Zelensky rebate Trump e exige reciprocidade para suspender ataques à energia russa
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que seu país só interromperá os ataques à infraestrutura energética russa se Moscou também suspender os bombardeios contra a rede de energia ucraniana. Segundo o g1, a posição responde à cobrança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por uma interrupção unilateral das ações de Kiev e ocorre em meio às críticas ucranianas ao acordo americano para a compra de diesel russo.
Trump havia criticado duramente Zelensky no dia anterior e exigido que a Ucrânia encerrasse seus ataques. O presidente ucraniano, por sua vez, defendeu que qualquer entendimento para suspender as ofensivas contra instalações energéticas tenha compromissos de ambas as partes e mecanismos que assegurem seu cumprimento.
“A verdadeira causa da guerra na Europa é a Rússia e somente a Rússia. É possível interromper os ataques à infraestrutura energética já hoje, mas Putin não quer fazer isso”, declarou Zelensky. Sem mencionar especificamente as declarações de Trump nessa fala, acrescentou que um acordo precisaria incluir “garantias reais”.
A exigência de reciprocidade ocorre após a intensificação dos ataques dos dois países a instalações de geração de energia, redes de transporte e outros pontos estratégicos do setor. As ofensivas ampliam os danos à infraestrutura e acrescentam um obstáculo às negociações para encerrar a guerra.
Acordo sobre diesel amplia atrito com Washington
O entendimento anunciado por Trump permite que a Rússia forneça centenas de milhares de toneladas de diesel aos mercados americano e internacional. Para viabilizar as operações, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos concedeu uma isenção temporária das sanções, válida até abril de 2027.
A iniciativa surpreendeu a delegação ucraniana. Autoridades de Kiev e de países europeus estavam reunidas com negociadores americanos em Miami para discutir a paz, mas não haviam sido informadas sobre a negociação envolvendo o combustível russo.
Zelensky criticou o acordo por considerar que o alívio da pressão econômica encoraja Moscou a manter os ataques contra a Ucrânia. Poucas horas depois da confirmação da flexibilização das sanções, a Rússia realizou novos bombardeios em território ucraniano.
Ao reagir às ofensivas, o presidente afirmou que Moscou “agradeceu” pela medida com mais ataques contra civis. Segundo sua avaliação, o governo russo interpreta a redução da pressão internacional como uma autorização para continuar bombardeando cidades ucranianas.
Kiev também foi atingida. Interrupções no fornecimento de eletricidade provocadas pelos ataques levaram à paralisação dos trens do metrô da capital.
Rússia libera exportações, mas efeito nos preços deve ser limitado
Após o anúncio americano, o governo russo confirmou a suspensão parcial da proibição de exportação de diesel, com aplicação imediata.
“Os volumes de produção são suficientes para atender integralmente à demanda interna e às exportações para o mercado global nos volumes especificados”, afirmou o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, em comunicado.
Analistas do setor energético citados na reportagem avaliam que a iniciativa deverá ter efeito limitado sobre os preços pagos pelos consumidores. A expectativa é que a liberação altere principalmente o destino do combustível comercializado, sem representar um aumento significativo do volume total disponível no mercado mundial.
Defesa aérea e reação à proposta de troca de presidente
Zelensky anunciou que continuará neste domingo (11) as discussões com líderes europeus. Segundo ele, as conversas sobre novos pacotes de defesa aérea ocorrem diariamente e incluem munição para aeronaves de combate empregadas na interceptação de drones russos movidos a jato.
Nas ruas de Kiev, moradores entrevistados pela agência Reuters também criticaram a sugestão de Trump de que a Ucrânia deveria buscar um novo líder disposto a negociar com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Ninguém tem o direito de nos dizer o que fazer, especialmente porque não se podem realizar eleições em tempos de guerra. Na minha opinião, isso é uma traição por parte dos nossos parceiros”, disse Sabina, professora primária de 40 anos. Ela se referia à proibição de eleições durante a vigência da lei marcial no país, adotada por razões de segurança.
As negociações para encerrar o conflito continuam bloqueadas pela exigência russa de controle sobre a região de Donetsk. Kiev mantém a condição de que a suspensão dos ataques à infraestrutura russa seja acompanhada do fim dos bombardeios contra sua rede energética, sem perspectiva imediata de retomada das negociações diretas entre os dois países.
Fonte: Brasil 247