Presidente da Palestina adia eleições e convoca pleito para setembro de 2027

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Por Redação — Brasil de Fato

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O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, publicou neste sábado (10) um decreto presidencial convocando eleições presidenciais e legislativas simultâneas para o dia 11 de setembro de 2027.

A determinação adia em quase um ano a realização do pleito legislativo, que estava originalmente agendado para 28 de novembro de 2026, enquanto a eleição presidencial era aguardada para o início do próximo ano.

Em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Wafa, a presidência palestina justificou a alteração de calendário em razão dos “obstáculos impostos pelas medidas israelenses”, que impedem a realização da votação nas datas previstas. O governo palestino denunciou que Israel bloqueou o acesso de integrantes da Comissão Eleitoral Central e de observadores internacionais a Jerusalém Oriental e à Faixa de Gaza.

O decreto também destacou a necessidade de estabelecer condições políticas, logísticas e de segurança adequadas para assegurar um processo eleitoral “livre, justo e inclusivo”. O texto menciona a destruição e as condições humanitárias em Gaza decorrentes das operações militares israelenses, a violência de colonos e as restrições de circulação na Cisjordânia ocupada, além da retenção sistemática de receitas tributárias palestinas por parte de Israel.

A decisão de adiar o calendário eleitoral foi antecedida por uma reunião realizada na quarta-feira (7), no Cairo, que reuniu quatro organizações palestinas, incluindo o Fatah, partido liderado por Abbas, e o Hamas. Durante o encontro mediado pelo Egito, as organizações concordaram em abrir um processo de diálogo nacional amplo e recomendaram o adiamento do pleito.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rejeitou as acusações e criticou o anúncio nas redes sociais. O chanceler israelense declarou que Abbas “não organiza eleições há mais de 20 anos” e afirmou que a responsabilização de Israel representaria uma tentativa de “fugir de suas responsabilidades e evitar a necessidade de prestar contas”. Israel tem eleições legislativas próprias marcadas para 27 de outubro.

A população palestina não participa de eleições gerais há duas décadas. O último pleito legislativo ocorreu em 2006, quando o Hamas obteve a maioria das cadeiras parlamentares. O resultado intensificou as disputas com o Fatah, culminando em 2007 na divisão entre a administração da Faixa de Gaza pelo Hamas e o controle de partes da Cisjordânia pela Autoridade Palestina.

Desde a ruptura política, o Conselho Legislativo Palestino não voltou a se reunir. Abbas foi eleito para a Presidência em 2005 para um mandato de quatro anos que expirou em 2009, passando a governar por meio de decretos desde então.

Em 2021, o líder palestino chegou a convocar eleições legislativas e presidenciais, mas o processo foi suspenso sob o argumento de que Israel não ofereceu garantias para a votação de palestinos residentes em Jerusalém Oriental.

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Fonte: Brasil de Fato

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