Janones acusa TSE de censura após suspensão do “Exército do Lula”

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O deputado federal André Janones (Rede-MG) acusou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de praticar censura contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a determinação de suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reunia aproximadamente 3,3 milhões de seguidores. A decisão foi tomada neste domingo (11) pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, em resposta a um pedido apresentado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Janones afirmou que a medida ultrapassa a retirada de conteúdos específicos e compromete a organização digital dos eleitores de Lula na disputa do segundo turno. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar também declarou ter recebido uma proibição de criar novos canais. A reação foi noticiada pelo Metrópoles.

“Eles conseguiram. O canal Exército do Lula sairá do ar em uma hora. Temos que denunciar, que não é que se o Flávio Bolsonaro for eleito que a censura será instalada. Ela já começou. A censura já começou. Eles me proibiram inclusive de criar outro canal, sem nenhuma argumentação”, declarou Janones.

A manifestação foi divulgada por volta das 12h10 deste domingo, depois que o parlamentar tomou conhecimento da determinação judicial. Na avaliação de Janones, a suspensão constitui uma restrição à atuação política de apoiadores do presidente durante a campanha eleitoral.

O canal havia sido criado pelo deputado para organizar a mobilização digital favorável à reeleição de Lula. Por meio do WhatsApp, Janones reunia seguidores e compartilhava conteúdos relacionados à disputa presidencial, utilizando a plataforma como um dos principais instrumentos de comunicação com a militância.

A iniciativa registrou crescimento acelerado nos últimos dias e alcançou 3,3 milhões de seguidores, tornando-se um dos maiores espaços de mobilização digital vinculados à candidatura petista.

Decisão atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro

A suspensão foi determinada por Nunes Marques após a campanha de Flávio Bolsonaro recorrer à Justiça Eleitoral contra o funcionamento do canal.

Os representantes do candidato do PL sustentaram que o espaço estaria sendo utilizado para distribuir conteúdos com informações falsas e coordenar sua disseminação entre milhões de usuários. A acusação serviu de fundamento ao pedido de intervenção judicial.

Ao analisar o caso, Nunes Marques considerou insuficientes as medidas destinadas exclusivamente à retirada de publicações individuais. O ministro entendeu que a continuidade do canal permitiria a circulação de novos conteúdos considerados irregulares pela Justiça Eleitoral.

A determinação estabelece a suspensão do canal até a homologação do resultado do segundo turno. A Meta, responsável pelo WhatsApp, recebeu prazo de três horas para cumprir a ordem.

A decisão não constitui, por si só, uma comprovação de que todos os conteúdos publicados no espaço apresentavam informações falsas. A controvérsia judicial envolve acusações específicas da campanha adversária e a avaliação da Justiça Eleitoral sobre o funcionamento da estrutura de distribuição de mensagens.

Disputa pelo canal chegou ao TSE antes da suspensão

A campanha de Flávio Bolsonaro já havia apresentado uma ação contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones, alegando supostas irregularidades na divulgação de conteúdos eleitorais.

No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que a candidatura de Flávio apresentasse esclarecimentos adicionais sobre os pedidos formulados.

Entre as providências solicitadas estavam a identificação dos conteúdos questionados, a apresentação de arquivos digitais e esclarecimentos sobre possíveis pedidos semelhantes realizados em outros processos.

O corregedor também estabeleceu prazo para a defesa dos investigados e ressaltou que o recebimento da ação não significava reconhecimento da veracidade das acusações.

A determinação de Nunes Marques, anunciada no domingo, ocorreu enquanto esses procedimentos estavam em andamento.

Canal se tornou instrumento de mobilização eleitoral

O “Exército do Lula” ganhou projeção depois do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, quando Janones intensificou sua atuação nas redes sociais para mobilizar eleitores favoráveis à continuidade do governo petista.

A estratégia envolvia a distribuição de materiais de campanha e a articulação de apoiadores para ampliar o alcance das mensagens políticas no ambiente digital.

O crescimento da iniciativa levou a campanha de Flávio Bolsonaro a questionar judicialmente seu funcionamento, sob a alegação de que a estrutura estaria sendo utilizada para disseminar informações falsas contra o candidato do PL.

A suspensão atinge, assim, um espaço que havia se tornado relevante para a comunicação entre Janones e os apoiadores de Lula. A decisão também acrescenta um novo foco de conflito judicial à disputa presidencial, marcada pela utilização intensiva das redes sociais e dos aplicativos de mensagens pelas duas candidaturas.

Fonte: Brasil 247

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