Em áreas de milícias no Rio, Flávio Bolsonaro venceu em 86% das zonas de votação

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Por Dayane Santos — Brasil 247

o de dados.

247 – Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi o mais votado em 268 locais de votação situados em áreas controladas ou sob influência de milícias na cidade do Rio de Janeiro. O resultado representa 86% dos pontos eleitorais analisados nesses territórios, enquanto Lula (PT) liderou em apenas 43 locais.

Os dados foram divulgados pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, a partir do cruzamento de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o Mapa de Grupos Armados, levantamento elaborado pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF). A base mais recente do mapeamento territorial é de 2024.

No conjunto dos locais de votação situados nessas áreas, Flávio recebeu mais de 440 mil votos, contra aproximadamente 318 mil de Lula. Os pontos analisados concentram-se, em grande parte, na Zona Oeste da capital fluminense, região em que grupos milicianos exercem controle territorial ou mantêm influência.

Vantagem eleitoral na capital fluminense

O desempenho de Flávio nesses territórios integra o resultado mais amplo do primeiro turno na cidade do Rio de Janeiro, onde o senador abriu vantagem de 137 mil votos sobre Lula. A capital é considerada um dos principais redutos políticos da família Bolsonaro.

O levantamento identifica a distribuição dos votos em locais de votação localizados em áreas mapeadas como territórios sob controle ou influência de milícias. Os números, por si só, não demonstram que a atuação desses grupos tenha determinado as escolhas individuais dos eleitores, nem estabelecem uma relação causal entre o controle territorial e o resultado eleitoral.

Relações de Flávio Bolsonaro com pessoas ligadas a milícias

A trajetória política de Flávio Bolsonaro também foi marcada por episódios envolvendo pessoas apontadas como integrantes de grupos milicianos. O gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, empregava a mãe e a mulher de Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado como chefe de um grupo de matadores e morto em 2020, na Bahia.

Além disso, emenda parlamentar de quase R$ 200 mil foi destinada a um projeto esportivo, cuja liberação teria sido solicitada por Robson Calixto, conhecido como Peixe. Ele foi condenado por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista, Anderson Gomes, mortos em março de 2018.

A negociação da emenda ocorreu em 2023, entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar do gabinete de Flávio no Senado.

Polícia Federal investiga possível desvio de recursos

A Polícia Federal identificou indícios de que os recursos destinados ao projeto esportivo possam ter sido desviados. Segundo a reportagem, os investigadores encontraram mensagens trocadas pelo WhatsApp entre Peixe e Maria de Fátima no celular do miliciano. O aparelho havia sido apreendido durante as investigações relacionadas ao assassinato de Marielle Franco, em 2024.

A existência desses indícios integra a apuração sobre o destino da verba parlamentar. A informação sobre uma possível irregularidade, porém, não equivale, por si só, a uma comprovação definitiva de desvio ou de responsabilidade criminal de todos os envolvidos.

Fonte: Brasil 247

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