Colômbia tem primeiro protesto nacional contra governo de extrema direita de Espriella
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – Milhares de colombianos foram às ruas nesta quarta-feira (14) em uma mobilização nacional contra o governo do presidente de extrema direita Abelardo de la Espriella, que enfrenta sua primeira grande onda de protestos apenas dois meses após assumir o poder. As manifestações ocorreram em Bogotá, Cali, Medellín, Bucaramanga, Pereira e Riohacha, reunindo trabalhadores, professores, estudantes, organizações indígenas e movimentos sociais contrários às políticas econômicas e de segurança adotadas pelo Executivo.
Segundo a Telesur, a paralisação nacional foi impulsionada principalmente pela rejeição ao Decreto 1525, que estabelece regras para a atuação das forças de segurança durante manifestações e permite a dispersão de concentrações em situações consideradas de grave perturbação. Os organizadores denunciam que a medida representa uma ameaça ao direito de protestar e abre espaço para a repressão de mobilizações populares.
A convocação reuniu centrais sindicais, partidos de oposição, organizações estudantis, a Federação Colombiana de Educadores (Fecode) e o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC). Além da contestação ao decreto, os participantes protestaram contra o aumento do custo de vida, a violência, o enfraquecimento de políticas sociais e medidas que consideram prejudiciais aos direitos dos trabalhadores.
Decreto de segurança amplia tensão entre governo e movimentos sociais
A principal reivindicação dos manifestantes é a revisão das medidas estabelecidas pelo Decreto 1525, assinado por De la Espriella. A norma regulamenta a intervenção das forças de segurança em atos públicos e autoriza a dispersão de manifestações diante de alterações graves da ordem.
Para os movimentos que organizaram a paralisação, as novas regras podem ser utilizadas para limitar a liberdade de manifestação e intimidar setores que se opõem ao governo.
As autoridades locais mobilizaram contingentes policiais nas principais cidades onde ocorreram os protestos. A oposição interpretou o reforço do policiamento como uma tentativa de constranger preventivamente os participantes, aumentando a tensão política em torno da jornada.
Apesar do ambiente de confronto entre governo e organizações populares, os manifestantes ressaltaram o caráter pacífico das mobilizações e rejeitaram as acusações dirigidas aos movimentos sociais.
“A manifestação é o único instrumento que resta a nós, povos indígenas e organizações sociais, para sermos ouvidos e exigirmos o cumprimento de nossos direitos”, afirmaram participantes dos protestos, conforme declaração reproduzida pela teleSUR.
Professores defendem educação pública e direitos sociais
Entre as organizações que aderiram à paralisação, a Fecode destacou a defesa da educação pública e das condições de atendimento à saúde dos profissionais do magistério.
A entidade também reivindicou a recuperação de escolas atingidas por emergências anteriores, incluindo os danos associados ao terremoto e às réplicas registrados na região do Valle del Cauca.
Outro ponto levantado pelos professores foi a denúncia de estigmatização do movimento sindical docente. Para a categoria, a defesa dos direitos trabalhistas e da estrutura pública de ensino integra a resistência às primeiras decisões do novo governo.
A presença dos educadores ampliou a dimensão da mobilização, conectando as críticas às políticas de segurança a reivindicações relacionadas ao financiamento dos serviços públicos e à preservação de direitos sociais.
Comunidades indígenas denunciam ameaças aos territórios
Organizações indígenas e camponesas também tiveram participação destacada nos protestos. Representantes dessas comunidades manifestaram preocupação com projetos econômicos de grande escala e iniciativas que, segundo eles, ameaçam a preservação de territórios ancestrais.
O Conselho Regional Indígena do Cauca denunciou medidas do governo que, na avaliação da organização, buscam enfraquecer a autonomia dos povos originários e suas formas tradicionais de representação.
A defesa dos territórios e do direito à organização coletiva tornou-se, assim, uma das principais bandeiras da jornada, ao lado das reivindicações econômicas e trabalhistas.
Custo de vida e políticas econômicas alimentam insatisfação
As críticas à administração de De la Espriella vão além das medidas relacionadas à segurança pública. Trabalhadores de diferentes setores apontam a elevação dos preços e o enfraquecimento de programas sociais como fatores centrais para o crescimento da insatisfação.
Os organizadores acusam o Executivo de adotar uma agenda econômica que compromete conquistas históricas e transfere custos adicionais à população.
Nesse contexto, a paralisação reuniu diferentes segmentos sociais em torno de uma pauta comum de oposição às medidas adotadas nos primeiros meses do governo.
Em Bogotá, havia expectativa de participação do ex-presidente Gustavo Petro e de representantes de movimentos progressistas. A presença de lideranças políticas de oposição reforçaria a dimensão nacional da mobilização.
Fonte: Brasil 247