Por Eduardo Guimarães — Brasil 247

Em 1984, de George Orwell, no regime totalitário fictício da Oceânia, um dos quatro ministérios era o Ministério da Fartura.

Na versão original, em inglês britânico, era “Ministry of Plenty”, que, em algumas traduções, aparece como “Ministério da Abundância” ou “Ministério da Prosperidade”.

A pasta cuida da economia e das “estatísticas” de produção. Na prática, mantém a população na escassez e na pobreza, enquanto a propaganda anuncia continuamente aumentos de racionamento e prosperidade.

O nome é propositalmente o oposto do que a pasta faz — o clássico “doublethink” orwelliano.

O duplipensar (ou doublethink, no original em inglês) é a capacidade de aceitar duas ideias opostas ou contraditórias como verdadeiras ao mesmo tempo.

Em 1984, os quatro ministérios do regime totalitário de Oceânia são:

  • Ministério da Verdade (Ministry of Truth) — responsável por notícias, entretenimento, educação e arte. Na prática, reescrevia a história e espalhava mentiras oficiais.
  • Ministério da Paz (Ministry of Peace) — encarregado da guerra permanente.
  • Ministério do Amor (Ministry of Love) — cuida da lei, ordem e segurança. Na prática, é o centro de tortura, repressão e desaparecimento de opositores do regime.
  • Ministério da Fartura (ou Abundância ou Prosperidade / Plenty — Ministry of Plenty) — controla a economia e o racionamento. Na prática, mantém a população na escassez enquanto anuncia prosperidade.

Todos os nomes são propositalmente o contrário do que as pastas realmente fazem.

O candidato do fascismo verde-amarelo, por certo sem saber, inoculou-se com a obra orwelliana ao prometer o “Ministério da Prosperidade” enquanto prepara “tesouraço” de 250 bilhões de reais, que manterá prosperidade bem longe da sua vida.

A vida imita a arte.

Fonte: Brasil 247

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