Suspeito de matar idoso de 85 anos em Viana queria terrenos da vítima, diz polícia

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Publicado em 14 de Outubro de 2026 às 17:38

Nayra Loureiro

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O  homem suspeito de matar Valdemiro Heller, de 85 anos, em Viana, queria se apropriar de terrenos pertencentes ao idoso , segundo a Polícia Civil. A vítima morava sozinha e chegou a registrar um boletim de ocorrência contra o acusado antes de ser encontrada morta dentro de casa, no bairro Bom Pastor, em 6 de dezembro de 2025.  

Leonardo Vasconcelos Caetano, conhecido como Kikito, de 32 anos, tornou-se réu por latrocínio — roubo seguido de morte — e permanece preso. Os detalhes da investigação foram divulgados em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (14). O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Jr., não precisou quando a denúncia foi recebida pela Justiça.

Segundo Cleudes, o caso passou a ser investigado como latrocínio — roubo seguido de morte — após a polícia encontrar a residência revirada e constatar o desaparecimento de dinheiro e de uma mochila que guardava documentos relacionados aos terrenos da vítima.

Valdemiro era aposentado, mas continuava fazendo pequenos serviços de jardinagem, limpeza e como pedreiro. A família morava em Minas Gerais e, segundo o delegado, o idoso vivia sozinho no Espírito Santo.

Leonardo morava perto de Valdemiro e, conforme a investigação, o perseguia havia meses, com ameaças, furtos e intimidações para conseguir dinheiro. Depoimentos colhidos pela polícia também apontaram que ele era temido na região.

“Todas as pessoas que foram ouvidas relataram temor em relação ao Kikito por ele ser violento, por ele ser agressivo”, afirmou Cleudes Jr.

A investigação apontou que, além do dinheiro, Leonardo tinha interesse nos terrenos de Valdemiro. Com medo de que os documentos das propriedades fossem furtados, o idoso entregou a mochila em que os guardava a uma vizinha. Ela ficou com o material por aproximadamente um mês.

Valdemiro buscou a mochila e foi morto alguns dias depois.  Quando a casa foi encontrada revirada, os documentos relacionados aos terrenos e o dinheiro da vítima não estavam mais no local.

Segundo o delegado, antes do crime, o idoso relatava que uma pessoa tentava tomar seus terrenos, o ameaçava e tomava seu dinheiro, mas não a identificava. Isso mudou quando ele encontrou Leonardo dentro de casa furtando pertences. Após o episódio, em que também teria sido ameaçado, Valdemiro procurou a polícia e identificou o acusado em um boletim de ocorrência.

“Ele falava que estava sendo perseguido por uma pessoa que estava tentando tomar os terrenos dele, estava intimidando ele, ameaçando, tomando dinheiro, só que ele não falou que era o Kikito. Até essa vez que ele chegou em casa e encontrou o Kikito lá dentro furtando pertences dele”, relatou o delegado.

As perseguições, conforme os depoimentos reunidos pela investigação, começaram antes de Valdemiro se mudar para a residência em em Bom Pastor. O imóvel havia sido cedido por um conhecido que sabia que ele vivia sozinho.

Em 6 de dezembro, moradores sentiram falta de Valdemiro e foram até a residência, onde o encontraram morto. Segundo a Polícia Civil, a perícia identificou marcas que indicavam que o autor havia escalado um tanque e entrado por uma abertura no telhado. 

A hipótese da investigação é que o idoso tenha sido surpreendido durante a madrugada.  Conforme Cleudes Jr., a perícia apontou que Valdemiro morreu por asfixia, com obstrução da passagem de ar. 

Após a morte, a DHPP reun iu informações que apontavam Leonardo como possível autor. As forças de segurança chegaram a procurá-lo, mas ele não foi localizado naquele momento e, segundo o delegado, deixou Viana e foi para Bom Jesus do Norte.

No município, Leonardo foi preso em flagrante por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira. Conforme Cleudes Jr., ele entrou na casa da mulher e tentou se esconder quando a Polícia Militar chegou. 

“Ele quebrou a porta, entrou na casa, só que a mulher conseguiu acionar a polícia. Quando a polícia chegou lá, ele estava debaixo da cama, tentando se esconder”, relatou Cleudes Jr.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Enquanto Leonardo estava no sistema prisional, a DHPP de Viana avançou na investigação da morte de Valdemiro e pediu a prisão preventiva dele pelo latrocínio, com o mandado sendo decretado pela Justiça e cumprido no Presídio de São Domingos do Norte.

Leonardo foi ouvido e optou por permanecer em silêncio. Segundo Cleudes Jr., ele tem aproximadamente 42 registros policiais, entre eles ocorrências por tráfico de drogas, furto, roubo e receptação.

Com os depoimentos, o boletim de ocorrência registrado por Valdemiro e os demais elementos reunidos durante as diligências, a DHPP de Viana concluiu o inquérito e indiciou Leonardo por latrocínio.

O Ministério Público apresentou denúncia por roubo com resultado morte, que foi recebida pela Justiça de Viana. Com isso, Leonardo tornou-se réu na ação penal e permanece preso.

A reportagem de A Gazeta tenta contato com a defesa de Leonardo Vasconcelos Caetano. O espaço segue aberto para manifestação.

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