Jovens dominam votação, mas Câmara mantém idade elevada e eleitos são 4 vezes mais ricos

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Por Dayane Santos — Brasil 247

247 – As eleições de 2026 combinaram a ascensão de jovens lideranças políticas com a permanência de um perfil etário mais maduro e uma forte desigualdade patrimonial entre os candidatos eleitos e os derrotados. Embora nove dos dez deputados federais mais votados tenham menos de 40 anos, a idade mediana da Câmara permanece em 49 anos. Ao mesmo tempo, o patrimônio médio dos parlamentares eleitos é quatro vezes superior ao dos candidatos que não conquistaram mandato.

O levantamento sobre a idade dos novos parlamentares foi publicado pela Folha de S.Paulo, com base em dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Já os números patrimoniais foram divulgados pelo portal Metrópoles, em levantamento da coluna de Tácio Lorran, com informações de Mateus Salomão, publicado nesta segunda-feira (12).

Segundo reportagem do Metrópoles, os deputados federais eleitos têm patrimônio médio declarado de R$ 3,7 milhões, enquanto a média dos candidatos derrotados ficou em R$ 886 mil. Os valores foram calculados a partir das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral.

A diferença é de aproximadamente R$ 2,8 milhões por candidato, considerando as médias dos dois grupos. O levantamento também aponta que mais da metade dos deputados federais eleitos para a próxima legislatura é milionária. Os dados indicam uma disparidade patrimonial entre os vencedores e os demais concorrentes, embora, isoladamente, não permitam estabelecer que a riqueza tenha sido determinante para o resultado eleitoral.

Jovens lideram votação, mas não renovam a idade média da Câmara

O desempenho eleitoral de novos nomes, muitos deles impulsionados pelas redes sociais, contrasta com a composição geral da Câmara dos Deputados. A idade mediana dos parlamentares eleitos permaneceu em 49 anos, o mesmo patamar registrado em 2022. Isso significa que metade dos 513 deputados federais terá 49 anos ou mais na próxima legislatura.

Entre os dez mais votados, seis são de partidos de direita e quatro de legendas de esquerda. O grupo inclui nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), André Fernandes (PL-CE), Erika Hilton (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG). A exceção etária entre os dez primeiros é Júlia Zanatta (PL-SC), de 41 anos.

Nikolas Ferreira, de 30 anos, dobrou sua votação em relação a 2022 e chegou à marca de 3 milhões de votos. Em São Paulo, Lucas Pavanato, de 28 anos, conquistou uma cadeira na Câmara após exercer o mandato de vereador desde 2025.

Pelo campo progressista, Erika Hilton, de 33 anos, recebeu cerca de 1,6 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados. Sâmia Bomfim (PSOL-SP), de 37 anos, também ficou entre os destaques, com aproximadamente 583 mil votos.

A novidade entre os nomes da esquerda foi Ana Elisa, do PT de Minas Gerais. Aos 21 anos, ela conquistou mais de 524 mil votos em uma campanha com forte presença nas redes sociais.

Apesar da presença de jovens entre os mais votados, apenas 23 dos 513 deputados federais eleitos têm menos de 30 anos, o equivalente a 4,5% da Câmara. Desse grupo, 17 pertencem a partidos de direita e seis a legendas de esquerda.

Enquanto a votação expressiva de candidatos jovens demonstra a capacidade de novas lideranças de mobilizar eleitores, os dados sobre patrimônio revelam que os vencedores da disputa parlamentar apresentam, em média, recursos pessoais declarados muito superiores aos dos candidatos derrotados.

A média de R$ 3,7 milhões entre os eleitos, diante dos R$ 886 mil dos não eleitos, não significa que todos os deputados tenham patrimônio elevado ou que todos os derrotados disponham de poucos bens. Trata-se de uma comparação entre médias, que não revela, por si só, a distribuição da riqueza dentro de cada grupo.

A combinação dos levantamentos permite observar duas características distintas da eleição: a renovação geracional entre os candidatos que alcançaram as maiores votações e a concentração de patrimônio entre os parlamentares eleitos, quando comparados ao conjunto dos concorrentes derrotados.

No Senado, a idade mediana dos eleitos caiu de 58 anos, em 2022, para 56 anos, em 2026. A comparação considera que, neste ano, dois terços das cadeiras estavam em disputa, enquanto em 2022 a renovação foi de um terço.

Os senadores eleitos mais jovens foram Filipe Barros (PL-PR) e Marina JHC (PSDB-AL), ambos com 35 anos. Na outra ponta, Júlio César (PSD-PI), de 78 anos, foi o mais velho entre os eleitos para a Casa.

Nas Assembleias Legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a idade mediana permaneceu em 47 anos. Entre os jovens eleitos estão Natália do Júnior Garimpeiro (União Brasil-MA), de 21 anos; Túlio Rezende (MDB-MA) e Samuel Caires (PL-MG), ambos de 22 anos; e Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, que recebeu 1,9 milhão de votos para a Assembleia paulista.

A presença de candidatos com vínculos familiares na política tradicional também aparece entre os mais jovens. Natália contou com o apoio do pai, prefeito de Centro Novo, no Maranhão, enquanto Túlio é filho da deputada estadual Andrea Rezende e do ex-deputado Stenio Rezende. Samuel Caires teve o apoio de Nikolas Ferreira.

Na outra extremidade etária, Luiza Erundina (PSOL-SP), de 91 anos, foi a deputada estadual mais velha eleita no país. Também foram eleitos Zé Teixeira (PL-MS), de 86 anos, e Eduardo Suplicy (PT-SP), de 85.

Fonte: Brasil 247

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