Taxas do Tesouro Direto oscilam com pesquisas eleitorais

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Publicado em 13 de Outubro de 2026 às 19:05

João Guimarães

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O primeiro dia útil da semana após o feriado foi marcado pela movimentação das taxas dos títulos públicos do Tesouro Direto nesta terça-feira (13). Depois de um período de alívio nos rendimentos, o mercado de renda fixa voltou a operar com cautela diante das pesquisas eleitorais para o segundo turno das Eleições 2026 e da piora nas expectativas de inflação no Boletim Focus, do Banco Central.


O movimento ocorre em meio à disputa pela Presidência da República entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). Pesquisas divulgadas nesta terça-feira mostraram cenários diferentes para a corrida eleitoral, enquanto a projeção de inflação para 2026 voltou a subir.

Outro fator acompanhado pelo mercado foi a declaração de Flávio Bolsonaro de que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta defende mudanças na jornada semanal de trabalho e integra o debate político em torno das condições de trabalho no país.

Segundo levantamento publicado pelo Valor Investe, por volta das 13h15 desta terça-feira, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 oferecia rentabilidade de 12,45% ao ano, ante 12,31% na última sessão. Já o título com vencimento em 2032 pagava 12,61%, contra 12,49% anteriormente.


Nos títulos atrelados à inflação, o movimento foi misto. O Tesouro IPCA+ 2032 passou a oferecer IPCA mais 6,70% ao ano, ante 6,68% na sessão anterior. No vencimento de 2040, a taxa recuou de 6,57% para 6,56% acima da inflação. Já o título com vencimento em 2050 subiu de IPCA mais 6,55% para 6,59%.

No cenário eleitoral, levantamento do PoderData/Aya divulgado nesta terça-feira (13) apontou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio com 52% e Lula com 48%.


Além da disputa eleitoral, os investidores acompanham as projeções para a economia brasileira. O Boletim Focus divulgado nesta terça-feira elevou a estimativa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 de 5,01% para 5,22%.

A projeção supera o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Segundo o sócio e diretor de investimentos na Valor Investimentos, Elidio Almeida, a incerteza política influencia diretamente a remuneração exigida pelos investidores para financiar o governo. Quanto maior a distância entre os cenários econômicos possíveis, maior tende a ser o prêmio de risco cobrado pelo mercado, observou.


“O mercado sempre cobra um prêmio pela incerteza. Quando não está claro quem vai governar o país, os investidores precisam considerar cenários muito diferentes para as contas públicas, a inflação e os juros. Quanto mais distantes esses cenários estão um do outro, maior a remuneração que o investidor exige para emprestar dinheiro ao governo, e por isso as taxas dos títulos públicos sobem em períodos de indefinição eleitoral”, afirma.


O efeito tende a ser mais intenso nos títulos de prazo longo, que atravessam boa parte do próximo mandato presidencial. Nesses casos, as taxas refletem não apenas as expectativas para a Selic, mas também a percepção de risco fiscal, a trajetória da dívida pública e as perspectivas para a inflação.


Almeida explica que uma das principais referências para o mercado é a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2031, que influencia as taxas dos títulos prefixados e a parcela de juros dos papéis atrelados ao IPCA.


Ao longo de 2026, essa taxa oscilou entre 13,5% e 14,7% ao ano. Segundo o especialista, após o primeiro turno das eleições, houve uma queda expressiva: em poucos pregões, o indicador passou da faixa de 14% para cerca de 12,5%.


Na avaliação de Almeida, o movimento refletiu principalmente a mudança na percepção de risco fiscal dos investidores. A possibilidade de uma política econômica com maior controle de gastos e uma trajetória mais previsível para a dívida pública contribuiu para reduzir o prêmio exigido pelo mercado.


“As expectativas de inflação e a trajetória da Selic explicam o nível e a tendência das taxas, mas não um salto dessa magnitude. A expectativa de inflação se ajusta gradualmente, enquanto um evento eleitoral muda o cenário de uma só vez, mas os dois fatores estão conectados, um quadro fiscal mais crível ajuda a ancorar a inflação de longo prazo e abre espaço para o Banco Central reduzir os juros com mais segurança”, comenta.

As oscilações das taxas afetam tanto quem já tem títulos públicos na carteira quanto quem pretende investir agora. Nos papéis prefixados e nos indexados à inflação, a relação entre juros e preços é inversa: quando as taxas caem, os títulos já adquiridos tendem a se valorizar; quando sobem, seus preços podem recuar.

Para Almeida, o momento exige atenção ao prazo em que o dinheiro poderá ser necessário. “Esse ganho só se concretiza se o investidor vender o título. Se as taxas voltarem a subir até as eleições, parte da valorização pode desaparecer”, afirma.

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