Cedro obtém aval ambiental para porto de R$ 3,6 bilhões em Itaguaí
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A Cedro Participações recebeu, na terça-feira (13), a aprovação da Comissão Estadual de Controle Ambiental (CECA) para a emissão da Licença Ambiental Integrada (LAI) do Porto do Meio, terminal de minério de ferro que será construído no Porto de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O empreendimento prevê investimentos de R$ 3,6 bilhões e poderá gerar até 3 mil empregos diretos e indiretos durante sua implantação.
Segundo informações divulgadas pela Cedro Participações, a autorização representa uma etapa decisiva para o avanço do projeto, que terá capacidade inicial de movimentação inferior a 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A infraestrutura será utilizada tanto para a exportação da produção da companhia quanto para atender outras mineradoras interessadas em utilizar o complexo portuário.
A aprovação ambiental permite à empresa avançar nas próximas etapas de implantação do terminal, observadas as condições e exigências estabelecidas no processo de licenciamento. O empreendimento integra a estratégia da Cedro de ampliar sua atuação nos setores mineral e portuário, com uma estrutura própria para escoamento da produção.
O presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, José Carlos Martins, destacou a importância do terminal para os planos de expansão da companhia.
“Este projeto é fruto da nossa visão para os próximos anos nos setores portuário e mineral no Brasil. Temos metas de ampliar a produção de minério, e o terminal é vital para o nosso plano de crescimento até o início da próxima década, ao conferir à Cedro independência para a exportação do minério de ferro”, afirmou Martins.
Obras devem durar três anos e gerar 3 mil empregos
A construção do Porto do Meio terá duração estimada de três anos e envolverá obras civis, serviços de dragagem, instalação de equipamentos portuários e montagem eletromecânica. Durante o período de maior atividade, a previsão é de aproximadamente 3 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Após a conclusão das obras, o terminal deverá empregar diretamente 256 trabalhadores. A empresa também estima uma geração de R$ 1,2 bilhão em tributos municipais, embora o comunicado não detalhe o período considerado para essa projeção.
O complexo ocupará uma área de aproximadamente 250 mil metros quadrados, localizada entre os terminais operados pela Vale e pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), posição geográfica que deu origem ao nome Porto do Meio.
A estrutura contará com pátio de estocagem de minério e berço de atracação para navios, com profundidade prevista de até 20 metros. Essas instalações permitirão concentrar as operações de recebimento, armazenamento e embarque do produto destinado ao mercado internacional.
Ligação ferroviária facilitará exportações de Minas Gerais
Um dos principais componentes logísticos do empreendimento será a conexão com a malha ferroviária da MRS Logística, responsável por interligar regiões produtoras de minério de ferro em Minas Gerais ao litoral fluminense.
A integração permitirá criar uma nova alternativa para o transporte da produção do Quadrilátero Ferrífero, importante região mineradora brasileira, até os navios destinados à exportação.
A localização em Itaguaí também é considerada estratégica pela proximidade com estruturas portuárias já utilizadas pelo setor mineral e pela possibilidade de integrar o transporte ferroviário às operações marítimas.
Com o terminal próprio, a Cedro pretende reduzir sua dependência de instalações controladas por outras empresas e obter maior autonomia na programação dos embarques. A medida está relacionada aos planos de crescimento da produção mineral da companhia até o início da próxima década.
Terminal também atenderá mineradoras de médio porte
Embora tenha sido dimensionado para atender às necessidades da Cedro, o Porto do Meio também poderá receber cargas de terceiros. A proposta é disponibilizar capacidade de embarque a outras empresas mineradoras, especialmente aquelas de médio porte que atualmente dependem de grandes operadores portuários ou de empresas comercializadoras de commodities para exportar.
O acesso à nova infraestrutura poderá permitir que essas companhias negociem diretamente com compradores internacionais, reduzindo a necessidade de intermediários nas operações comerciais e logísticas.
A Cedro também aponta a possibilidade de contratos de longo prazo e maior previsibilidade para os embarques como vantagens oferecidas pelo empreendimento. A conexão ferroviária e a proximidade com as regiões produtoras de Minas Gerais são fatores que poderão contribuir para a competitividade dos custos de transporte.
A abertura do terminal a terceiros poderá representar uma alternativa adicional de escoamento para empresas que não possuem infraestrutura portuária própria, em um setor no qual o acesso aos terminais de exportação é determinante para a competitividade comercial.
Cedro conquistou área portuária em leilão federal de 2024
O projeto começou a avançar após a Cedro Participações vencer, em dezembro de 2024, o leilão federal de arrendamento da área identificada como ITG02, no Porto de Itaguaí.
O contrato foi firmado pelo prazo de 35 anos, com possibilidade de renovação por igual período. A concessão de uso da área estabeleceu a base para o desenvolvimento do empreendimento e para a realização dos estudos necessários à implantação do terminal.
A aprovação da CECA, anunciada nesta semana, constitui um novo marco no processo de desenvolvimento da infraestrutura. A emissão formal da licença e o cumprimento das condicionantes ambientais serão etapas relevantes para a execução do projeto.
Com investimento previsto de R$ 3,6 bilhões, o Porto do Meio deverá reforçar a infraestrutura de exportação de minério de ferro pelo litoral do Rio de Janeiro, criando uma nova conexão logística entre a produção mineral de Minas Gerais e o comércio internacional.
Fonte: Brasil 247