“Vou pagar para ver”, diz José Guimarães sobre apoio da oposição ao fim da escala 6×1
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães (PT-CE), colocou em dúvida o apoio da oposição à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Apesar da sinalização de que parlamentares bolsonaristas votarão a favor da mudança, o ministro afirmou que pretende observar como a direita se comportará na votação prevista para quarta-feira (14), no plenário do Senado.
Em entrevista à CNN Brasil, divulgada pela jornalista Isabel Mega, Guimarães afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma bandeira historicamente associada à esquerda e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na avaliação do ministro, uma eventual adesão da oposição não será suficiente para convencer o eleitorado de que os adversários do governo defendem a medida.
“Está caracterizado que o DNA é de Lula. Vou pagar para ver porque os interesses econômicos deles são muito grandes com a Paulista. Temos as assinaturas e temos tudo pronto”, declarou Guimarães.
A manifestação ocorre após a bancada bolsonarista decidir apoiar a PEC que estabelece a escala 5×2, garantindo dois dias de descanso por semana aos trabalhadores, sem redução salarial. A mudança representa uma das principais propostas em discussão no Congresso Nacional sobre a reorganização da jornada de trabalho.
O posicionamento da oposição chama atenção porque parlamentares ligados ao bolsonarismo vinham defendendo uma alternativa à proposta apoiada pelos governistas. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), apresentou uma PEC que prevê a remuneração por hora trabalhada.
As duas propostas apresentam diferenças importantes. Enquanto a iniciativa de redução da escala 6×1 busca ampliar o período de descanso semanal e preservar os salários, a alternativa defendida por Marinho concentra-se na forma de remuneração do trabalho.
A aproximação da votação coloca a bancada bolsonarista diante da necessidade de definir publicamente seu posicionamento sobre uma pauta que ganhou destaque no debate político e trabalhista. Para o governo Lula, a aprovação da mudança também representaria uma vitória política em meio à disputa presidencial.
Guimarães aposta em reação eleitoral favorável a Lula
Além de questionar o apoio da oposição ao fim da escala 6×1, José Guimarães demonstrou confiança na recuperação eleitoral do presidente Lula. O ministro afirmou que a mobilização de apoiadores nas ruas pode contribuir para modificar o cenário da disputa presidencial.
“Eleição está sendo virada. E não é nem pela PEC do fim da 6×1. O povo está indo para as ruas. O susto foi muito grande e está todo mundo fazendo sua parte”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo o cenário eleitoral mencionado pela CNN Brasil, o candidato do PL apareceu dois pontos percentuais à frente do presidente no primeiro turno.
Apesar da vantagem apontada para o adversário, integrantes do governo avaliam que a mobilização política e a defesa de propostas com impacto direto sobre a população trabalhadora podem favorecer a recuperação de Lula.
Nesse contexto, o fim da escala 6×1 tornou-se também um tema de disputa entre governo e oposição. A posição anunciada pela bancada bolsonarista indica uma tentativa de acompanhar uma proposta que ganhou espaço no debate nacional, embora persistam divergências sobre o modelo de jornada de trabalho a ser adotado.
Fonte: Brasil 247