Eleições: a participação juvenil no Programa Simulação da ONU
Por Egydio Schwade — Brasil 247
Por Egydio Schwade – Minha querida neta Ana Cristina, faz pouco mais de um ano que você participa do programa Simulação da ONU e me manifesta suas dúvidas sobre a ONU que temos, encalhada nos Estados Unidos, país que desrespeita a autonomia dos povos que divergem do seu modelo, montado sobre o dinheiro e a violência.
Você assistiu na 4ª-feira o comentário dos jornalistas da Globo no Jornal Nacional-JN, a maior emissora do nosso país, falando do 3º aniversário do levante dos palestinos da Faixa de Gaza? Trata-se do povo de Jesus que ha milênios vivia na Palestina, em Caná, Cafarnaum, Nazaré…e que agora vive há 76 anos prisioneiro no campo de concentração de Gaza, sem direito algum para tratar de sua autodefesa. Dia 7 fez 3 anos da tentativa desesperada de reaver a sua terra, donde foi deportado em 1948.
Lembro quando menino, tuas tias-avós Felicitas e Maria, liam um resumo das notícias do Brasil e do mundo na hora do chimarrão, após a sexta do pai. Ali já soube de 750 mil famílias de palestinos arrancadas do seu chão pelos governos, inglês e norte-americano e deportadas para a Faixa de Gaza para criar o Estado artificial: Israel. Em Gaza vivem até os dias atuais discriminados. Injustiça tolerada há 76 anos pela ONU e como ouviram no JN sempre tratados de “terroristas”. Mas sobreviveram, cresceram e mantiveram viva a lembrança de sua terra e de seus direitos para reavê-la. Daí o seu levante justo para chamar atenção do mundo.
E em resposta o Estado genocida de Israel já matou mais de 74 mil, em sua maioria crianças e mulheres inocentes, e arrasou seus lares.
Querida Cristina, sinto no olhar de vocês jovens a decepção ante o fracasso duma ONU omissa, encalhada no dinheiro e na visão racista, discriminatória e genocida dum Netaniahu e Trump.
E estes são tambem os ideais da família Bolsonaro e de seus seguidores. Acompanhem os seus passos. Jair e Flávio antes de iniciarem suas campanhas foram se inspirar e batizar pelos genocidas de Israel. E o Eduardo foi aos Estados Unidos para conhecer e difundir os métodos de dominação norte-americanos que já invadiu mais de uma centena de países de maneira autoritária. E tem um ajudante: Paulo Figueiredo, neto do Ditador João Figueiredo que em 1981 decretou a extinção do povo Waimiri-Atroari. Quando a Ditadura iniciou a BR-174 este povo possuía em torno de 3.000 pessoas. No final da obra restaram apenas 332 pessoas, o que fez o Figueiredo decretar o fim da Reserva como terra indígena inalienável. E estas terras remanescentes já haviam sido loteadas a 13 empresas de mineração: um genocídio.
E se tua avó e teu avô, com muitos amigos e amigas do Brasil e do mundo, não tivessem organizado o MAREWA-Movimento de Apoio à Resistencia Waimiri-Atroari, em 1983, este povo não existiria mais hoje.
Querida Cristina, você me disse que está lendo ORIENTALISMO, voltando seu olhar para o Oriente. Vá em frente que os magos, os sábios vem do Oriente. E encontrarão a Sabedoria, a Boa Nova, escondida nas ruinas da Faixa de Gaza. E não voltarão pelo caminho do Netaniahu, do Trump e da família Bolsonaro. “Voltarão por outro caminho”. E a nova ONU que vocês jovens irão construir, não será apenas uma Simulação.
E no dia 25 o povo brasileiro tem oportunidade de decidir entre a imbecilidade do Trump-Netaniahu-Flávio e o Lula que está a caminho do palestino Jesus de Nazaré em Gaza e com todos os povos oprimidos do mundo. Nós votaremos Lula!
Um beijo do vô
Egydio
Fonte: Brasil 247