Venda de veículos no Brasil deve atingir maior nível em 12 anos

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – mercado automobilístico brasileiro deverá encerrar 2026 com aproximadamente 3,1 milhões de veículos novos vendidos, o maior volume em 12 anos. A projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta crescimento de 15,2% em relação a 2025, impulsionado principalmente pela expansão das vendas de automóveis e comerciais leves, apesar dos juros elevados e das dificuldades de financiamento.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada no domingo (11), a entidade revisou para cima suas expectativas após os resultados positivos registrados nos primeiros nove meses do ano. A nova estimativa é de 3,099 milhões de veículos emplacados até dezembro, acima dos 3,014 milhões previstos anteriormente. Se confirmada, a marca será a mais elevada desde 2014.

A recuperação das vendas ocorre em um cenário de maior concorrência entre fabricantes, ampliação da oferta de modelos e programas de incentivo à aquisição de veículos novos. O desempenho comercial, porém, contrasta com o ritmo da produção das montadoras instaladas no Brasil, que não acompanha a expansão da demanda na mesma intensidade.

Em setembro, as vendas cresceram aproximadamente 2,3% em relação a agosto, enquanto a fabricação de veículos registrou queda de 1,1% no mesmo período. A diferença entre os indicadores evidencia o descompasso entre a comercialização de automóveis e a atividade industrial.

Automóveis e comerciais leves impulsionam crescimento do mercado

O principal motor da expansão do setor em 2026 é o segmento de automóveis e comerciais leves, que inclui veículos de passeio, picapes e furgões.

A Anfavea elevou sua projeção de vendas dessa categoria de 2,885 milhões para 2,970 milhões de unidades. O novo número representa crescimento estimado de 16,4% sobre o resultado de 2025.

O desempenho reflete o aquecimento da demanda por veículos novos, mesmo diante das condições ainda restritivas de crédito e do custo elevado dos financiamentos.

Entre os fatores que contribuem para a expansão estão a competição mais intensa entre as marcas, as ofertas comerciais das montadoras e iniciativas voltadas à redução do preço de determinados modelos.

Os programas federais Carro Sustentável e Move Brasil também aparecem entre os estímulos ao mercado, com medidas destinadas a incentivar a comercialização e facilitar o acesso ao financiamento em segmentos específicos.

O Carro Sustentável, por exemplo, prevê benefícios tributários para automóveis que atendam a critérios de eficiência energética e sustentabilidade, contribuindo para reduzir os preços de modelos contemplados.

Produção nacional cresce menos que as vendas

Apesar do aumento das vendas, a atividade industrial apresenta desempenho mais moderado. A Anfavea revisou sua estimativa de produção para 2,822 milhões de veículos em 2026, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior.

O avanço previsto para a fabricação é inferior à expansão de 15,2% esperada nas vendas, indicando que o aquecimento do mercado não está sendo acompanhado por um crescimento equivalente da produção nacional.

De janeiro a setembro, foram emplacados aproximadamente 2,26 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no país, conforme dados do setor.

O aumento da demanda também ocorre em um ambiente de maior participação de fabricantes estrangeiros, especialmente de empresas chinesas, que ampliaram sua presença no mercado brasileiro.

Essa transformação tem elevado a concorrência e diversificado a oferta de veículos, mas também intensificado o debate sobre a necessidade de estimular investimentos industriais e ampliar a fabricação local.

A Anfavea manifesta preocupação com o crescimento das importações e com a expansão das operações de montagem a partir de veículos ou componentes enviados do exterior.

Caminhões e ônibus enfrentam dificuldades com juros elevados

Enquanto automóveis e comerciais leves apresentam crescimento expressivo, o mercado de veículos pesados segue em direção contrária.

A Anfavea reduziu suas estimativas para caminhões e ônibus e passou a prever retração de 6,5% nas vendas desses segmentos em 2026.

O desempenho negativo está relacionado principalmente ao custo do crédito, que dificulta a renovação de frotas por transportadoras e empresas que dependem de financiamentos de longo prazo.

Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que as vendas de caminhões acumularam queda de 3,9% entre janeiro e setembro.

No último mês do levantamento, o segmento apresentou recuperação de 2,5% em relação a agosto, com 9.834 unidades emplacadas. O resultado positivo, entretanto, não foi suficiente para compensar a retração acumulada no ano.

A diferença entre o desempenho dos veículos leves e pesados mostra que a recuperação do mercado automobilístico brasileiro ocorre de maneira desigual, com maior dinamismo nas compras de automóveis e comerciais leves.

Setembro registra resultados expressivos nas concessionárias

Os dados mais recentes da Fenabrave reforçam o crescimento da procura por veículos novos no país.

Segundo levantamento divulgado em 5 de outubro, os emplacamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus atingiram o melhor resultado para um mês de setembro da série histórica considerada pela entidade.

No acumulado dos primeiros nove meses de 2026, o setor registrou expansão expressiva em relação ao mesmo intervalo de 2025.

A entidade atribui parte desse movimento ao aumento da concorrência entre fabricantes e aos programas de incentivo que ajudam a estimular a comercialização de modelos novos.

O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, destacou que a demanda permanece aquecida, apesar dos obstáculos enfrentados pelos consumidores para obter financiamento.

“O mercado continua demonstrando demanda por veículos novos, mesmo em um ambiente ainda complexo de crédito”, afirmou o dirigente, em declaração divulgada pela Reuters.

A Fenabrave também sinalizou a possibilidade de revisar suas projeções de vendas em novembro, após avaliar o comportamento do mercado durante outubro.

Importações ganham espaço e preocupam indústria nacional

Outro aspecto relevante do cenário automobilístico brasileiro é o aumento da presença de veículos importados, especialmente de fabricantes asiáticos.

A expansão ocorre tanto pela entrada de automóveis prontos quanto pelo crescimento das operações industriais baseadas nos regimes conhecidos como CKD e SKD, nos quais veículos chegam ao país desmontados ou parcialmente desmontados para montagem local.

Segundo dados apresentados pela Anfavea, aproximadamente 123 mil veículos ingressaram no Brasil por meio dessas modalidades em 2026.

A entidade defende maior clareza sobre as exigências de conteúdo nacional e as regras aplicáveis à produção local, diante das transformações na estrutura do mercado.

As montadoras instaladas no país também acompanham os efeitos da expansão das fabricantes chinesas em outros mercados latino-americanos, tradicionalmente importantes para as exportações brasileiras.

O crescimento das importações, combinado com a evolução mais lenta da produção doméstica, coloca novos desafios para a indústria, especialmente em relação à competitividade, aos investimentos e à manutenção da cadeia nacional de fornecedores.

Mercado caminha para melhor resultado desde 2014

A projeção de 3,099 milhões de veículos comercializados em 2026 representa um marco para o setor automotivo brasileiro, que enfrentou períodos de retração econômica, dificuldades de crédito e alterações no comportamento dos consumidores ao longo da última década.

A perspectiva de atingir o maior volume de vendas em 12 anos indica uma recuperação consistente da demanda interna, ainda que parte dos segmentos continue enfrentando dificuldades.

A diferença entre o crescimento previsto para as vendas e o avanço mais limitado da produção nacional também demonstra que a expansão do consumo não se traduz automaticamente em aumento proporcional da atividade das fábricas brasileiras.

O desempenho dos últimos meses do ano será decisivo para confirmar a projeção da Anfavea. Caso a estimativa se concretize, o mercado brasileiro encerrará 2026 no maior patamar de comercialização de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus desde 2014.

Fonte: Brasil 247

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