Flávio Bolsonaro recua e defende volta do “Exército do Lula”a pós PT pedir suspensão de canal bolsonarista no TSE

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL) se manifestou nesta quarta-feira (14) a favor do restabelecimento imediato do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), após a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o grupo “Tropa do Flávio” também fosse suspenso por 48 horas.

Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, com Diego Alejandro, Jullia Gouveia e Karina Matias, a manifestação do senador foi apresentada apenas 13 minutos depois de a coligação Brasil Pronto Pra Mais protocolar o pedido de suspensão do canal ligado à campanha bolsonarista. Flávio concordou com a reativação do grupo administrado por Janones, independentemente do cumprimento integral do prazo de 48 horas, desde que fossem observadas as condições estabelecidas pelo ministro Kassio Nunes Marques.

A movimentação ocorre em meio a uma disputa judicial sobre as regras aplicadas aos canais de mobilização eleitoral no WhatsApp. A campanha de Lula reivindica tratamento equivalente para as duas candidaturas, depois que o canal criado por Janones foi retirado do ar por determinação do TSE.

Campanha de Lula cobra tratamento igual do TSE

A coligação petista solicitou que o canal “Tropa do Flávio” fosse submetido à mesma suspensão de 48 horas imposta ao “Exército do Lula”. O objetivo é evitar que apenas uma das campanhas permaneça impedida de utilizar uma ferramenta de comunicação eleitoral durante o período.

Inicialmente, os advogados de Lula haviam solicitado o restabelecimento do canal de Janones. O endereço do grupo foi comunicado à Justiça Eleitoral no mesmo dia em que o Partido Liberal complementou as informações sobre o “Tropa do Flávio”.

Como o tribunal não havia respondido ao pedido de revogação da suspensão, a equipe jurídica petista decidiu apresentar uma nova manifestação, desta vez requerendo que a restrição fosse estendida ao canal da campanha adversária.

Flávio admite reativação do canal de Janones

Na manifestação encaminhada ao TSE, Flávio Bolsonaro sustentou que o “Exército do Lula” funcionava anteriormente sem registro e sem identificação de seu responsável.

O senador argumentou, porém, que as decisões proferidas na terça-feira (13) corrigiram essas irregularidades, ao estabelecer responsáveis pelo canal e determinar sua submissão às normas de propaganda eleitoral.

Com esse entendimento, a campanha bolsonarista passou a concordar com a retomada imediata das atividades do grupo, condicionada ao cumprimento das exigências fixadas por Nunes Marques.

A posição representa uma mudança no encaminhamento defendido pela candidatura de Flávio, que havia acionado a Justiça Eleitoral contra o canal de Janones sob a acusação de divulgação de informações falsas.

Canais reúnem milhões de participantes

A disputa envolve duas estruturas de comunicação digital com grande alcance entre os eleitores.

Criado em 6 de outubro, o “Tropa do Flávio” reúne aproximadamente 1,7 milhão de membros. O canal divulga conteúdos de apoiadores do senador, incluindo os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Júlia Zanatta (PL-SC), além de mensagens voltadas à mobilização eleitoral.

Já o “Exército do Lula” havia ultrapassado a marca de 4 milhões de integrantes antes de ser retirado do ar. O grupo, criado por Janones, tornou-se alvo de sucessivas decisões judiciais relacionadas ao seu funcionamento e à observância das regras eleitorais.

A diferença no tratamento dispensado aos dois canais passou a integrar os argumentos da campanha petista perante o TSE.

Área técnica do TSE não encontrou conteúdos denunciados

A suspensão inicial do “Exército do Lula” ocorreu após uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de disseminar informações falsas.

Entretanto, a análise realizada pela área técnica do Tribunal Superior Eleitoral não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, os conteúdos mencionados na representação bolsonarista.

Na terça-feira (13), depois que a campanha de Lula informou oficialmente o endereço do canal à Justiça Eleitoral, Nunes Marques autorizou sua retomada, mas determinou uma suspensão de 48 horas, fundamentada em resolução do tribunal.

Essa decisão motivou a nova iniciativa jurídica da coligação petista, que passou a exigir a aplicação da mesma medida ao grupo vinculado à candidatura de Flávio.

Janones questiona atuação de Nunes Marques

Em meio à controvérsia, André Janones também passou a questionar a atuação do ministro responsável pelas decisões.

De acordo com a Folha, Nunes Marques tinha uma reunião marcada com o deputado para esta quarta-feira (14), às 17h, com o objetivo de discutir a situação do canal.

À coluna de Mônica Bergamo, Janones afirmou que as tentativas de retirar o grupo do ar acabaram contribuindo para ampliar seu número de participantes.

O parlamentar também disse identificar indícios de tratamento desigual nas decisões relacionadas às ferramentas digitais utilizadas pelas campanhas.

Fonte: Brasil 247

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