Assessora econômica de Flávio Bolsonaro já detonou o fim da escala 6×1 – que o presidenciável agora apoia

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – A coordenadora econômica da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL -RJ), Daniella Marques, fez duras críticas à proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1, classificando o debate como “populista e inócuo”. Menos de dois meses depois, porém, o próprio candidato anunciou que votará a favor da medida, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais.

As declarações de Daniella foram feitas o em 21 de agosto, durante o 25º Fórum Empresarial Lide, realizado no Rio de Janeiro. Já a mudança de posição de Flávio Bolsonaro foi anunciada nesta terça-feira (13), a apenas 12 dias da votação decisiva, marcada para 25 de outubro. O contraste expõe uma divergência entre o discurso da principal conselheira econômica do presidenciável e o posicionamento eleitoral adotado pelo senador.

Assessora de Flávio Bolsonaro classificou proposta como populista

Ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Daniella Marques é responsável pela coordenação das diretrizes econômicas da candidatura de Flávio Bolsonaro. Em agosto, ela rejeitou a discussão sobre a redução da jornada de trabalho e defendeu que empregados e empregadores tenham liberdade para negociar seus contratos.

“É um debate populista e inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser”, afirmou Daniella na ocasião. 

A economista também questionou os efeitos da proposta sobre as empresas, argumentando que a diminuição dos dias trabalhados poderia elevar os custos de produção.

“É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa enquanto quem produz não vai ter condição e vai ter um custo enorme em relação a isso [fim da 6×1]”, declarou.

Na ocasião, Daniella sustentou que a legislação deveria permitir diferentes modalidades de jornada, com maior autonomia para a negociação entre trabalhadores e patrões.

“Somos a favor da liberdade, da ampliação dessa liberdade. Deveria ter todas as jornadas permitidas, e cabe ao trabalhador e ao empregador decidir de que forma eles querem construir os seus contratos.”

As declarações evidenciam a orientação liberal defendida pela coordenadora econômica da campanha, que privilegia a flexibilização das relações de trabalho em lugar de uma redução geral da jornada estabelecida constitucionalmente.

Flávio Bolsonaro recua e anuncia apoio ao fim da escala 6×1

O discurso de Daniella contrasta com a posição anunciada nesta terça-feira por Flávio Bolsonaro. Depois de meses criticando a iniciativa do governo Lula, o senador afirmou que votará favoravelmente à proposta de emenda à Constituição que pretende extinguir a escala de seis dias de trabalho para um de descanso.

“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou o candidato, após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília.

A mudança ocorre em um momento de forte disputa eleitoral. A redução da jornada sem diminuição dos salários tornou-se uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula e ganhou destaque no confronto político entre os dois candidatos.

Até então, Flávio vinha adotando um discurso semelhante ao de sua coordenadora econômica. Em maio, classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira”. Já em outubro, acusou o governo de oportunismo ao defender a votação da proposta durante a campanha presidencial.

O senador também vinha manifestando preferência por um modelo de remuneração por hora trabalhada, apresentado como alternativa à redução da jornada. A proposta é defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político de sua campanha.

Apoio à proposta não elimina divergências sobre direitos trabalhistas

Embora tenha anunciado voto favorável ao fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro não abandonou a defesa de mudanças nas regras de contratação e organização do trabalho.

“Eu queria que tivesse liberdade para o trabalhador montar sua jornada de trabalho. Como é que fica a pessoa que trabalha de home office? Isso não está definido na PEC. Como é que fica aquela mãe que não tem com quem deixar o filho e só pode trabalhar, por exemplo, quatro horas por dia, só pode trabalhar de manhã ou só pode trabalhar à tarde? Vai continuar engessada a jornada dela. Mas acho que é um processo de evolução”, declarou.

O argumento da liberdade de escolha se aproxima das posições defendidas por Daniella Marques em agosto. A diferença é que, diante da repercussão eleitoral da proposta, o candidato passou a admitir sua aprovação, mesmo mantendo ressalvas ao modelo defendido pelo governo federal.

Flávio também argumentou que a redução da jornada poderá aumentar os custos das empresas e exigiu que o governo federal ofereça compensações financeiras aos empregadores.

“O governo é que vai ter que bancar essa compensação, porque, obviamente, quando você reduz a jornada de trabalho, será necessária a contratação de mais pessoas. Tem o risco de muita gente ir para a informalidade. Então, isso tudo a gente está pesando. Mas, de novo, o meu voto vai ser conforme a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”, afirmou.

O candidato não apresentou, na declaração, um mecanismo detalhado de financiamento para a compensação que defende.

Mudança ocorre na reta final da disputa com Lula

O reposicionamento de Flávio Bolsonaro acontece na véspera da votação da PEC no plenário do Senado, prevista para quarta-feira (14). A proposta prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, ampliando o descanso dos trabalhadores.

A medida integra a agenda trabalhista defendida pelo governo Lula e se tornou um tema central da disputa presidencial. Para sua aprovação no Senado, uma PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos.

Fonte: Brasil 247

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