Lula pede mobilização de eleitores que não votaram no primeiro turno durante ato na Avenida Paulista

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Por João Paulo Alexandre — Jornal Opção

Lula pede mobilização de eleitores que não votaram no primeiro turno durante ato na Avenida Paulista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, participou neste domingo, 11, de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo. Diante de apoiadores e lideranças políticas, o petista defendeu a ampliação da mobilização eleitoral para o segundo turno, especialmente entre os brasileiros que não compareceram às urnas na primeira etapa da disputa presidencial.

Durante o pronunciamento, Lula chamou a atenção para o elevado número de abstenções e afirmou que seus apoiadores precisam procurar eleitores que deixaram de votar, incluindo pessoas com mais de 70 anos, para as quais o voto é facultativo. Segundo ele, aproximadamente 30 milhões de brasileiros não participaram da votação.

O presidente argumentou que a participação eleitoral deve ser incentivada mesmo entre aqueles que não demonstram interesse direto pela política. Para Lula, o resultado das eleições também terá consequências para as próximas gerações, o que justificaria o esforço de convencimento dos eleitores ausentes.

A manifestação ocorreu nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), com início por volta das 11h. O encontro também contou com a participação de organizações estudantis e instituições ligadas à produção científica, que apresentaram reivindicações relacionadas ao fortalecimento da educação pública, à pesquisa e à preservação das instituições democráticas.

A mobilização foi convocada por entidades como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Entre as principais demandas estavam a ampliação dos investimentos públicos em educação e ciência, a valorização dos profissionais do ensino e da pesquisa e a garantia da autonomia das universidades.

O evento reuniu integrantes do governo federal e representantes de diferentes estados. Estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ex-ministra Marina Silva, o ministro Guilherme Boulos e os governadores reeleitos Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.

Críticas a Bolsonaro e propostas para um novo mandato

Em outro momento do discurso, Lula direcionou críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à condução do governo federal durante a pandemia de Covid-19. O petista acusou o antecessor de desconsiderar orientações científicas e questionou sua postura diante das mortes provocadas pela doença.

Ao abordar o período, o presidente afirmou que a reconstrução de políticas públicas exige mais esforço do que sua desestruturação. Ele também mencionou as dificuldades enfrentadas pelas famílias que perderam parentes durante a emergência sanitária.

Na sequência, Lula apresentou algumas das áreas que pretende priorizar caso conquiste um novo mandato. Entre os objetivos mencionados estão a modernização tecnológica da economia brasileira, a qualificação profissional para o uso de inteligência artificial, o desenvolvimento da indústria digital e o avanço da transição energética.

A segurança pública também apareceu entre os compromissos destacados pelo candidato. Segundo ele, o governo precisa ampliar a capacidade de enfrentamento à criminalidade e oferecer melhores condições de proteção à população.

O presidente defendeu que o Brasil invista na formação de trabalhadores preparados para as transformações tecnológicas e para as novas demandas do mercado de trabalho.

Lula cobra votação sobre fim da escala 6×1

Antes de participar da manifestação, Lula concedeu entrevista a jornalistas e comentou a proposta que pretende modificar a jornada de trabalho conhecida como escala 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um.

De acordo com o presidente, a votação da matéria está prevista para quarta-feira. Ele afirmou que o calendário já havia sido discutido com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e criticou a possibilidade de adiamento da análise para depois do segundo turno das eleições.

Na avaliação de Lula, os parlamentares precisam esclarecer publicamente suas posições sobre a ampliação dos períodos de descanso dos trabalhadores. O presidente também cobrou um posicionamento do Partido Liberal (PL), legenda de seu adversário na disputa presidencial.

O petista afirmou que uma eventual tentativa de postergar a votação representaria uma forma de evitar o debate durante o período eleitoral. Segundo ele, a população precisa conhecer a posição dos partidos antes de retornar às urnas.

Segurança pública e críticas ao adversário

Outro tema abordado foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Lula defendeu a iniciativa e afirmou que o texto busca estabelecer uma participação mais efetiva do governo federal nas políticas de combate à criminalidade.

Segundo o presidente, a proposta pretende organizar as responsabilidades dos diferentes entes federativos, incluindo a União e os municípios, para melhorar a atuação contra organizações criminosas.

Durante a entrevista, Lula também criticou propostas que, em sua avaliação, poderiam representar redução de direitos sociais e trabalhistas. O presidente relacionou essas medidas às políticas adotadas pelo governo de Javier Milei, na Argentina.

O petista afirmou que iniciativas dessa natureza poderiam atingir principalmente trabalhadores de menor renda e aposentados. As declarações ocorreram no contexto das críticas ao programa defendido por seu adversário no segundo turno.

Mobilizações também ocorreram em outras cidades

Além da manifestação na capital paulista, apoiadores de Lula organizaram atividades em outras regiões do país neste domingo.

Em Campinas, no interior de São Paulo, manifestantes se reuniram no Largo do Rosário, na região central, a partir das 10h. O grupo participou de uma caminhada denominada “Marcha pela Democracia”, que percorreu ruas do Centro da cidade.

A passeata começou por volta das 11h30 e terminou aproximadamente às 13h20, quando os participantes retornaram ao ponto de concentração. A dispersão ocorreu pouco depois, com a liberação da via para o trânsito por volta das 13h30.

Já em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, apoiadores realizaram um ato com bandeiras e manifestações de apoio ao presidente na Rua dos Carijós, nas proximidades da Praça Sete.

A concentração começou por volta das 10h e contou com a participação do bloco “Sou Vermelho”. Posteriormente, os manifestantes seguiram em caminhada pela Feira Hippie, realizada na Avenida Afonso Pena.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que equipes da BHTrans, da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar acompanharam a movimentação na região central, com o objetivo de garantir a segurança dos participantes e organizar o fluxo de veículos.

As manifestações ocorreram em meio à campanha para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrentará Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.

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Fonte: Jornal Opção

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