O que é adenocarcinoma pulmonar, o câncer do papa Leão XIV
Por Deutsche Welle — Carta Capital
Menu
Adenocarcinoma representa cerca de 40% dos casos de câncer de pulmão. Se detectado em estágio inicial e com remoção cirúrgica, prognóstico é “muito bom”, segundo médica
O papa Leão XIV, de 71 anos, foi operado nesta terça-feira 13 para a retirada do lobo inferior do pulmão direito após ter sido diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer de pulmão, comunicou o Vaticano.
“O exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado pelos exames pré-operatórios”, afirmou o Vaticano. A operação durou aproximadamente uma hora e meia.
O adenocarcinoma é um tipo de câncer que se forma nas células glandulares, responsáveis pela produção de substâncias como o muco. Nos pulmões, ele se desenvolve nas células que revestem os alvéolos pulmonares.
Segundo a Fundação Americana do Câncer no Pulmão, o adenocarcinoma representa cerca de 40% de todos os casos de câncer de pulmão.
Geralmente é encontrado nas regiões mais externas dos pulmões e tende a crescer mais lentamente do que algumas outras formas de câncer pulmonar, o que aumenta as chances de ser detectado antes de se espalhar.
Existem dois principais tipos de câncer de pulmão: os de pequenas células (CPC), que se disseminam de forma agressiva e representam cerca de 10% a 15% dos diagnósticos, e os de não pequenas células (CNPC), que constituem a grande maioria dos casos, com cerca de 85%. Destes, o adenocarcinoma pulmonar é o subtipo mais comum.
O tabagismo continua sendo o principal fator de risco, mas o médico David Carbone, diretor do Centro de Oncologia da Universidade Estadual de Ohio, observa que “a maioria dos cânceres de pulmão que diagnosticamos hoje ocorre em pessoas que nunca fumaram ou que deixaram de fumar há muitos anos”.
Não se sabe se o papa foi fumante. O adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de pulmão entre as pessoas que nunca fumaram.
Nos estágios iniciais, a doença frequentemente não provoca sintomas e acaba sendo descoberta em exames realizados por outros motivos.
À medida que o câncer avança, os sintomas podem incluir tosse persistente, falta de ar ou chiado no peito, tosse com sangue, dores no peito, ombro ou costas, perda de peso sem causa aparente e fadiga.
O Vaticano comunicou que o tumor foi identificado durante um exame de rotina. O papa afirmou que foi “detectado em estágio muito inicial” e que o crescimento estava “bem delimitado”.
Para pacientes cujo câncer permanece restrito ao pulmão, a cirurgia oferece a melhor chance de cura. A operação padrão é a lobectomia, como a realizada nesta terça-feira, em que um lobo inteiro do pulmão é removido. O Vaticano comunicou que “o lobo inferior do pulmão direito foi retirado” durante a cirurgia.
Os médicos consideram essa a opção preferencial quando o tumor está limitado a um único lobo, pois ela maximiza as chances de remoção completa do tecido canceroso, preservando ao mesmo tempo o máximo possível da função pulmonar.
A depender do estágio da doença, o tratamento pode também incluir quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, mas isso depende de vários fatores, como o tamanho da massa cancerosa removida, seu grau de agressividade e se houve disseminação.
No caso do papa, é necessário saber o estágio da doença. “Precisamos saber qual é o tamanho do tumor e quantos pontos do pulmão foram afetados. É apenas um nódulo ou há mais de um? E os linfonodos: apresentam células cancerígenas?”, disse o médico Stephen Liu, especialista em câncer de pulmão do Lombardi Comprehensive Cancer Center, da Universidade de Georgetown.
O Vaticano afirmou que os médicos não estão discutindo, por enquanto, quimioterapia ou outros tratamentos para o papa Leão XIV e aguardam os resultados de exames complementares.
Médicos dizem que o prognóstico depende fortemente do tipo de câncer de pulmão, do estágio da doença e de sua eventual disseminação para além do pulmão. O tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos, a idade do paciente e seu estado geral de saúde também são determinantes.
“Quando observamos a taxa de sobrevida em cinco anos para o adenocarcinoma pulmonar localizado, ela fica aproximadamente entre 63% e 67%”, afirmou a médica Juanita Mora, da Associação Americana do Pulmão.
Segundo a Sociedade Americana do Câncer, essa taxa cai para cerca de 40% quando a doença se espalha para tecidos próximos ou linfonodos e para aproximadamente 12% quando atinge órgãos distantes.
Mas, segundo Mora, tudo depende do estágio do câncer detectado e se houve disseminação. A especialista ressaltou que, quando o adenocarcinoma pulmonar é detectado em estágio inicial, “apresenta um prognóstico muito, muito bom”, com taxa de sobrevida em cinco anos de 80% a 98%, especialmente após a remoção cirúrgica.
David Spigel, oncologista especializado em câncer de pulmão no Sarah Cannon Research Institute, em Nashville, acrescentou que, nesse cenário, o paciente “alcançará a cura e jamais terá sua vida ameaçada por esse câncer”.
“O adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de pulmão e também o que apresenta o prognóstico mais favorável”, disse Liu.
Pessoas diagnosticadas atualmente também podem ter perspectivas melhores do que as estatísticas sugerem devido aos avanços nos tratamentos.
Carbone destacou que o tratamento do câncer de pulmão melhorou consideravelmente nas últimas décadas e que o prognóstico é melhor do que nunca. “Portanto, eu teria esperança de uma recuperação completa” do papa Leão XIV, afirmou.
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Desenvolvido por OKN Technology Agency
Fonte: Carta Capital