O segundo turno de 25 de outubro é a escolha entre um país que governa pelo diálogo e um clã que subjuga pela ameaça
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
Lula e Alckmin representam a convivência, por vezes turbulenta, como é próprio às democracias, entre trabalho, empresariado e Estado.
Alckmin é a ponte com o setor produtivo, e Lula é a garantia de que o desenvolvimento chega a quem sustenta o país.
Esse é o estilo de quem negocia, busca forjar maiorias e jamais desrespeita as instituições.
O estilo dos Bolsonaro é outro. Jair Bolsonaro está condenado por tentar derrubar o Estado democrático pela violência e, por isso, cumpre pena contra a qual se insurge.
Mesmo preso, é ele quem indicou o filho Flávio, ligado ao crime organizado. Segue como o chefe político do projeto.
Outro membro do clã, Eduardo Bolsonaro, é investigado no STF por conspirar contra a soberania nacional a partir dos Estados Unidos, onde buscou refúgio. Por tentar interferir no processo judicial contra seu pai, Eduardo foi condenado, tem ordem de prisão expedida pelo STF e passaporte cassado.
Quem trata o próprio país como moeda de troca diante de um governo estrangeiro não tem autoridade para falar em pátria.
As propostas dos candidatos mostram a mesma distância. Lula e Alckmin prometem o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas sem redução salarial. Prometem também fortalecer o SUS, manter o Farmácia Popular e o Mais Médicos, além de ampliar a educação em tempo integral e investir em indústria e agricultura familiar.
Com seu Tesouraço, de 250 bilhões de reais, Flávio oferece o corte dos reajustes das aposentadorias, a revisão da reforma tributária e uma segurança pública baseada no extermínio da população mais pobre.
Não há em seu programa de governo uma resposta para quem vive de salário e depende do fortalecimento do serviço público.
Há ainda a hipocrisia de quem vive a falar de liberdade como conceito vazio. Na prática, a campanha de Flávio protocolou no TSE uma ação que institui a censura. O candidato queria remoção de publicações e restrições a perfis de jornalistas e veículos por seu trabalho independente.
Entre os alvos estão Laís Gouveia, editora do Brasil 247, a Mídia Ninja e o Pragmatismo Político. O “crime” de Laís foi reproduzir uma declaração de Flávio sobre alterar a Constituição e perguntar aos eleitores se é isso que querem.
O pedido ainda não foi acolhido pelo TSE. Mas a tentativa já diz tudo: quem hoje não suporta um questionamento, ainda que duro, da mídia progressista não vai suportar a crítica no poder. A Associação Brasileira de Imprensa já repudiou a investida.
O Brasil conhece os dois caminhos. Um deles trouxe recorde de emprego, isenção de Imposto de Renda para camadas médias, crescimento da renda e respeito internacional. O outro tentou golpe com plano de assassinato de autoridades, cultivou o isolamento diplomático e manipula a informação em escala industrial, o que, neste caso, com a ação das plataformas digitais em favor de Flávio, não se trata de eufemismo.
Um se oferece para respeitar acordos internacionais de direitos humanos, reconhecer as instituições multilaterais e mediar conflitos armados. Outro promete radicalizar uma ideologia de domínio do território a serviço do pesadelo que é impor a supremacia de uma potência sobre um continente que, mais do que nunca, precisa de cidadelas pacíficas para impor sua autonomia.
O resultado negativo do primeiro turno despertou contingentes importantes para o perigo que ronda o país neste segundo turno. Com inúmeras iniciativas voluntárias, a nação vem se mobilizando para reverter o resultado daqui a quinze dias. A mídia hegemônica faz de tudo para ocultar, mas o fenômeno começa a aparecer até em pesquisas.
Toda a energia será fundamental para ultrapassar as forças da reação, que são capazes de qualquer expediente — como se viu em reportagem fabricada pela revista Veja — para assaltar de novo o poder. Será difícil, mas há uma esperança.
Fonte: Brasil 247