Jurista que chefiou investigação da ONU comprovando genocídio em Gaza recebe Nobel da Paz

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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A jurista sul-africana Navi Pillay, que presidiu a comissão da ONU que investigou e comprovou em 2025 que Israel cometeu genocídio contra os palestinos em Gaza, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2026 na sexta-feira (9).

O Comitê Norueguês do Nobel homenageou a ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de 85 anos, por seu trabalho de décadas na promoção da justiça internacional e no fortalecimento das instituições jurídicas.

Na justificativa da premiação, o comitê do Nobel enfatizou ainda a importância de defender o direito internacional, visto que as instituições que investigam crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio enfrentam crescente pressão política. Uma menção implícita à escandalosa perseguição a juízes e promotores internacionais desencadeada pelo governo Trump, em socorro de Netanyahu e seus cúmplices em crimes de guerra e contra a humanidade.

A cerimônia de premiação acontecerá em Oslo, no dia 10 de dezembro. Pillay estava participando de uma conferência jurídica em Nuremberg, na Alemanha, quando o prêmio foi anunciado. Assim, Pillay se junta a outros insignes sul-africanos já laureados com o Prêmio Nobel da Paz, como Albert Luthuli, Desmond Tutu e Nelson Mandela.

É emblemático que o anúncio a tenha encontrado em Nuremberg, onde os algozes nazistas foram julgados e condenados.

“It is clear there is an intent to destroy the Palestinians in Gaza through acts that meet the criteria set forth in the Genocide Convention.”

UN Independent International Commission of Inquiry’s report shows #Israel has committed #genocide in #Gaza.https://t.co/UGjepPwmwo pic.twitter.com/rTJhFeKsvA

— United Nations Geneva (@UNGeneva) September 16, 2025

O reconhecimento que Pillay recebeu é fruto de uma carreira que incluiu a defesa de ativistas antiapartheid na África do Sul, tornando-se a primeira mulher não branca a ser nomeada para o Supremo Tribunal do país, sua atuação como juíza e presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda e, agora, a chefia da histórica investigação da ONU que pela primeira vez determinou que o que Israel comete contra os palestinos, em Gaza e na Cisjordânia ocupada, é genocídio.

Presidida por Pillay, em uma análise jurídica de 72 páginas entregue ao Conselho de Direitos Humanos, a Comissão Internacional Independente de Inquérito afirmou que “as autoridades israelenses e as forças de segurança israelenses tiveram e continuam tendo a intenção genocida de destruir, total ou parcialmente, os palestinos na Faixa de Gaza.”

A comissão concluiu que Israel havia cometido quatro dos cinco atos genocidas definidos pela Convenção sobre o Genocídio de 1948.

Esses atos incluíam matar palestinos, causar-lhes graves danos físicos ou mentais, impor condições de vida calculadas para provocar sua destruição e implementar medidas destinadas a impedir nascimentos.

A comissão também concluiu que as declarações de altos funcionários israelenses, consideradas juntamente com a conduta das forças israelenses, demonstraram intenção genocida.

“A Comissão concluiu que Israel é responsável pela prática de genocídio em Gaza”, disse Pillay quando as conclusões foram divulgadas.

“É evidente que existe a intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que atendem aos critérios estabelecidos na Convenção sobre o Genocídio”, acrescentou ela.

Navi Pillay last year: “The commission finds it is genocide”

Pillay has just won the Nobel peace prize.pic.twitter.com/LsflGuiNph

— Saul Staniforth (@SaulStaniforth) October 9, 2026

A comissão apelou a Israel e a outros Estados para que cumpram as suas obrigações de pôr fim ao genocídio e responsabilizar os culpados.

O presidente sul-africano Cyril Ramaphosa parabenizou Pillay, descrevendo o prêmio como um reconhecimento de sua dedicação de toda uma vida à justiça, à paz e à dignidade humana. “Ela serviu a humanidade com princípios e com a convicção de que o mundo pode e deve ser um lugar melhor”, disse Ramaphosa.

Ele elogiou seu trabalho jurídico durante o apartheid e suas contribuições subsequentes para a justiça internacional. Pillay junta-se a outros sul-africanos laureados com o Prêmio Nobel da Paz, como Albert Luthuli, Desmond Tutu e Nelson Mandela.

Para a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, a premiação de Pillay é uma “escolha inspirada”. “Num momento em que tanto o direito internacional quanto a justiça estão sob ataque, em que muitos Estados tentam esvaziá-los, o Prêmio Nobel da Paz não poderia vir em melhor hora”, ela escreveu.

NOW – Nobel Peace Prize winner Navi Pillay says ‘if you clap a little bit more I may share this prize with Trump’ pic.twitter.com/24m8y9OJmt

— Insider Paper (@TheInsiderPaper) October 9, 2026

Enquanto a premiação de Pillay foi entusiasticamente saudada pelas pessoas de bem no mundo inteiro, houve também os contrariados. A começar por Trump, que se considera o verdadeiro merecedor de um Nobel da Paz, apesar de recentemente ter ameaçado “extinguir uma civilização, que não renascerá”, da guerra que desencadeou contra o Irã no meio de negociações, do bloqueio a qualquer entrega de petróleo a Cuba e do sequestro do presidente venezuelano. Inigualável no seu “pacifismo”.

Mas, conforme discurso feito em campanha nas eleições intermediárias nos EUA, ele tentará consertar a “injustiça”, possivelmente renomeando um oceano em sua própria homenagem. “Oceano Trump”, a única dúvida é sobre qual, o Pacífico ou o Atlântico.

Também a alta cúpula genocida de Israel estrilou contra a premiação de Pillay, alegando que “se houvesse um prêmio para mentiras, ódio e difamação, Navi Pillay não seria apenas uma candidata. Ela seria a favorita”. Os celerados responsáveis por chacinar 74 mil palestinos, na maioria mulheres e crianças, reduzir a escombros 80% das casas e infraestrutura civil de Gaza e levar centenas de milhares à beira da inanição, a acusam de “usar instituições internacionais contra Israel”.

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Fonte: Hora do Povo

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