Assessor de Lula para assuntos internacionais denuncia tentativa dos EUA de cercar o Brasil
Por Brasil 247 — Brasil 247
Rio de Janeiro, 10 out (Xinhua) — O assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, denunciou que a iniciativa de segurança “Escudo das Américas”, liderada pelos Estados Unidos, representa uma tentativa falsa de cercar o Brasil sob o argumento de combater o crime organizado, em meio às tensões regionais decorrentes da estratégia de Washington.
“Essa questão do Escudo das Américas coloca o Brasil em cerco, cercado com base em argumento falso, que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional”, afirmou Amorim em entrevista ao canal brasileiro Tutaméia TV.
Lançado em março pelo presidente americano, Donald Trump, o Escudo das Américas reúne os Estados Unidos e outros 14 países latino-americanos em uma aliança que prevê o intercâmbio de inteligência e a coordenação de operações contra o crime organizado.
O grupo apoiou sanções americanas contra 24 organizações criminosas da região, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) – duas das principais facções criminosas do Brasil -, as quais Washington classifica como organizações “narcoterroristas”.
O Brasil possui uma Lei Anterrorista que classifica, desde 2016, o terrorismo como atos de violência que tenham motivações ideológicas específicas de xenofobia, discriminação ou preconceito com finalidade de provocar terror social ou generalizado. Enquanto o Ministério da Justiça enquadra as facções criminosas como grupos movidos pela busca de lucro financeiro. Desse modo, o governo Lula opõe-se à designação de “narcoterrorismo” por considerar que ela pode costurar caminhos para operações americanas em território brasileiro e resultar em sanções contra empresas nacionais. Especialistas em segurança também alertaram que a mudança de classificação pode dificultar a cooperação internacional já existente contra essas organizações.
O Brasil e o México permanecem fora da aliança, que é integrada por governos latino-americanos participantes da estratégia impulsionada por Washington.
A controvérsia também entrou no debate político brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, afirmou que incluiria o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito.
Fonte: Agência Xinhua — https://portuguese.news.cn/20261011/a90e6368a63e4451b6e414adbff57d1f/c.html
Fonte: Brasil 247