Estudantes argentinos vão às ruas contra cortes de Milei

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – A comunidade universitária da Argentina realiza nesta quinta-feira (15) uma mobilização nacional contra os cortes do governo do presidente Javier Milei, com cobrança de recursos para as instituições públicas, recomposição salarial e rejeição do Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 70/23.

Segundo a teleSUR, a quinta Marcha Universitária Federal terá como principal ponto de concentração o Congresso Nacional, em Buenos Aires, e contará com manifestações em diferentes províncias.

Convocado pelo Conselho Interuniversitário Nacional, pela Federação Universitária Argentina e pela Frente Sindical das Universidades Nacionais, o protesto exige a aplicação imediata da Lei de Financiamento Universitário nº 27.795. As entidades também reivindicam reajustes urgentes para professores e trabalhadores não docentes, sob o lema “Sem financiamento não há ciência nem educação”.

A recuperação dos salários está entre as principais demandas da mobilização. De acordo com os sindicatos citados pela teleSUR, os trabalhadores das universidades acumularam perda de poder de compra superior a 32% neste ano. As entidades cobram medidas para recompor a renda e assegurar o funcionamento das instituições.

O impasse sobre o financiamento também chegou à Justiça. Conforme a reportagem, decisões judiciais mantiveram liminares e impuseram sanções econômicas ao governo nacional pelo descumprimento da atualização dos recursos destinados às despesas operacionais e aos salários, com base no Índice de Preços ao Consumidor.

A convocação da marcha ocorreu após semanas de greves, aulas públicas e atividades de esclarecimento sobre a situação das universidades. Com a manifestação nacional, os organizadores buscam ampliar a pressão pela execução da lei e pelo atendimento das reivindicações salariais.

Além da pauta educacional, organizações sociais, sindicais, políticas e estudantis vão ao Congresso para cobrar que a Câmara dos Deputados rejeite o DNU 70/23. O decreto é um dos principais instrumentos do programa de reformas de Milei e, segundo a teleSUR, já foi rejeitado pelo Senado.

A mobilização reúne, assim, demandas das universidades e de outros setores atingidos pelas medidas do governo. A manutenção da convocação também ocorre após novos desdobramentos judiciais relacionados ao artigo 154 do decreto e à Lei de Terras, que, de acordo com a reportagem, permanece em vigor.

Em Buenos Aires, a coluna encabeçada pela Universidade de Buenos Aires terá concentração às 13h na Plaza Houssay, no cruzamento das ruas Córdoba e Junín. Sindicatos e movimentos sociais começarão a se reunir no entorno do Congresso às 13h30.

A saída da marcha está prevista para as 14h. Às 16h, representantes de reitores, estudantes e sindicatos deverão apresentar uma declaração conjunta na Plaza del Congreso, com as reivindicações do movimento.

Os atos também alcançarão outras cidades. Em Córdoba, a Universidade Nacional suspendeu as aulas para a realização da marcha pelo centro. Em Santa Fé e Rosário, as manifestações terão entre suas pautas os atrasos que afetam atividades universitárias, bolsas de estudo e pesquisas. Instituições de diferentes províncias programaram greves e protestos.

A jornada conta com o apoio da Confederação Geral do Trabalho (CGT), das duas centrais CTA, da Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) e de organizações científicas e sociais. Essas entidades se somam à comunidade universitária na cobrança de recursos para a educação pública e a continuidade da produção científica argentina.

Fonte: Brasil 247

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