seu carro. Ele alegou que a arma pertencia a um segurança e acabou solto.

Apesar das investigações, Canella conquistou seu quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A Procuradoria Regional Eleitoral chegou a pedir o indeferimento de sua candidatura, mas a Justiça Eleitoral permitiu que disputasse a eleição.

Aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Canella também foi investigado anteriormente por suspeitas de ligações com milícias e nomeação de pessoas associadas a esses grupos para cargos públicos. Ele nega envolvimento com organizações criminosas.

Canella e Amim têm vínculos políticos anteriores à operação. O ex-prefeito concedeu ao delegado a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj. Amim comandou a Polícia Civil no governo de Cláudio Castro (PL).

A investigação também alcançou o empresário Fernando Trabach Gomes, dono de postos que abasteceram veículos da campanha à reeleição de Castro, em 2022. A operação integra as apurações sobre relações entre agentes públicos e organizações criminosas determinadas pelo STF no julgamento da ADPF das Favelas.

A defesa de Canella informou que não se manifestará antes de ter acesso aos autos.

Prisão a dez dias da eleição

Embora tenham ocorrido a dez dias do segundo turno, as prisões não contrariam o Código Eleitoral. A proteção contra prisões em vigor desde 10 de outubro alcança os candidatos que ainda disputam a eleição, salvo flagrante delito.

Como Canella já foi eleito no primeiro turno, não está abrangido por essa proteção. Para os demais eleitores, a restrição começa em 20 de outubro, cinco dias antes da votação, com exceções previstas em lei.

PF investiga lavagem de R$ 7 bilhões; Canella e Marcus Amim são alvos

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Fonte: Congresso em Foco

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