Greve geral já pelo fim da escala 6×1: a chave para derrotar Flávio Bolsonaro e os escravistas

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Por Mateus Torres — Esquerda Diário

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Depois de muita enrolação, a PEC que acaba com a escala 6×1 volta à pauta do Senado a partir desta terça (13/10). A votação acontece em dois turnos, o primeiro começa na quarta (14), mas Flávio Bolsonaro e sua tropa no Senado tentam barrar a votação. Nenhuma confiança em Alcolumbre! Colocar a classe trabalhadora em movimento, com uma greve geral imediata, em aliança com a juventude, é a chave tanto para acabar de vez com essa escala maldita quanto para fortalecer a luta para que não haja nenhum voto em Flávio Bolsonaro. É urgente que as centrais sindicais convoquem essa greve!

Os escravistas do Senado e das patronais, liderados por Flávio Bolsonaro, estão fazendo todo tipo de manobra para empurrar essa votação para depois do segundo turno (25/10). Eles sabem perfeitamente que o tema toca no nervo exposto da exploração cotidiana e pode decidir a eleição presidencial. O plano da extrema direita é cristalino: garantir primeiro a vitória de Flávio na presidência para, no dia seguinte, tentar enterrar de vez a proposta e perpetuar essa escala escravista.

Não podemos depositar um milímetro de confiança em Davi Alcolumbre, o principal responsável por sentar em cima da PEC pelo fim da 6×1 até agora. Se ele tirou a proposta da gaveta neste momento, não foi por sensibilidade social, mas por puro cálculo de sobrevivência política: após o avanço do bolsonarismo nas eleições para o Senado, Alcolumbre tenta salvar o próprio poder sinalizando para Lula. Ao mesmo tempo, mantém negociatas com o bolsonarismo, chegando ao ponto de gravar vídeos ao lado de Cleitinho, apoiador de Flávio Bolsonaro. Não nos enganemos, basta que Flávio garanta uma parcela de poder de Alcolumbre no futuro Senado para que ele engavete novamente o fim da 6×1.

Por isso, não podemos confiar em acordos de bastidores dentro de um Congresso dominado por bolsonaristas, ruralistas e escravistas modernos. Eles querem barrar o fim da escala 6×1 e nós temos que contrapor a isso uma estratégia de luta.

Devemos nos apoiar no espírito de luta demonstrado pelos estudantes da UFF e pelos secundaristas do Rio, que convocaram mobilizações combativas contra Flávio Bolsonaro e a extrema direita, inspirando muita gente a sair às ruas em todo o país, para organizar uma grande greve geral já.

Essa juventude saiu aos milhares nas ruas e está disposta a se organizar, mostrando que é uma falácia que a juventude teria se tornado de direita e conservadora. No Brasil não é diferente do resto do mundo: a juventude está contra “o sistema”, e num processo de polarização, buscando ideias rupturistas à direita e à esquerda. E às vezes girando rapidamente de um voto na extrema direita para se radicalizar pela esquerda. É isso que se expressa na rebelião da juventude em curso na França, no Estado Espanhol, na Bélgica e que vai mostrando seu potencial de contágio. Nestes países também, até pouco tempo, todos diziam que “a juventude virou de direita”, mas aí está ela nas ruas para derrubar em poucos dias todo ceticismo.

Enquanto as direções da Frente Ampla canalizam essa força que a juventude despertou para meros atos eleitorais festivos ou discute “estratégias de vira-voto” se adaptando à ideias e figuras da direita, enquanto a luta contra a escala 6×1, que poderia golpear em cheio, fica nas mãos do Senado. Isso deveria estar no centro de qualquer mobilização neste momento. Trata-se de uma votação sob forte risco, mas as lideranças não dão nenhum peso a essa batalha que pode alterar de fato a correlação de forças e derrotar o bolsonarismo, especialmente se a votação for vitoriosa fruto de uma ação combativa das bases e não de um suposto “apoio” episódico dos direitistas do Senado para não perderem votos nas eleições.

É preciso sair dessa armadilha institucional, que pode impedir a votação do fim da escala 6×1 agora, e colocar o risco de que não seja votada tão cedo, pois virá um Senado ainda mais de direita. Na história do capitalismo, nenhuma redução de jornada foi concedida pela generosidade das instituições, todas foram arrancadas pela luta direta.

Confiemos na força da aliança entre a juventude e a classe trabalhadora para derrotar Flávio Bolsonaro e conquistar o fim da escala 6×1: greve geral já para dar um golpe decisivo contra a extrema direita, a patronal e os planos de Trump para o Brasil e a América Latina. É urgente colocar a classe trabalhadora em cena como protagonista para impor a votação já nesta semana.

Todos os parlamentares, candidatos, intelectuais e lideranças que se reivindicam de esquerda precisam usar todo o seu peso político para exigir que a CUT e as demais centrais sindicais saiam da paralisia e convoquem imediatamente uma greve geral pelo fim da escala 6×1!

Essa greve geral seria decisiva não só para acabar com essa escala maldita, mas também impactaria para derrotar Flávio Bolsonaro e a extrema direita na correlação de forças nacional. Em vez de apostar na mobilização e na greve geral para arrancar o fim da 6×1, que esvaziaria parte da base social e eleitoral do bolsonarismo, inúmeros “sábios” tentam nos convencer de que a classe trabalhadora virou amplamente de direita e engoliu a ideia individualista e neoliberal do empreendedorismo. Ouvimos essa mesma conversa nas eleições de 2024, com o fenômeno Pablo Marçal em São Paulo, exatamente no momento em que Rick Azevedo viralizava nas redes sociais com a luta pelo fim da escala 6×1. Isso apesar de que as pesquisas mostram que entre 70% e 80% da população apoia o fim dessa escala. O que essa análise superficial, ou posição interessada, esconde, é a base material do problema: quando milhões de jovens e trabalhadores precarizados dizem que “querem ser o próprio patrão”, que “rejeitam a CLT” ou que “preferem empreender”, a maioria está expressando um grito desesperado de fuga contra a alienação e a exaustão física e mental de jornadas escravistas como a 6×1, em troca de salários de fome. A maioria dos que declaram que querem trabalhar por conta própria, ou que já são MEIs e pequenos comerciantes de bairro, apoia em peso o fim da escala 6×1.

É exatamente neste setor social que está grande parte da mal chamada “classe C”, que nada mais é do que um setor importante da nova classe trabalhadora, fragmentada, plataformizada, e distante dos sindicatos e da esquerda. Nas últimas eleições, esse contingente tem oscilado entre Bolsonaro e Lula justamente porque não se identifica com o bolsonarismo, mas tampouco vê alternativa no PT, partido que governou o país desde 2003 até o golpe institucional de 2016, voltando ao governo em 2023, sempre administrando os interesses dos bancos e do agronegócio e mantendo a precarização do trabalho e da vida.

Em vez de apostar na mobilização para transformar realmente a condição de vida das massas, o PT (e boa parte da esquerda) preferiu terceirizar a luta contra o bolsonarismo e seu projeto neoliberal autoritário ao STF e às canetadas de Alexandre de Moraes, tratado como “salvador da democracia”, junto a personagens como Alckmin e muitos outros da “direita democrática”, que sempre garantiram a hegemonia do programa neoliberal do governo. Hoje, toda a classe trabalhadora paga o preço dessa escolha: sentimos na pele o peso da votação da direita no primeiro turno, que, transcendeu o eleitor bolsonarista, chegando a este setor amplo social disputável, em grande medida porque conseguiu se apresentar como uma força “contra o sistema” de Vorcaro, Moraes, Lula e companhia, que os deixa na vida precarizada que não suportam mais.

O cenário para a esquerda vai piorar se continuar ganhando força o discurso de que, para derrotar Flávio Bolsonaro, o papel da esquerda é pegar mais leve porque o “pobre é de direita”. Segundo essa lógica, a grande estratégia agora seria aprofundar a conciliação e as concessões à direita que nos fizeram chegar até aqui. Sugerem abandonar o discurso de esquerda e compartilhar vídeos de figuras como Renan Santos; buscar alianças com a direita não bolsonarista; prometer uma Frente Ampla ainda mais elástica; dar mais espaço a nomes como Geraldo Alckmin; se aliar a Pedro Paulo, Tebet, Eduardo Paes e cia; depositar esperanças em decisões monocráticas de algum juiz salvador ou em operações da Polícia Federal; focar apenas nas redes sociais e abandonar as ruas. “Greve geral já? Nem pensar!”, dirão eles. Afinal, desde junho de 2013, o petismo passou a condenar ainda mais abertamente a mobilização social, especialmente quando está no governo. Esse tipo de estratégia foi o que nos fez chegar até aqui, com uma extrema direita fortalecida e com um rechaço ao governo Lula em amplos setores. E está condenada ao fracasso não só eleitoral no segundo turno, mas prepara uma nova desmoralização. No entanto, ainda há tempo de traçar outra perspectiva se amplos setores batalham por isso, se contrapondo à estratégia do PT e das burocracias sindicais.

Parar o país com uma greve geral vale mais do que todas as “grandes ideias” daqueles que dizem entender que “o Brasil mudou” e que dominam a “lógica das redes sociais e dos algoritmos”. Uma greve geral tem força para arrancar o fim da escala 6×1 e transformar a correlação de forças que virá depois das urnas, preparando os trabalhadores para enfrentar um país onde a direita terá enorme peso nos três Poderes, independentemente de se ganhar Lula ou Flávio.

A luta precisa começar agora, e com outra estratégia. Chega de moderação, de conciliação e de confiar em alianças com a direita supostamente democrática ou apenas nos caminhos institucionais para resolver os problemas dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre!

Como alertava Antonio Gramsci nos Cadernos do Cárcere, na lógica do “menos pior”, “cada mal se torna menor em comparação com um outro que se apresenta como maior, e assim até o infinito”. Dessa forma, a política do mal menor “nada mais é do que a forma assumida pelo processo de adaptação a um movimento historicamente regressivo”, no qual as direções escolhem “capitular progressivamente, em pequenas etapas”. É urgente virar a página desse Brasil da disputa de especialistas em cálculos eleitorais, onde a escolha do “mal menor” e do “voto útil” não é nem mais uma suposta tática episódica, tendo se tornado uma estratégia permanente.

O resultado disso é o abandono cada vez mais profundo da luta por qualquer projeto afirmativo, propositivo, capaz de mover corações e mentes. A juventude que ocupa as ruas de Paris ao Rio de Janeiro, de Berlim a Nova Délhi (e que foi o motor de vitórias eleitorais como a de Zohran Mamdani em Nova York ou a do Die Linke em Berlim) está disposta a lutar por muito mais do que o “menos pior”. E pode contagiar os trabalhadores.

É isso que vemos do outro lado da fronteira, na Argentina, onde Myriam Bregman e o PTS, na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, estão ganhando grande peso, não só eleitoral ou de simpatia social, mas na luta concreta das ruas, como mostraram recentemente ao organizar a massiva “Marcha de la Bronca” (Marcha da Indignação), que levou dezenas de milhares de pessoas a protestar em todo o país. Menos truques de gabinete ao estilo Janones e Alckmin, mais a coragem de Myriam Bregman e sua confiança na força da luta nas ruas e contra o sistema numa perspectiva socialista! É com esse espírito que precisamos parar o Brasil, com uma greve geral já pelo fim da escala 6×1, e construir uma esquerda revolucionária que dispute novos horizontes e possa fazer frente realmente à extrema direita, sem moderação.

Fonte: Esquerda Diário

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