“Essa vai ser a eleição da verdade”, afirma Alckmin
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) acusou neste domingo (11) o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de mentir sobre suas relações com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Durante manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Avenida Paulista, em São Paulo, Alckmin afirmou que a disputa presidencial será marcada pelo confronto entre verdade e mentira e declarou que a reação dos apoiadores do governo já começou.
“Companheiras e companheiros, esta vai ser a eleição da verdade”, afirmou o vice-presidente, ao iniciar um discurso de críticas ao adversário de Lula no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Alckmin concentrou parte de sua fala nas controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O vice-presidente questionou negativas atribuídas ao candidato do PL sobre encontros, viagens e movimentações financeiras relacionadas ao empresário.
“Flávio Bolsonaro disse que não conhecia o Vorcaro. Mentira! Disse que nunca se encontrou com o Vorcaro. Mentira! Disse que nunca entrou no jatinho do Vorcaro. Mentira!”, declarou.
O vice-presidente prosseguiu com acusações relacionadas a pedidos e recebimentos de recursos financeiros.
“Disse que nunca pediu dinheiro pro Vorcaro. Mentira! Disse que nunca recebeu dinheiro do Vorcaro. Mentira!”, acrescentou.
As afirmações foram feitas no contexto da disputa eleitoral e constituem acusações de Alckmin contra Flávio Bolsonaro. O pronunciamento não apresentou documentos ou outras provas individualizadas para sustentar cada uma delas.
As declarações fazem referência às revelações sobre o relacionamento entre Vorcaro e integrantes do grupo político bolsonarista, incluindo discussões sobre o financiamento do documentário Dark Horse, dedicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagens recentes apontaram a existência de registros financeiros relacionados ao projeto cinematográfico e de questionamentos sobre a participação de Flávio Bolsonaro nas tratativas. O candidato do PL tem defendido a legitimidade do patrocínio ao documentário de seu pai.
A controvérsia também envolve alegações sobre um suposto financiamento, por Vorcaro, de um documentário a respeito de Lula. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram que houvesse depoimento ou documentação formal nos termos divulgados pela revista Veja. A defesa de Lula rejeitou as acusações.
Alckmin diz que virada eleitoral começou
O vice-presidente também demonstrou confiança na capacidade de recuperação eleitoral da candidatura de Lula e associou a mobilização dos apoiadores à defesa das instituições democráticas.
“E o povo quer verdade. A virada começou. São Paulo não quer ditadura. Nosso ídolo não é o coronel Ustra”, declarou.
A referência ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra remete ao período da ditadura militar brasileira. Ustra comandou o DOI-Codi de São Paulo, órgão de repressão política associado a prisões ilegais, torturas e outras violações de direitos humanos.
Alckmin contrapôs a figura do militar à memória de pessoas que morreram em mobilizações políticas contra governos autoritários.
“Nossos ídolos são os estudantes mortos na ditadura. Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo”, afirmou.
Os nomes mencionados pelo vice-presidente são os de Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo de Camargo Andrade, conhecidos pela sigla MMDC.
Os quatro morreram em decorrência da repressão a manifestações de maio de 1932, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, antes do Estado Novo, instaurado em 1937. Suas mortes se tornaram símbolos da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento que reivindicava uma nova Constituição para o país.
A referência histórica foi utilizada por Alckmin para defender a ordem constitucional e rejeitar iniciativas que, em sua avaliação, representem ameaças à democracia brasileira.
“São Paulo deu a vida pela Constituição e ninguém vai rasgar a Constituição brasileira”, afirmou.
O vice-presidente encerrou sua manifestação com uma declaração de apoio à continuidade do governo petista.
“O presidente Lula é o presidente da mudança”, disse.
O ato deste domingo foi convocado pelo PT e reuniu apoiadores da candidatura à reeleição de Lula em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A mobilização começou às 11h, e o presidente chegou por volta das 12h30.
A manifestação ocorreu na primeira semana de campanha do segundo turno, em uma tentativa de ampliar o engajamento da militância e fortalecer a mobilização eleitoral em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Fonte: Brasil 247