“A Guerra à Santa”: Juliette discute ataques à padroeira do Brasil
Por Emanuela Godoy — TVT News
O novo episódio da série de reportagens Revelando é apresentado pela cantora Juliette e aborda a história de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e os ataques à santa que revelam disputas políticas e manifestações de intolerância religiosa. Leia em TVT News.
Intitulado A Guerra à Santa, o quinto episódio foi disponibilizado no YouTube às 9h desta segunda-feira (12), data em que é celebrado o dia de Nossa Senhora Aparecida.
A reportagem parte de uma pergunta provocativa feita por Juliette: por que uma figura religiosa associada à fé, ao acolhimento e à união desperta hostilidade de setores que buscam influência política no país? Ao longo do episódio, a apresentadora recupera elementos da trajetória da santa e discute como sua imagem passou a ser alvo de ataques.
“Por que uma santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?”, questiona a cantora na abertura da produção.
A narrativa destaca a origem popular da devoção a Nossa Senhora Aparecida e a relação de sua imagem com diferentes grupos sociais.
Juliette descreve a santa como uma “Maria negra pescada por um pescador pobre” e recorda o relato de que ela teria soltado a corrente de um homem escravizado. A abordagem relaciona a história religiosa a questões sociais e à formação cultural brasileira.
Veja o episódio completo:
Ataques à santa e intolerância religiosa
Um dos pontos abordados no episódio são as manifestações contra Nossa Senhora Aparecida. Entre elas está uma declaração do bispo evangélico JB Carvalho, que escreveu que a santa seria a máscara do “braço direito de satanás”.
A reportagem coloca esse tipo de ataque em discussão ao abordar o contraste entre a devoção de milhões de pessoas e as tentativas de desqualificar símbolos religiosos. A produção também destaca que a figura de Aparecida ultrapassa os limites de uma comunidade específica, sendo reconhecida por sua importância cultural e religiosa mesmo por pessoas que não seguem o catolicismo.
A apresentadora afirma que a santa representa uma família em que as diferenças podem coexistir com respeito. A mensagem coloca a tolerância religiosa como um dos eixos centrais do episódio, em um contexto de polarização política e de disputas em torno da fé.
Juliette também compartilha sua relação pessoal com o tema. Advogada, nordestina e de origem periférica, ela afirma que decidiu participar da produção por acreditar na importância de defender o que considera justo.
“Senti que precisava estar aqui. Como mulher e advogada, acredito no compromisso de defender o que é justo. Nossa Senhora Aparecida representa fé, acolhimento e união, e sua história nos lembra que o respeito precisa estar acima de qualquer diferença”, afirma.
A cantora relata ainda que sentiu receio diante da polarização no país, mas decidiu seguir adiante. Para expressar sua ligação com o tema, cita uma passagem bíblica sobre professar a fé publicamente.

Juliette interpreta clássico da música brasileira
Além de apresentar a reportagem, Juliette interpreta Romaria, canção de Renato Teixeira, acompanhada pelo violonista João Camarero. A música integra a abordagem cultural do episódio e reforça a conexão entre religiosidade, tradição popular e identidade brasileira.
A escolha da artista também dialoga com a proposta de Revelando de abordar temas sociais e políticos por meio de personalidades da cultura. A trajetória de Juliette, marcada por sua origem nordestina e periférica, é apresentada como parte dessa perspectiva de representatividade.
Série aborda política, direitos e conflitos sociais
Revelando é uma iniciativa da equipe do podcast Calma Urgente, com apoio do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), da Mídia Ninja, da 342 Artes e do Intercept Brasil. Desde a estreia, o projeto soma mais de 25 milhões de visualizações nas plataformas digitais, segundo os dados divulgados pela produção. No YouTube, os episódios acumulam mais de 18 milhões de visualizações, e o perfil do programa no Instagram reúne 1,9 milhão de inscritos.
A série já abordou temas como a privatização das praias brasileiras, a relação entre instituições religiosas e negócios, a violência policial e a eugenia no Brasil.
No episódio Quem quer roubar sua praia?, a atriz Luana Piovani apresenta uma investigação sobre propostas de privatização de áreas litorâneas. Já Grandes Igrejas, Master Negócios, com o ator e roteirista Fábio Porchat, ultrapassou 14 milhões de visualizações no YouTube, conforme os números divulgados pela equipe do projeto.
A produção apresentada por Camila Pitanga, O julgamento que nunca aconteceu, traz uma entrevista com a mãe de Ana Clara, menina de cinco anos assassinada por um policial que teve o senador Flávio Bolsonaro como advogado de defesa. O primeiro episódio, apresentado por Samara Felippo, aborda a esterilização de mulheres sem consentimento e a história da eugenia no país.
Com A Guerra à Santa, a série volta sua atenção à intolerância religiosa e às disputas políticas em torno de símbolos de fé. Ao recuperar a história de Nossa Senhora Aparecida, o episódio propõe uma reflexão sobre respeito às crenças, diversidade religiosa e convivência democrática.
Assista ao episódio A Guerra à Santa, com Juliette, no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=PPVzOgJkOcM
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Fonte: TVT News