Cidade natal de João Gomes deu 80% dos votos a Lula; cantor é cobrado por silêncio sobre eleições
Por Redação — Brasil de Fato
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O cantor João Gomes tem sido cobrado nas redes sociais por não se posicionar politicamente no segundo turno das eleições de 2026. O jovem de 24 anos é um dos maiores fenômenos da música brasileira atual e reúne mais de 17 milhões de seguidores no Instagram.
Natural de Serrita, no sertão de Pernambuco, o artista é alvo de questionamentos em meio à disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Lula recebeu 80,92% dos votos válidos no município, o equivalente a 9.943 votos, enquanto Flávio obteve 15,02%, com 1.846 votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Eu sei que você não viu como vivia seu povo antes do governo Lula. Mas eu vi. Você não lembra, mas seus parentes lembram. Seus vizinhos lembram. Sua cidade lembra. E nós, nordestinos e pernambucanos, estamos tristes com teu silêncio”, diz uma das publicações em que o cantor é cobrado por não se posicionar.
Em Petrolina, onde o artista cresceu e vive atualmente, o presidente teve 60,18% dos votos, contra 32,77% do senador de extrema direita.
A última manifestação política de grande repercussão do cantor pernambucano foi durante o Rock in Rio, em setembro de 2022.
Na ocasião, João Gomes puxou um coro contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL). Dois dias depois, pediu desculpas publicamente, afirmou que havia sido irresponsável e declarou que não apoiava nenhuma bandeira política. O episódio teve repercussão nas redes sociais e continuou sendo lembrado por internautas.
“Errei e desrespeitei alguns fãs… não apoio qualquer bandeira, mas fui irresponsável. Queria pedir desculpas por citar um nome que jamais poderia citar. Errei. E peço muitas desculpas. Peço desculpas… sou um eterno aprendiz”, disse o cantor em publicação no X.
No domingo (11), Ary Mirelle, esposa do artista, respondeu a um comentário que criticava o silêncio do marido e justificou que a experiência de 2022 deixou marcas. Segundo ela, João foi alvo de ataques após a manifestação e, desde então, enfrenta dificuldades que exigem acompanhamento médico. “João tem uma depressão e é mais difícil do que vocês imaginam, precisa ser acompanhado”, escreveu.
Ary também relatou que a família recebe ameaças contra os dois filhos do casal e pediu que as pessoas não interpretem a ausência de declaração como oposição ao Nordeste ou ao Brasil.
“João precisa cumprir agenda, João não é uma pessoa ruim”, escreveu Ary, ao dizer que o marido tem medo de voltar a se expor politicamente. Ela afirmou ainda que não pretendia tornar pública a situação familiar, mas decidiu se manifestar diante do sofrimento que, segundo seu relato, a cobrança tem provocado.
A discussão também mobilizou Mestrinho, parceiro de João Gomes e Jotapê no projeto musical Dominguinho. Em vídeo publicado nas redes sociais no sábado (10), o sanfoneiro criticou a pressão sobre artistas para que declarem seus votos e defendeu o direito de cada pessoa decidir se quer ou não se posicionar publicamente. Ao mesmo tempo, deixou explícito que não votará em Flávio Bolsonaro nem em integrantes da família do ex-presidente e declarou apoio à reeleição de Lula.
“Quem me conhece sabe que eu jamais votaria em nada relacionado à família Bolsonaro. Jamais. Não é o que eu acredito para a vida”, disse.
Já Jotapê tem adotado uma postura diferente da de João Gomes e se manifestado ativamente nas redes sociais em apoio a Lula. Os três artistas formam o projeto acústico Dominguinho, que reúne repertório e apresentações em conjunto.
A trajetória de João Gomes também inclui episódios em que ele destacou a importância da educação pública. Em outubro de 2025, durante um show beneficente em Petrolina, o cantor se emocionou ao reencontrar Verlandia Fernandes, professora que lhe deu aulas durante o ensino fundamental. No palco, agradeceu à educadora e afirmou que foi com seus professores que aprendeu a ser “um rapaz de direito”. A professora contou que João se destacava nas atividades de leitura e poesia e que o incentivou a escrever.
O cantor também estudou no Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), instituição pública federal de ensino. A expansão da rede de institutos federais foi uma das marcas dos governos Lula, que criaram centenas de unidades para ampliar o acesso à educação profissional e tecnológica.
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Fonte: Brasil de Fato