Acionada para caso de tentativa de suicídio, PM matou jovem com 27 tiros
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – Um jovem de 20 anos foi morto com 27 tiros por policiais militares acionados para atender a uma ocorrência de tentativa de suicídio em Moema, na zona sul de São Paulo. Gustavo Munis de Santana havia sobrevivido à queda de uma ponte na Avenida Moreira Guimarães, mas acabou atingido por disparos durante a abordagem dos agentes, na madrugada de sábado (10).
Segundo reportagem do Metrópoles, publicada neste domingo (11), a perícia identificou 27 ferimentos provocados por arma de fogo no corpo da vítima. As lesões estavam distribuídas pela cabeça, tórax, abdômen, braços e pernas. As circunstâncias da morte serão investigadas pelas polícias Civil e Militar.
Policiais alegam suspeita de ameaça durante abordagem
De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, a equipe foi enviada ao endereço após receber um chamado sobre um homem que teria tentado tirar a própria vida ao saltar de uma ponte. Quando chegaram ao local, os agentes constataram que Gustavo havia sobrevivido à queda.
A corporação afirma que, durante a abordagem, o jovem tentou escapar e realizou um movimento interpretado pelos policiais como uma tentativa de sacar uma arma.
“Ele tentou fugir a pé e fez menção de sacar uma arma, levando os policiais a intervir para repelir a injusta agressão”, informou a Polícia Militar, em nota.
No entanto, foi constatado na sequência que jovem possuia apenas um aparelho celular.
Câmeras corporais e armas serão analisadas
As autoridades apreenderam as armas utilizadas na ocorrência, o telefone celular do jovem e as imagens registradas pelos equipamentos de gravação dos policiais militares.
O material será submetido à análise para esclarecer a sequência dos acontecimentos e verificar as circunstâncias em que os disparos foram efetuados.
A investigação deverá examinar a conduta dos agentes e as condições da abordagem, especialmente diante do número de tiros que atingiram a vítima e da natureza do chamado que motivou a presença policial no local.
A Polícia Militar informou que o episódio será apurado tanto na esfera militar quanto pela Polícia Civil. Os procedimentos deverão avaliar a atuação dos policiais e eventuais responsabilidades pela morte.
Até o momento, não foi confirmado se Gustavo portava alguma arma nem foram divulgadas conclusões periciais definitivas sobre a dinâmica dos disparos.
O caso ocorreu durante uma intervenção inicialmente destinada a atender uma pessoa em situação de risco à própria vida. A apuração deverá esclarecer como a ocorrência de tentativa de suicídio terminou com a morte do jovem durante a ação policial.
Fonte: Brasil 247