Lula escala Bruno Moretti para questionar cortes de R$ 200 bilhões propostos por Flávio Bolsonaro
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as críticas às propostas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da eleição presidencial. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, foi mobilizado para contestar a promessa de um ajuste fiscal superior a R$ 200 bilhões e alertar sobre possíveis consequências dos cortes para a população brasileira.
Segundo informações do jornalista Fabio Graner, publicadas em O Globo, a estratégia do governo é explorar as contradições identificadas nas declarações de Flávio Bolsonaro sobre a redução das despesas públicas. A equipe petista considera que o candidato do PL abriu espaço para questionamentos ao sugerir que o ajuste seria realizado principalmente pela diminuição dos gastos com juros, sem comprometer despesas destinadas a serviços públicos e programas sociais.
Em um vídeo divulgado pela campanha de Lula, Moretti criticou a maneira como Flávio apresenta sua proposta econômica. O ministro apontou uma confusão entre despesas primárias, que incluem investimentos em saúde, educação, Previdência, pessoal e outras políticas públicas, e despesas financeiras, relacionadas ao pagamento de juros da dívida.
Responsável pela elaboração do Orçamento federal, Moretti acusou o candidato bolsonarista de apresentar informações enganosas ao defender que um corte de aproximadamente R$ 250 bilhões poderia se concentrar nas despesas financeiras, preservando os gastos primários.
“É importante não se deixar enganar. Quando se diz que vai cortar mais de R$ 200 bilhões, esses cortes vão afetar a vida da população brasileira”, afirmou o ministro.
A avaliação apresentada pelo integrante do governo Lula é que uma redução dessa magnitude nas despesas públicas exigiria medidas com potencial impacto sobre políticas sociais e serviços oferecidos à população.
Governo Lula relembra cortes no Orçamento de Jair Bolsonaro
Para reforçar as críticas, Bruno Moretti recuperou decisões orçamentárias tomadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do atual candidato à Presidência.
O ministro destacou que a proposta de Orçamento encaminhada pelo governo Bolsonaro para 2023 previa uma redução superior a 60% nos recursos destinados ao programa Farmácia Popular, responsável por ampliar o acesso da população a medicamentos.
Moretti também apontou que o projeto orçamentário não contemplava recursos suficientes para garantir um aumento real do salário mínimo, acima da inflação, nem para financiar o pagamento do Bolsa Família com valores reajustados.
A referência ao histórico fiscal do governo anterior faz parte da estratégia da campanha petista de associar a promessa de ajuste de Flávio Bolsonaro ao risco de redução de investimentos sociais.
O objetivo é demonstrar que cortes expressivos nas despesas primárias podem comprometer políticas voltadas principalmente aos trabalhadores e às famílias de menor renda.
Flávio Bolsonaro promete preservar Bolsa Família e reajustar salário mínimo
Diante das críticas, Flávio Bolsonaro passou a assumir compromissos públicos para afastar a possibilidade de que seu eventual governo promova cortes em benefícios sociais.
O candidato do PL afirmou que pretende garantir reajustes do salário mínimo acima da inflação. Entretanto, ainda não esclareceu qual seria o percentual de aumento real nem se manteria a atual política de valorização, que considera a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, respeitados os limites fiscais.
Flávio também declarou que não pretende extinguir o Bolsa Família. Em suas manifestações, tem defendido o aprimoramento do programa e de outras iniciativas de transferência de renda.
As declarações representam uma tentativa de neutralizar a ofensiva da campanha de Lula, que procura apresentar o ajuste fiscal defendido pelo adversário como uma ameaça às políticas sociais.
Apesar dessas garantias, a equipe econômica de Flávio ainda não apresentou um detalhamento completo das medidas necessárias para alcançar a economia de recursos anunciada durante a campanha.
Ajuste de 1,5% do PIB provoca questionamentos sobre plano econômico
Um dos principais pontos de controvérsia é a sinalização de que um eventual governo Flávio Bolsonaro buscaria promover um ajuste fiscal equivalente a 1,5% do PIB já no primeiro ano de mandato.
A meta foi mencionada ao longo da campanha pela coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, em entrevistas e conversas com representantes do mercado financeiro.
A dimensão do ajuste passou a provocar questionamentos sobre quais despesas seriam efetivamente reduzidas e como a equipe bolsonarista conseguiria cumprir a promessa sem comprometer programas sociais e serviços públicos.
A campanha de Lula procura explorar justamente a ausência de explicações detalhadas sobre a composição desses cortes.
Ao mesmo tempo, o próprio governo petista também evita apresentar medidas específicas de contenção de despesas que possam provocar desgaste eleitoral às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Campanha de Lula também evita detalhar medidas fiscais
Embora concentre suas críticas na proposta econômica de Flávio Bolsonaro, a campanha do presidente Lula enfrenta questionamentos sobre a sustentabilidade das contas públicas em um eventual novo mandato.
O planejamento fiscal apresentado pelo governo prevê uma trajetória de melhora gradual do resultado primário, indicador que considera a diferença entre receitas e despesas públicas, excluídos os juros da dívida.
Para que essa trajetória seja cumprida, entretanto, serão necessárias medidas de controle de gastos que ainda não foram completamente detalhadas.
Nos bastidores, uma das possibilidades discutidas pela equipe econômica envolve a redução do ritmo de crescimento permitido para as despesas federais. Atualmente, o limite mencionado nas discussões admite expansão real de até 2,5% ao ano, conforme as condições estabelecidas pelas regras fiscais.
De acordo com O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a mencionar essa alternativa em conversas com representantes do mercado financeiro. As referências à possibilidade, porém, foram interrompidas por orientação da campanha presidencial.
A decisão reflete a preocupação do comando petista em evitar que discussões sobre restrições orçamentárias sejam utilizadas pelo adversário durante a disputa eleitoral.
Nesse cenário, o debate fiscal se tornou um dos principais pontos de confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto a campanha governista busca associar a proposta do candidato do PL à redução de recursos para políticas públicas, a equipe bolsonarista tenta sustentar a promessa de um ajuste expressivo sem apresentar, até o momento, a lista de despesas que seriam atingidas.
Fonte: Brasil 247