‘Judiciário contaminado’: advogado critica ‘forte teor político-partidário’ em decisões de Nunes Marques no 2º turno

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Por José Bernardes — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, tem acumulado decisões questionáveis nessa segunda semana de campanha para o segundo turno das eleições presidenciais. Primeiro, o alvo foi o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que foi investigado a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Nada de irregular foi encontrado, mas o ministro censurou o grupo. Depois, proibiu a circulação de um jornal produzido pelo Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), atendendo a outro requerimento da candidatura de Flávio. A publicação elencava razões pelas quais uma eventual vitória de Lula seria melhor para os trabalhadores da Petrobras.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o advogado Max Telesca, especialista em tribunais superiores, critica a atuação de Nunes Marques e defende que o Poder Judiciário tem atuado sob forte contaminação político-partidária. “Infelizmente, o que tem acontecido no Poder Judiciário é que as questões deixaram de ser eminentemente jurídicas e passaram a ter um viés muito notório politicamente. Claro que a decisão judicial tem uma carga política; ela não é neutra. Um juiz vai decidir a partir da formação dele, da visão de mundo. O que estamos vendo hoje e me parece que essas decisões da presidência do TSE estão muito fortemente ligadas ao teor político-partidário”, reforça.

Para o advogado, as decisões de Nunes Marques não poderiam ter ocorrido. “O Poder Judiciário precisa de uma revisão muito forte, sob pena de perder a credibilidade. E, sim, a presidência do ministro Kassio Nunes Marques está mostrando essa influência”, afirma.

Do ponto de vista técnico, Telesca afirma que houve uma sobreposição entre questões judiciais e questões administrativas no caso da suspensão do canal criado pelo deputado federal André Janones (PT-MG). “A discussão judicial estava a cargo do ministro [Ricardo Villas Boas] Cueva e a questão administrativa foi usada como forma de burlar questão judicial. E a decisão administrativa não pode se imiscuir na decisão judicial. Uma vez judicializada, ou seja, uma vez colocada dentro de um processo judicial que está discutindo o teor dessa propaganda, a área administrativa, que é a do presidente Nunes Marques, não pode se imiscuir nessa seara”, argumenta.

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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Fonte: Brasil de Fato

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