Movimentos de mulheres rejeitam decisão judicial contra Cilia Flores em Nova York
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
teleSUR – Um tribunal federal de Nova York rejeitou o pedido apresentado pela defesa de Cilia Flores, que solicitava prisão domiciliar ou medidas humanitárias. A solicitação não foi aceita. A decisão, divulgada em 8 de outubro, provocou a reação de organizações de mulheres e ativistas venezuelanas vinculadas à Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM).
Em comunicado público divulgado no sábado (10), as signatárias manifestaram indignação com a decisão judicial e alertaram que o processo coloca em risco o bem-estar físico, a saúde e os direitos fundamentais da primeira-dama venezuelana.
“A privação de liberdade não suspende o direito à saúde, à integridade, à vida nem ao tratamento digno”, ressaltaram as organizações, que classificaram a decisão judicial como uma forma explícita de violência política destinada a enfraquecer lideranças femininas que defendem posições soberanas e contrárias à hegemonia.
As entidades denunciaram que os tribunais dos Estados Unidos transformam processos judiciais em instrumentos de intimidação política, prática que classificaram como lawfare, ou guerra jurídica.
Segundo as organizações, essa estratégia atinge a soberania, as garantias dos direitos humanos e a autodeterminação dos povos latino-americanos.
Diante desse cenário, as organizações sociais e de mulheres estabeleceram três compromissos. O primeiro consiste em manifestar solidariedade irrestrita a Cilia Flores diante de ações judiciais que consideram de natureza política. Segundo as signatárias, esses processos buscam prejudicar sua dignidade, sua saúde e sua trajetória política.
O segundo compromisso condena a utilização de tribunais estrangeiros como instrumentos de pressão geopolítica contra as instituições legítimas da Venezuela.
O terceiro reafirma a disposição de permanecer mobilizadas, com presença ativa nas ruas e nos espaços públicos, em defesa da soberania nacional e da dignidade das mulheres patriotas.
A situação judicial da primeira-dama Cilia Flores e do presidente Nicolás Maduro remonta a 3 de janeiro de 2026, quando ambos foram capturados em Caracas, capital venezuelana, por forças especiais dos Estados Unidos, durante uma incursão militar considerada ilegal pelo governo venezuelano. Segundo a reportagem da TeleSUR, a operação deixou mais de uma centena de mortos, entre civis e militares, além de um número semelhante de feridos.
Após comparecerem pela primeira vez à Justiça, em 5 de janeiro, ocasião em que se declararam inocentes, Maduro e Flores permaneceram detidos em Nova York, no Centro Federal de Detenção do Brooklyn.
O presidente Maduro questiona a legalidade de sua captura e reivindica imunidade soberana, enquanto Flores argumenta que possui imunidade em razão de sua condição de primeira-dama.
Em julho, a Procuradoria e a defesa chegaram a um acordo para fixar o início do julgamento oral em 1º de junho de 2027. Uma audiência preliminar está marcada para 17 de novembro de 2026, quando serão analisados os pedidos apresentados pela defesa.
Fonte: Brasil 247