Fim da escala 6×1 é vitória de Lula e dos trabalhadores brasileiros, destaca imprensa internacional
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Congresso Nacional ganhou repercussão na imprensa internacional, que classificou a medida como uma importante vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, é apontada por veículos estrangeiros como uma das principais conquistas trabalhistas do país nas últimas décadas.
Agências internacionais e jornais de diferentes países destacaram tanto o alcance social da reforma quanto seus possíveis efeitos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A cobertura também chamou atenção para a mudança de posicionamento do candidato bolsonarista, que passou a apoiar a proposta após resistir à alteração das regras trabalhistas.
A agência britânica Reuters apresentou a decisão do Senado como uma vitória expressiva para o governo brasileiro. “Senado do Brasil aprova jornada de trabalho mais curta em vitória para Lula”, destacou o veículo, que classificou a mudança como a maior reformulação dos direitos trabalhistas brasileiros em décadas.
A Reuters ressaltou que a aprovação representa uma conquista legislativa significativa para Lula a menos de duas semanas da votação decisiva. Segundo estimativas do governo federal mencionadas pela agência, mais de 37 milhões de trabalhadores com carteira assinada poderão ser beneficiados pelas novas regras.
Outro aspecto enfatizado pela cobertura internacional foi o apoio de parlamentares de diferentes correntes políticas à proposta. Entre eles está Flávio Bolsonaro, adversário do presidente na eleição, que anteriormente se posicionava contra a mudança, mas acabou apoiando sua aprovação.
Imprensa internacional destaca recuo de Flávio Bolsonaro
A agência norte-americana Associated Press (AP) também relacionou a aprovação da reforma trabalhista ao cenário eleitoral brasileiro. De acordo com a publicação, Lula espera que a conquista fortaleça sua candidatura na reta final da disputa presidencial.
A AP ouviu analistas e representantes políticos que atribuíram a mudança de comportamento de aliados de Bolsonaro à ampla aceitação popular do fim da escala 6×1. Segundo essa avaliação, a manutenção da resistência à proposta poderia provocar desgaste eleitoral para o candidato do PL.
A agência também registrou divergências durante as negociações no Congresso. Representantes empresariais e parlamentares chegaram a defender um período de transição de dez anos para a implementação das novas regras, prazo significativamente superior ao estabelecido no texto aprovado.
No Reino Unido, o jornal The Guardian igualmente apresentou a aprovação como uma vitória política de Lula. A publicação ressaltou a mudança de posição de Flávio Bolsonaro diante do apoio popular à redução da jornada de trabalho.
A repercussão se estendeu à França. O jornal Le Monde, em reportagem produzida com informações da agência France-Presse (AFP), destacou que o Parlamento brasileiro aprovou a redução do tempo de trabalho prometida pelo presidente Lula.
O veículo francês também associou a conquista à tentativa do petista de ampliar sua força eleitoral no segundo turno. A publicação chamou atenção para o voto favorável de Flávio Bolsonaro, apesar de sua oposição anterior à reforma.
Na Alemanha, a Deutsche Welle (DW), com base em informações da AP e da Reuters, apresentou a aprovação como uma conquista importante para o presidente brasileiro. O veículo ressaltou a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e apontou a possibilidade de a medida impulsionar Lula na disputa pela reeleição.
A convergência das análises publicadas por veículos estrangeiros evidencia o peso político atribuído à reforma trabalhista, especialmente por sua aprovação ocorrer em um momento decisivo da campanha presidencial.
Reforma pode beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores
Além da repercussão eleitoral, o fim da escala 6×1 representa uma alteração significativa na organização do trabalho formal no Brasil.
A proposta aprovada pelo Senado estabelece a obrigatoriedade de pelo menos dois dias de descanso por semana, substituindo o modelo que permite jornadas distribuídas por seis dias consecutivos, com apenas um dia de folga.
O texto também determina a redução progressiva do limite semanal de trabalho, atualmente fixado em 44 horas, até alcançar 40 horas. A mudança deverá ocorrer sem redução dos salários dos trabalhadores abrangidos pelas novas regras.
De acordo com a proposta, a exigência de dois dias de descanso semanal entrará em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.
A diminuição da jornada ocorrerá em duas etapas. Inicialmente, o limite será reduzido de 44 para 42 horas semanais, também após o período de 60 dias. Um ano depois, a jornada máxima passará a ser de 40 horas por semana.
O cronograma aprovado é mais curto do que o período de dez anos defendido por setores empresariais e por parte dos parlamentares durante a tramitação da proposta.
Como o Senado aprovou o mesmo texto que havia recebido o aval da Câmara dos Deputados em maio, não será necessário submeter a matéria a uma nova votação pelos deputados. A próxima etapa será a promulgação da emenda constitucional pelo Congresso Nacional.
Mobilização popular levou fim da escala 6×1 ao Congresso
A aprovação da reforma ocorre após quase três anos de mobilização popular pela redução da jornada de trabalho no Brasil.
O movimento ganhou projeção nacional no final de 2023, quando um vídeo publicado por Rick Azevedo, então balconista de farmácia, viralizou nas redes sociais. No registro, ele criticava as condições impostas aos trabalhadores submetidos à escala de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
A repercussão do vídeo impulsionou uma campanha que transformou o fim da escala 6×1 em uma das principais reivindicações trabalhistas do país.
Rick Azevedo foi eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL em 2024 e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro de 2026. Ele assumirá o mandato federal em 2027.
A mobilização também recebeu apoio da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que apresentou, em fevereiro de 2025, uma proposta de emenda à Constituição para modificar a jornada de trabalho.
A iniciativa foi reunida a outra PEC apresentada em 2019 pelo então deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), que permanecia sem avanço significativo no Congresso.
Com o crescimento da mobilização social, o tema ganhou espaço no debate político e passou a integrar as prioridades do governo Lula.
A aprovação definitiva da reforma ocorre agora em meio à disputa presidencial mais importante do calendário eleitoral brasileiro, com Lula e Flávio Bolsonaro buscando conquistar os votos necessários para vencer o segundo turno de 25 de outubro.
Fonte: Brasil 247