Flávio quer calar site que mostra a destruição dos serviços públicos se ele for eleito

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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Campanha aciona o TSE para derrubar plataforma “O que está em jogo”, que mostra o que pode estar em jogo para o SUS, as escolas e o Bolsa Família. Pelo visto, a liberdade de expressão só vale quando lhe convém

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), no domingo (11), para tirar do ar o site “O que está em jogo”, ferramenta que permite ao eleitor consultar serviços públicos de seu município e conhecer os prejuízos de eventual governo do senador sobre essas estruturas.

A plataforma reúne dados sobre unidades do SUS, escolas, Farmácia Popular e beneficiários do Bolsa Família.

O motivo do incômodo é político: o site relaciona os efeitos potenciais da política fiscal anunciada por Flávio às condições de financiamento dos serviços públicos.

A proposta de alcançar superávit primário de 1,5% (cerca de R$ 250 bilhões) já no primeiro ano de eventual governo levanta pergunta incômoda para quem depende do Estado: onde serão feitos os cortes para fechar essa conta?

A campanha bolsonarista afirma que a plataforma divulga “informações falsas” e cita o plano de governo registrado no TSE, no qual o candidato promete: “vamos manter os programas sociais existentes”. Não há como manter plenamente os programas com corte de R$ 250 bilhões.

O documento também assegura que quem depende da ajuda estatal para colocar comida na mesa não perderá esse apoio. Isso também não é verdade.

Onde Flávio está mentindo? Se ele vai cortar R$ 250 bi então os programas sociais não serão mantidos. Essa conta não fecha e o TSE devia cobrar dele o deboche que está fazendo contra o país.

Promessa de campanha, porém, não dispensa debate público. Se o plano prevê arrocho fiscal, cabe à sociedade perguntar como esse será executado, quais despesas serão reduzidas e quais serviços poderão sofrer consequências negativas. Isso não é necessariamente afirmar que os programas serão extintos; é cobrar explicações sobre as escolhas que pretenso governo pretende fazer.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO COM SELETIVIDADE

Há ironia difícil de ignorar. O plano de Flávio promete combater o que chama de censura e proteger o direito de criticar o poder. Mas, diante de plataforma crítica à candidatura dele, a resposta da campanha é pedir que a Justiça Eleitoral retire o conteúdo do ar e identifique os responsáveis.

O PL argumenta que o site inteiro seria ilícito e questiona o anonimato dos responsáveis. A representação foi distribuída à ministra Estela Aranha. Caberá à Justiça examinar as alegações e decidir se há fundamento jurídico para a retirada da plataforma.

A questão central é simples: se Flávio considera falsas as conclusões do site, pode contestá-las publicamente, apresentar os números e explicar como pretende conciliar o superávit prometido com a manutenção dos serviços. O eleitor tem o direito de conhecer ambos os lados; e não apenas a versão aprovada pela campanha.

Evidentemente, Flávio debocha da inteligência do povo brasileiro. Agora diz uma coisa, mas, se eleito, o projeto é outro. A única coisa de verdade que ele diz é que vai cortar os direitos do povo, de forma disfarçada, é claro.

O QUE ESTÁ EM JOGO

O episódio expõe grave, para variar, contradição no discurso bolsonarista: defender a liberdade de expressão quando essa favorece os próprios aliados e recorrer à Justiça quando crítica ameaça produzir desgaste eleitoral. Quando suas mentiras são desmascaradas. A liberdade não pode funcionar como privilégio de um campo político.

A plataforma pode e deve ser questionada se divulgar dados incorretos ou apresentar projeções sem sustentação. Mas a resposta democrática é confrontar informações, cobrar transparência e garantir o direito de defesa. E não transformar o desconforto do candidato em motivo automático para silenciar o debate público, no melhor estilo da ditadura.

No fim, a pergunta que dá nome ao site continua de pé: o que está em jogo?

Não apenas o destino de programas sociais e serviços públicos, mas também o direito de a população discutir, antes de votar, as consequências das propostas apresentadas por quem quer governar o País.

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Fonte: Hora do Povo

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