Nunes Marques atende campanha de Flávio e suspende canal ‘Exército do Lula’ no Whatsapp
Por Ana Luiza Basilio — Carta Capital
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral foi na contramão de procedimento já adotado pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do órgão
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, atendeu a um pedido da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), e determinou a suspensão do canal ‘Exército do Lula’ no Whatsapp.
O canal, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG) contava com 3,3 milhões de seguidores, e era dedicado a divulgar materiais de campanha do presidente.
A campanha de Flávio recorreu ao TSE alegando que o canal distribuía notícias falsas contra sua candidatura. O ministro acatou o entendimento e afirmou que o espaço transmitia conteúdos falsos de forma coordenada. Segundo Nunes Marques, o canal funcionava como uma estrutura de comando único para replicar mensagens políticas já proibidas pela Justiça Eleitoral.
“O que se afasta não é a mobilização de apoiadores, nem a crítica política contundente, nem o uso das redes sociais para pedir votos. É a utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, com instruções expressas para contornar as salvaguardas que o próprio provedor declarou adotar e a sua eventual atuação efetiva no caso concreto”, afirmou Nunes Marques em seu despacho.
A decisão do ministro exige que o WhatsApp suspenda o canal ‘Exército de Lula’ em até três horas após a notificação. Também impede novas publicações e a entrada de novos seguidores até a homologação do resultado do segundo turno das eleições de 2026.
Nunes Marques foi na contramão de procedimento já adotado pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, em outro processo movido pela campanha de Flávio Bolsonaro contra o canal. Cueva deu um prazo de cinco dias para que o deputado federal André Janones e o presidente Lula (PT) se manifestassem.
Também determinou que, no prazo, a campanha de Flávio também teria de apresentar informações ao TSE, como apontar, via sua equipe jurídica, as supostas irregularidades de cada conteúdo questionado. O ministro também mandou a campanha entregar arquivos ao TSE que seriam supostas provas citadas na ação.
O deputado André Janones criticou a decisão em suas redes sociais, que classificou como ‘censura’. “Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito a censura vai ser instalada. A censura já começou”, disse.
Ana Luiza Basilio
Repórter do site de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital