PL vê maioria para aprovação do fim da escala 6×1 e prevê votos do próprio partido

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 reúne votos suficientes para ser aprovada no Senado, inclusive com o apoio de integrantes do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Diante desse cenário, senadores da legenda defendem que a bancada seja liberada para votar conforme suas posições individuais, em uma tentativa de evitar desgastes políticos na reta final da campanha eleitoral. As informações são da jornalista Julliana Lopes, da CNN Brasil, que ouviu reservadamente parlamentares do PL.

A avaliação interna é de que a aprovação da proposta está encaminhada e que uma orientação contrária à medida poderia provocar constrangimentos dentro do partido, além de repercussões negativas para a candidatura de Flávio Bolsonaro.

A estratégia de liberar os senadores permitiria que integrantes da legenda favoráveis ao fim da escala 6×1 apoiassem a proposta sem contrariar uma orientação partidária. Ao mesmo tempo, parlamentares contrários à mudança poderiam manter suas posições, evitando uma divisão pública da bancada em torno de uma das principais bandeiras defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os cálculos realizados por senadores do PL também apontam poucas possibilidades de aprovação de emendas que alterem o conteúdo da PEC e obriguem seu retorno à Câmara dos Deputados. Para ser aprovada no Senado, a proposta precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação, o equivalente a três quintos dos 81 senadores.

PL busca evitar desgaste eleitoral com Flávio Bolsonaro

A discussão sobre o posicionamento do PL ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial. O fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais apostas políticas de Lula na reta final da campanha, enquanto a oposição enfrenta dificuldades para estabelecer uma posição unificada sobre a redução da jornada de trabalho.

A legenda de Flávio Bolsonaro ainda precisa definir oficialmente sua orientação para a votação. Parte dos parlamentares considera que a resistência à proposta pode representar um risco eleitoral, especialmente diante da repercussão da medida entre trabalhadores que cumprem jornadas de seis dias de trabalho para apenas um de descanso.

Apesar da avaliação favorável à aprovação da PEC, setores da oposição defendem uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A proposta prevê a adoção de um modelo de remuneração por hora trabalhada, em vez da redução da jornada defendida na iniciativa apoiada pelo governo federal.

O texto alternativo, entretanto, ainda não avançou no Congresso Nacional. Com isso, a discussão no Senado permanece concentrada na PEC que prevê o fim da escala 6×1.

Reunião nesta terça-feira deve definir posição do partido

Uma reunião prevista para esta terça-feira (13) deverá discutir a orientação oficial do PL e buscar um alinhamento do discurso da legenda sobre a proposta. A expectativa é de que o encontro esclareça se o partido adotará uma posição única ou permitirá que cada senador decida individualmente como votar.

Até a definição, parlamentares têm evitado manifestações públicas sobre o assunto, segundo a CNN Brasil. A cautela reflete as divergências internas e a preocupação com os possíveis efeitos eleitorais de uma posição contrária à mudança na jornada de trabalho.

Paralelamente, o governo Lula trabalha para ampliar o apoio à proposta e viabilizar sua aprovação em dois turnos no Senado no mesmo dia. A articulação busca acelerar a tramitação de uma medida que ganhou destaque na agenda política nacional e passou a ocupar espaço central na disputa presidencial.

O reconhecimento, por senadores do próprio PL, de que existe maioria favorável à PEC evidencia as dificuldades da oposição para barrar a iniciativa. A decisão sobre a orientação da bancada poderá determinar não apenas o posicionamento da legenda na votação, mas também a forma como Flávio Bolsonaro enfrentará o debate sobre a jornada de trabalho nas semanas que antecedem o segundo turno da eleição presidencial.

Fonte: Brasil 247

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