Protestos estudantis ampliam pressão sobre governo francês e pauta eleitoral

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – As manifestações de estudantes na França ampliam a pressão sobre o governo e passam a ocupar espaço na disputa presidencial, enquanto a aproximação com greves do setor público aumenta a preocupação com a extensão da crise. Segundo a Prensa Latina, os protestos já duram três semanas e reúnem reclamações sobre as condições das escolas, a falta de professores e as perspectivas de trabalho para os jovens.

A mobilização estudantil coincidiu com paralisações convocadas por sindicatos do funcionalismo em 29 de setembro e 6 de outubro. Uma nova greve está prevista para 13 de outubro. Essa convergência aproxima as demandas por melhorias na educação da resistência dos trabalhadores aos cortes previstos no orçamento de 2027.

De acordo com a agência, o presidente Emmanuel Macron tem concentrado sua atuação na garantia do abastecimento energético do país e deixado a condução da crise estudantil principalmente sob responsabilidade do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

Para o cientista político Frédéric Dabi, dirigente do instituto Ifop, as manifestações expressam uma dificuldade mais ampla das instituições em ouvir a população. Na avaliação apresentada pela Prensa Latina, o descontentamento ultrapassa a rejeição ao presidente e se alimenta da combinação entre recursos insuficientes para a educação, perda de poder de compra e insegurança quanto ao futuro.

Nas escolas, as reivindicações incluem redução do número de alunos por turma, melhoria das instalações, climatização das salas e contratação de professores. A percepção de que o poder público não responde às necessidades dos adolescentes também aparece entre os fatores que sustentam os protestos.

A proposta orçamentária acrescenta tensão a esse cenário. Segundo informações do jornal Le Monde citadas pela agência, o orçamento de 2027 prevê reduções que atingem professores dos ensinos fundamental e médio. As perspectivas de emprego dos estudantes também aproximam a mobilização das pautas defendidas pelos sindicatos.

Entre os trabalhadores, cresce a oposição a cortes de 54 bilhões de euros previstos para o próximo ano, com efeitos sobre aposentadorias e serviços públicos. As restrições fiscais ocorrem em um ambiente de pressão sobre a renda e de conflitos trabalhistas.

A deterioração das condições econômicas contribui para o desgaste do governo. A reportagem menciona o encarecimento dos combustíveis e os prejuízos provocados pela seca, pelos incêndios florestais e pela onda de calor durante o verão. Segundo levantamento da BFMTV reproduzido pela Prensa Latina, as perdas chegaram a aproximadamente 15 bilhões de euros.

Apesar dos episódios de vandalismo registrados em dezenas de instituições de ensino, as manifestações encontram apoio expressivo na opinião pública. Uma pesquisa do Ipsos-BVA para o jornal Le Parisien, citada pela agência, aponta que 54% dos entrevistados apoiam os protestos estudantis.

O respaldo é maior quando se consideram reivindicações específicas: 82% defendem diminuir o número de alunos por sala e 79% apoiam a renovação dos estabelecimentos de ensino. Outros 69% preferem que o governo dialogue com os estudantes, em vez de apenas encerrar as manifestações.

A repercussão levou diferentes forças políticas a se posicionarem. A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, aderiu às reivindicações e participou das mobilizações nas ruas, atraindo críticas de adversários da direita e da extrema direita.

Segundo o Le Monde, conforme relatado pela Prensa Latina, Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, e os ex-primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal convergem na condenação da violência e na defesa da manutenção da ordem pública.

No Partido Socialista, o secretário nacional Olivier Faure acusa o governo de desconsiderar as demandas da juventude e recorrer à força. O líder dos deputados socialistas, Boris Vallaud, pede a proibição do uso de granadas contra estudantes do ensino médio.

A possibilidade de aproximação entre estudantes e trabalhadores remete a um precedente central da história francesa: em maio de 1968, manifestações universitárias se somaram a uma greve geral que mobilizou milhões de pessoas e colocou o governo de Charles de Gaulle sob forte pressão. Na crise atual, a nova paralisação prevista para 13 de outubro ocorre enquanto permanecem sem solução as reivindicações por melhores condições de ensino e a disputa sobre os cortes orçamentários.

Fonte: Brasil 247

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